O ano de 1992 foi palco de um dos mais mediáticos eventos da história da Banda Desenhada: a morte de uma das suas mais famosas personagens, o Super-Homem. Em Portugal foi capa de jornais como o Público e o número 75 da revista homónima, onde o Homem de Aço dá o último suspiro, foi dos comics mais vendidos de sempre (6 milhões de exemplares). À altura, este evento provocou surpresa e estupefacção, já que a DC Comics tinha decidido pôr termo à vida do super-herói original, aquele que vencia e sobrevivia não importassem as circunstâncias. Claro que todos sabiam que os Deuses da Franquia nunca deixariam morrer uma tão importante máquina de fazer dinheiro, mas este acontecimento, seguido do aparecimento de quatro misteriosos substitutos e da inevitável ressurreição do herói, transportaria revistas relativamente banais para o top de vendas.
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Injustice Gods Among Us: Year Three Complete Collection de Tom Taylor, Brian Buccelatto, Bruno Redondo e Mike S. Miller
Depois de mais de um ano sem visitar esta narrativa distópica do universo dos super-heróis da DC Comics, regressamos para ler os novos pesadelos de alto valor de entretenimento que os autores conseguiram sonhar. Para quem não sabe do que esta série trata, podem sempre ler as análises que fizemos aos anos um (aqui) e dois (aqui).
Filmes favoritos baseados em BDs (parte 2 de 2)
Vejam a primeira parte desta lista aqui.
Esta é uma lista pessoal, como não poderia deixar de ser. Misturam-se inclinações, preferências, uma pitada de coração, algum cérebro e, acima de tudo, a vontade de os querer rever sempre. Seguem em baixo, por ordem alfabética.
Esta é uma lista pessoal, como não poderia deixar de ser. Misturam-se inclinações, preferências, uma pitada de coração, algum cérebro e, acima de tudo, a vontade de os querer rever sempre. Seguem em baixo, por ordem alfabética.
Podem consultar aqui uma lista de todos os filmes, passados e futuros, baseados em BD. Escusado será dizer que vi apenas uma pequena parcela deles.
Man of Steel de Zack Snyder (2013)
Tinham passados apenas sete anos desde o mal-fadado Superman Returns de Bryan Singer, quando o também odiado Zack Snyder decide revisitar a mitologia do Homem de Aço.
Man of Steel de Zack Snyder (2013)
Tinham passados apenas sete anos desde o mal-fadado Superman Returns de Bryan Singer, quando o também odiado Zack Snyder decide revisitar a mitologia do Homem de Aço.
Uma BD aqui, outra BD ali, 16
Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.
Amazing Spider-Man número 799 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)
O caminho inexorável para mais um histórico número do Homem-Aranha continua. Dan Slott, que escreve a personagem há 10 anos, está na recta final deste seu canto do cisne, Go Down Swinging. Neste (e a partir de aqui há spoilers), Peter Parker enfrenta o seu maior adversário, Norman Osborn, o Duende Verde. Esta é uma inimizade antiga, que já deu fruto a enormes tragédias, a maior das quais a morte de uma das namoradas do herói. O conflito tem sido explorado até às últimas consequências, ou assim o pensávamos. Slott concebeu uma nova perspectiva ao aumentar o já significativo nível de ameaça que Osborn representa. O escritor fundiu-o a um outro vilão, o alienígena Carnage, um parasita de forma viscosa e tendências (ultra) psicopatas. Assim nasceu Red Goblin, cem vezes mais louco que o Duende Verde e 1000 vezes mais mortífero. Uma máquina de matar sem remorsos e perto do imbatível.
O nível de perigo foi apropriadamente aumentado para níveis ridículos. O vilão é invencível e maníaco, sabe a identidade secreta do nosso herói e a combinação destes dois factos só pode significar uma gigantesca dor de cabeça para o Homem-Aranha, que terá de fazer das tripas coração para salvar os seus e a própria pele.
Como já o disse nesta rubrica, Slott está a recuperar de um certo e determinado arrufo que havia provocado com alguns fãs. O Homem-Aranha de Go Down Swinging é O Homem-Aranha. Colocado numa situação desesperada, Peter Parker evoca todas os seus recursos, não só como super-herói mas também como cientista e indivíduo. Ao mesmo tempo, o vilão, mais poderoso fisicamente, é uma espada de Damocles prestes a cair no mundo pessoal do herói, evocando tragédias passadas e preparando os leitores para uma possível nova. Sinceramente, não se deveria pedir muito mais de uma história do Aranhiço.
Action Comics número 1000 de vários (DC Comics)
Oitenta. É este o número de anos que acumularam-se desde que o Super-Homem viu, pela primeira vez, a luz do dia em 1938. É ele o arquétipo-base de todo um estilo literário. É ele o molde do qual nasceram todos os outros. Até o Batman.
Ontem, a revista que o viu nascer atingiu o histórico número 1000, a primeira de toda a BD americana a chegar a esse histórico marco. Um momento tão importante teria de ser aproveitado de forma exemplar e única. Foram vários os artistas convidados para criar pequenas homenagens ao maior de todos os super-heróis. Todos trouxeram o melhor das suas habilidades para produzir pequenos elogios ao Homem de Aço. Como não poderia deixar de ser, o produto final depende da inspiração e do talento.
Tom King destaca-se. O escritor de títulos lendários como Batman, Mr. Miracle ou Vision consegue, uma vez mais, retirar da cartola um sentido e emocional elogio, desta vez ao Super-Homem. Coloca-o no futuro longínquo, nos últimos dias da Terra, para que deseje um último adeus a quem deu-lhe tudo o que ele é. King percebe, nestas simples cinco páginas tudo o que faz esta personagem: um homem, apenas um homem, com os poderes de um deus.
Outros conseguem obras também relevantes, como a já costumeira parelha Tomasi/Gleason, que transportam o nosso herói para múltiplas evoluções de si mesmo. Ou Scott Snyder e Rafael Albuquerque, que escolhem focar-se na inimizade com Lex Luthor, o seu maior adversário. Também Paul Dini e o maravilhoso José Luis Garcia-Lopez fazem uma homenagem através de um outro dos vilões históricos do Super, ao ponto de parecer estarmos a ler uma história escrita por Alan Moore. Meltzer e Cassaday são parcimoniosos, e abordam os incríveis poderes desta personagem maior que a vida.
Muitos outros juntaram-se à festa, mas, antes de terminar, terei de destacar a inauguração da sequência de histórias de Brian Michael Bendis, que aqui é acompanhado por Jim Lee no desenho. Bendis é quem escreverá o Homem de Aço no futuro próximo e a DC tem feito bastante questão de o publicitar aos quatro ventos. É ainda cedo para qualquer julgamento, nem que seja porque muito pouco é esclarecido. A descompressão e diálogos típicos do escritor estão lá e, claro, uma revelação bombástica (que de bombástico tem muito pouco porque já tinha sido revelada na net). Os fãs do Super-Homem querem que continue a ser o que ele foi neste últimos 80 anos. Seja bem-vindo Sr. Bendis e que nos dê o que de melhor o Homem de Aço é capaz.
Ontem, a revista que o viu nascer atingiu o histórico número 1000, a primeira de toda a BD americana a chegar a esse histórico marco. Um momento tão importante teria de ser aproveitado de forma exemplar e única. Foram vários os artistas convidados para criar pequenas homenagens ao maior de todos os super-heróis. Todos trouxeram o melhor das suas habilidades para produzir pequenos elogios ao Homem de Aço. Como não poderia deixar de ser, o produto final depende da inspiração e do talento.
Tom King destaca-se. O escritor de títulos lendários como Batman, Mr. Miracle ou Vision consegue, uma vez mais, retirar da cartola um sentido e emocional elogio, desta vez ao Super-Homem. Coloca-o no futuro longínquo, nos últimos dias da Terra, para que deseje um último adeus a quem deu-lhe tudo o que ele é. King percebe, nestas simples cinco páginas tudo o que faz esta personagem: um homem, apenas um homem, com os poderes de um deus.
Outros conseguem obras também relevantes, como a já costumeira parelha Tomasi/Gleason, que transportam o nosso herói para múltiplas evoluções de si mesmo. Ou Scott Snyder e Rafael Albuquerque, que escolhem focar-se na inimizade com Lex Luthor, o seu maior adversário. Também Paul Dini e o maravilhoso José Luis Garcia-Lopez fazem uma homenagem através de um outro dos vilões históricos do Super, ao ponto de parecer estarmos a ler uma história escrita por Alan Moore. Meltzer e Cassaday são parcimoniosos, e abordam os incríveis poderes desta personagem maior que a vida.
Muitos outros juntaram-se à festa, mas, antes de terminar, terei de destacar a inauguração da sequência de histórias de Brian Michael Bendis, que aqui é acompanhado por Jim Lee no desenho. Bendis é quem escreverá o Homem de Aço no futuro próximo e a DC tem feito bastante questão de o publicitar aos quatro ventos. É ainda cedo para qualquer julgamento, nem que seja porque muito pouco é esclarecido. A descompressão e diálogos típicos do escritor estão lá e, claro, uma revelação bombástica (que de bombástico tem muito pouco porque já tinha sido revelada na net). Os fãs do Super-Homem querem que continue a ser o que ele foi neste últimos 80 anos. Seja bem-vindo Sr. Bendis e que nos dê o que de melhor o Homem de Aço é capaz.
Uma BD aqui, outra BD ali, 14
Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.
Action Comics número 999 de Dan Jurgens e Will Conrad (DC Comics)
Às portas do histórico número 1000 da mais antiga revista de super-heróis do mundo, aquela onde, em 1938, nasceu a mais importante personagem desse estilo, Dan Jurgens, também ele um histórico escritor e desenhista do Homem de Aço, oferece-nos uma coda para a sua segunda sequência de histórias com o Super-Homem. Ainda haverá um especial, mas este número tem um sabor diferente, um sabor a fim.
Jurgens é conhecido mais pelo seu trabalho que pelo nome. No número 75 da versão da revista do Super da altura (1992), foi o responsável pela mediática morte do maior de todos os super-heróis - fez capa do jornal O Público, entre outros. Bastou isso para entrar no panteão dos grandes que trabalharam no Homem de Aço. Regressou recentemente (em 2016) e parecia voltar a algumas velhas histórias e conceitos da sequência de histórias da década de 90. E se havia algumas dúvidas, este número 999 dissipou-as a todas.
O autor escreve uma carta de adeus disfarçada de enredo gordo: um vilão que ajudou a criar encontra um tipo de redenção; Lois Lane confronta-se filosoficamente com o pai; e o Super-Homem prova porque ser bondoso nunca deveria sair de moda. Não é um prodígio de escrita (Jurgens nunca almejou a essas alturas), mas funciona como uma forma elegante de despedir-se de uma personagem cuja História ajudou a escrever. Esta sequência teve muitos altos e baixos e, de uma forma geral, nunca excedeu o mediano. Contudo, o número 999 é surpreendentemente bom e um tributo elegante à verdadeira mensagem do Homem de Aço.
Amazing Spider-Man número 798 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)
A frase "just when I thought I was out... they pull me back in" é apropriada. A mais recente fase de Slott no Aranha não era do meu agrado (depois de 10 anos consecutivos a escrevê-lo). Peter era um homem de negócios de sucesso, o seu uniforme um prodígio tecnológico. Em suma, uma versão do Homem de Ferro. Não era o Trepador com que cresci, o de Lee/Ditko, de Lee/Romita, de Wein/Andru. Um Peter com problemas de dinheiro, cujo uniforme por vezes tresandava ou tinha de ser remendado. Os vilões eram mais que antagonistas, eram ameaças à sua vida pessoal, aos seus amigos, às suas namoradas (uma delas morre nas mãos do seu pior adversário, o Duende Verde). A vida de super-herói do Homem-Aranha era o oposto de glamorosa. No piadas que usava para lidar com os temíveis inimigos escondia-se um sofrimento e uma tragédia prestes a acontecer. A vida de Peter parecia estar sempre a um segundo de descambar numa irremediável hecatombe. E quando esta acontecia (e aconteceu várias vezes) a força dos seus princípios e do seu carácter impulsionavam-no a lutar mais um segundo com aquela réstia de força que afinal ainda tinha. Peter era o homem comum que sobrevive a tudo. Essa é e sempre será a verdadeira força do Homem-Aranha, provavelmente a melhor criação da Marvel.
Slott estava a guardar esta última saga para o final. É verdade que já tinha dado provas de que sabia lidar com a personagem mas, no que a mim diz respeito, parou de o fazer antes do Dr. Octopus tomar conta do corpo do Aranhiço (não que tenha sido uma fase que desgoste totalmente). O escritor escolhe focar o confronto entre Peter e o seu maior inimigo, Norman Osborn, o Duende Verde, que, nesta história, foi transformado numa ameaça ainda maior. Provavelmente a maior parte de vós já sabe do que se trata, mas não irei aqui estragar a surpresa a quem não navega sofregamente pelos sites de fãs de comics. A ideia por detrás desta ameaça é particularmente criativa e cria a expectativa de um confronto aterrador (a revelação da dita ameaça deixa o herói sem palavras, ou melhor, com umas poucas mas coloridas). Ao mesmo tempo, paira sobre a sua família e amigos um manto de tragédia. Digamos que deveremos esperar o pior do histórico número 800. Como já perceberam é assim que, para este vosso fã, se escreve uma história do Homem-Aranha.
A frase "just when I thought I was out... they pull me back in" é apropriada. A mais recente fase de Slott no Aranha não era do meu agrado (depois de 10 anos consecutivos a escrevê-lo). Peter era um homem de negócios de sucesso, o seu uniforme um prodígio tecnológico. Em suma, uma versão do Homem de Ferro. Não era o Trepador com que cresci, o de Lee/Ditko, de Lee/Romita, de Wein/Andru. Um Peter com problemas de dinheiro, cujo uniforme por vezes tresandava ou tinha de ser remendado. Os vilões eram mais que antagonistas, eram ameaças à sua vida pessoal, aos seus amigos, às suas namoradas (uma delas morre nas mãos do seu pior adversário, o Duende Verde). A vida de super-herói do Homem-Aranha era o oposto de glamorosa. No piadas que usava para lidar com os temíveis inimigos escondia-se um sofrimento e uma tragédia prestes a acontecer. A vida de Peter parecia estar sempre a um segundo de descambar numa irremediável hecatombe. E quando esta acontecia (e aconteceu várias vezes) a força dos seus princípios e do seu carácter impulsionavam-no a lutar mais um segundo com aquela réstia de força que afinal ainda tinha. Peter era o homem comum que sobrevive a tudo. Essa é e sempre será a verdadeira força do Homem-Aranha, provavelmente a melhor criação da Marvel.
Slott estava a guardar esta última saga para o final. É verdade que já tinha dado provas de que sabia lidar com a personagem mas, no que a mim diz respeito, parou de o fazer antes do Dr. Octopus tomar conta do corpo do Aranhiço (não que tenha sido uma fase que desgoste totalmente). O escritor escolhe focar o confronto entre Peter e o seu maior inimigo, Norman Osborn, o Duende Verde, que, nesta história, foi transformado numa ameaça ainda maior. Provavelmente a maior parte de vós já sabe do que se trata, mas não irei aqui estragar a surpresa a quem não navega sofregamente pelos sites de fãs de comics. A ideia por detrás desta ameaça é particularmente criativa e cria a expectativa de um confronto aterrador (a revelação da dita ameaça deixa o herói sem palavras, ou melhor, com umas poucas mas coloridas). Ao mesmo tempo, paira sobre a sua família e amigos um manto de tragédia. Digamos que deveremos esperar o pior do histórico número 800. Como já perceberam é assim que, para este vosso fã, se escreve uma história do Homem-Aranha.
Uma BD aqui, outra BD ali, 13
Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.
Dark Nights: Metal número 6 de Scott Snyder e Greg Cappullo (DC Comics)
Nos últimos tempos a DC ou ficou descarada ou desesperada. Abraçaram todas as idiossincrasias e contradições da sua linha editorial, desde o universo de super-heróis até à Vertigo (onde publicaram o Sandman), e enveredaram pela junção de ambas num todo narrativo. Dark Nights: Metal de Snyder e Cappullo é isso, com uma carrada de divertimento metido pelo meio. É grande, é barulhento, é garrido, é, como dizem os autores, um concerto rock à antiga com o som puxado à séria para cima.
DN:M é descaradamente e sem remorsos uma história de pura pornografia super-heroística DC. A narrativa pode ser desfrutada por todos mas integralmente percebida apenas por alguns "iluminados", geeks como eu, que conhecem cada minúcia da História, histórias, cosmologia e cosmogonia da editora. É uma salada russa com multiversos, versões alternativas de super-heróis, um Mal Maior Que Qq Coisa Já Vista, heroísmo à antiga, sem concessões ou ambivalências, em suma, uma história de super-heróis como elas merecem ser.
DN:M chegou ao final com este número seis e agora posso dizer, sem reservas, que é um daqueles raros eventos de super-heróis que merecem o hype. Prometeu ser um terramoto para o multiverso da DC e assim o foi. Saímos da última página com os olhos abertos para uma imensidão de oportunidades e terreno por desbravar. Como escreve Snyder: o actual multiverso DC é um aquário despejado num Oceano. E agora vamos explorar essa imensidão. Mas desenganem-se se pensam que DN:M é apenas um monte de enredos sem coração. Esse fica a cargo, primeiro, da minha Diana, a Mulher-Maravilha, que tem um dos grandes momentos do seu historial, e depois, claro, do Batman, o catalisador narrativo de Metal. Ambos têm momentos inesquecíveis e clássicos instantâneos.
Nas últimas páginas somos presenteados com uma promessa e um elogio. A promessa é a do oceano à espera dos nossos heróis. O elogio é à antiga DC, aquela dos super-amigos, dos sorrisos e do companheirismo entre heróis. DN:M começou com as notas da música celestial e acaba com os acordes de uma canção clássica rock 'n' roll. Vamos ouvir e dançar todos juntos.
Uma BD aqui, outra BD ali, 9
Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.
Dark Nights Metal número 5 de Scott Snyder e Greg Cappulo (DC Comics)
Ainda falta um capítulo (e um especial) para Dark Nights Metal chegar ao fim. A promessa é que será em Março. No que a mim diz respeito, esta é provavelmente uma mini-série/evento/saga que será uma marca no historial da DC... mas não só. Será o critério pelo qual muitas outras mini-séries/eventos/sagas serão julgadas. Ainda falta um capítulo (e um especial) e estou convencido disso. Será que a DC aprendeu com todos os erros do passado e daqui para a frente adoptarão esta metodologia? (Doomsday Clock parece ser outro excelente passo no bom caminho). Apenas o futuro o dirá mas espero que tenham aprendido a lição. Para que os leitores se sintam motivados, na carteira e na vontade, é urgente as editoras de super-heróis perceberam que os seus fãs não precisam de fazer assaltos a bancos para seguir as histórias das suas personagens favoritas. Também existiram pequenos crossovers e alguns especiais em Dark Nights Metal mas não só não eram imprescindíveis como, se os lessem (e eu li todos), eram recompensados com (imaginem só esta revolução) qualidade.
Como já disse em análises anteriores, Dark Night Metal NÃO é para o leitor ocasional da DC. Poderão divertir-se mas nunca será a mesma coisa. Lamento, mas a DC, Scott Snyder e Greg Cappulo parece que não se importam com isso. Aqui não existe a versão Politicamente Correcta da BD dos EUA: que todo o leitor tem de ser apaparicado e perceber o que se passa. Impossível! Este é apenas mais um episódio de uma longa novela. Ainda bem. E que episódio! Tudo o que interessa a quem gosta da DC está aqui: os super-heróis bastiões da luz e de virtudes; apoteoses da moralidade Humana; lutarem contra tudo, mesmo quando não há esperança aparente; enfrentarem vilões sem uma réstia de cinzento, eles próprios a apoteose do Mal; o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha como os representantes máximos de heroísmo, perseverança e Bondade. Este é um filme blockbuster como nunca será feito. É entretenimento puro e duro, sem remorsos ou concessões. É aquilo que BD (também) deve ser!
The Flash Annual (2018) número 1 de Joshua Williamson e vários (DC Comics)
Continuando no leit motif "histórias-apenas-para-ser-consumidas-por-quem-adora-a-DC-e-é-doutorado-na-editora": The Flash. Sou fã da versão pós-Crise, a de Wally West (já comecei a ser hermético). Sou fã do trabalho que Mike Baron, Bill Messner-Loebs, Mark Waid, Grant Morrison e Geoff Johns fizeram no velocista. Li apenas parcialmente o que seguiu-se ao último escritor que mencionei. Fiquei curioso com a saga que começa neste Anual e que se intitula Flash War. Achei que poderia ter tudo aquilo que gosto da mitologia da personagem: a noção de legado; os melhores vilões depois do Batman e do Homem-Aranha; viagens temporais; paradoxos temporais; Flash Reverso; Wally West; a arte de Howard Porter; e ligação forte ao DC Rebirth. Tem, de facto, tudo isto. E é bom?
É entretido, lá isso é. Mas Joshua Williamson não é nenhum dos escritores que mencionei e isso nota-se. Não existe, pelo menos neste seu trabalho, a inventividade que caracterizava cada um dos seus antecessores. Existe, isso sim, uma certa deferência a esse maravilhoso passado mas (e eu sei que pareço estar a contradizer-me) isso não é suficiente. Podemos regressar a casa mas devemos ir com roupas diferentes, nem que seja para termos o elemento de surpresa do nosso lado. Não me interpretem mal. Eu gostei muito de ler este Anual e adorei rever alguns antigos conhecidos. Foi delicioso voltar a ver Wally West como protagonista de uma revista do Flash. Foi excitante folhear e ser surpreso por alguns regressos. Mas, na realidade, já vimos isto tudo. Falta o golpe de asa para que esta saga não seja mais que um retorno ao status quo. Geoff Johns está a fazê-lo no Doomsday Clock. A ver se Williamson consegue sentir-se inspirado por ele. Continuarei a ler mas preciso de mais. O Flash de Wally West merece.
Ainda falta um capítulo (e um especial) para Dark Nights Metal chegar ao fim. A promessa é que será em Março. No que a mim diz respeito, esta é provavelmente uma mini-série/evento/saga que será uma marca no historial da DC... mas não só. Será o critério pelo qual muitas outras mini-séries/eventos/sagas serão julgadas. Ainda falta um capítulo (e um especial) e estou convencido disso. Será que a DC aprendeu com todos os erros do passado e daqui para a frente adoptarão esta metodologia? (Doomsday Clock parece ser outro excelente passo no bom caminho). Apenas o futuro o dirá mas espero que tenham aprendido a lição. Para que os leitores se sintam motivados, na carteira e na vontade, é urgente as editoras de super-heróis perceberam que os seus fãs não precisam de fazer assaltos a bancos para seguir as histórias das suas personagens favoritas. Também existiram pequenos crossovers e alguns especiais em Dark Nights Metal mas não só não eram imprescindíveis como, se os lessem (e eu li todos), eram recompensados com (imaginem só esta revolução) qualidade.
Como já disse em análises anteriores, Dark Night Metal NÃO é para o leitor ocasional da DC. Poderão divertir-se mas nunca será a mesma coisa. Lamento, mas a DC, Scott Snyder e Greg Cappulo parece que não se importam com isso. Aqui não existe a versão Politicamente Correcta da BD dos EUA: que todo o leitor tem de ser apaparicado e perceber o que se passa. Impossível! Este é apenas mais um episódio de uma longa novela. Ainda bem. E que episódio! Tudo o que interessa a quem gosta da DC está aqui: os super-heróis bastiões da luz e de virtudes; apoteoses da moralidade Humana; lutarem contra tudo, mesmo quando não há esperança aparente; enfrentarem vilões sem uma réstia de cinzento, eles próprios a apoteose do Mal; o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha como os representantes máximos de heroísmo, perseverança e Bondade. Este é um filme blockbuster como nunca será feito. É entretenimento puro e duro, sem remorsos ou concessões. É aquilo que BD (também) deve ser!
The Flash Annual (2018) número 1 de Joshua Williamson e vários (DC Comics)
Continuando no leit motif "histórias-apenas-para-ser-consumidas-por-quem-adora-a-DC-e-é-doutorado-na-editora": The Flash. Sou fã da versão pós-Crise, a de Wally West (já comecei a ser hermético). Sou fã do trabalho que Mike Baron, Bill Messner-Loebs, Mark Waid, Grant Morrison e Geoff Johns fizeram no velocista. Li apenas parcialmente o que seguiu-se ao último escritor que mencionei. Fiquei curioso com a saga que começa neste Anual e que se intitula Flash War. Achei que poderia ter tudo aquilo que gosto da mitologia da personagem: a noção de legado; os melhores vilões depois do Batman e do Homem-Aranha; viagens temporais; paradoxos temporais; Flash Reverso; Wally West; a arte de Howard Porter; e ligação forte ao DC Rebirth. Tem, de facto, tudo isto. E é bom?
É entretido, lá isso é. Mas Joshua Williamson não é nenhum dos escritores que mencionei e isso nota-se. Não existe, pelo menos neste seu trabalho, a inventividade que caracterizava cada um dos seus antecessores. Existe, isso sim, uma certa deferência a esse maravilhoso passado mas (e eu sei que pareço estar a contradizer-me) isso não é suficiente. Podemos regressar a casa mas devemos ir com roupas diferentes, nem que seja para termos o elemento de surpresa do nosso lado. Não me interpretem mal. Eu gostei muito de ler este Anual e adorei rever alguns antigos conhecidos. Foi delicioso voltar a ver Wally West como protagonista de uma revista do Flash. Foi excitante folhear e ser surpreso por alguns regressos. Mas, na realidade, já vimos isto tudo. Falta o golpe de asa para que esta saga não seja mais que um retorno ao status quo. Geoff Johns está a fazê-lo no Doomsday Clock. A ver se Williamson consegue sentir-se inspirado por ele. Continuarei a ler mas preciso de mais. O Flash de Wally West merece.
Uma BD aqui, outra BD ali, 4
Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.
Batman (2016) números 36 e 37 de Tom King a Clay Mann (DC Comics)
É desta matéria que as boas histórias são feitas. É por causa de números como estes que as personagens da DC são-me tão queridas. Já muitos sabem que Tom King está a construir uma das mais interessantes sequências de histórias com o Homem-Morcego. O ex-agente da CIA tem-se revelado, no relativo pouco tempo em que escreve BD, como um dos escritores de maior imaginação e inteligência a trabalhar na 9.ª Arte. A perspectiva fresca com que escreve este maior ícone da DC tem revelado pormenores do Cavaleiro das Trevas que persistentemente escaparam a outros. I Am Suicide, The War of Jokes and Riddles, Batman Annual #2, Batman/Elmer Fudd, foram alguns dos momentos mais altos. Aos quais agora se juntam estes dois números.
Batman e Super-Homem há décadas que dançam pelos interstícios de uma relação de amizade e conflito. A início eram amigos, mas desde 1986 que Frank Miller e depois John Byrne decidiram que seria mais empolgante se fossem lados opostos de uma mesma questão filosófica. Esse conflito definiu a relação mas também a personalidade de ambos. Eis que, no presente, o Homem de Aço está há muito casado com o amor da sua vida, Lois Lane, e o Batman pediu em casamento a anti-vilã, uma vezes amante, outras inimiga, Catwoman. Esse pedido leva a que ambos os casais decidam sair num double date (número 37), antecedido de uma análise do respeito que as duas figuras maiores da mitologia de super-heróis nutrem uma pela outra (número 36).
Tom King é um homem adulto e isso é espelhado na riqueza dos diálogos entre as personagens. É revelado, em todo o seu esplendor, a tridimensionalidade de quatro figuras que fazem parte da cultura pop há 80 anos. Isto não é para quem nasceu há menos de 20 anos (mas também o é). Isto não é para a geração Disney, assexuada e sem humor (calma que também gosto de algumas coisas da Disney). Isto é para personalidades maduras, hetero ou homossexuais, de pensamento complexo e indefinido, visto pelo prisma de quatro arquétipos, que também são, acima de tudo e o mais importante, pessoas que respiram ar de papel. É por isto que adoro o Super-Homem, o Batman, a Lois Lane, a Catwoman e a DC Comics. Perfeição.
Exit Stage Left: The Snagglepuss Chronicles número 1 de Mark Russel e Mike Feehan (DC Comics)
A DC Comics, através da empresa accionista, a Time Warner, tem acesso a um conjunto de propriedades intelectuais da cultura pop bastante conhecidas. Os Looney Toons e as personagens da Hanna Barbera, por exemplo. Os portugueses de uma determinada geração conhecem o Top Cat, o Yogi Bear, os Jetsons e os Flintstones. Fazem parte de uma infância colectiva de desenhos animados dos fins-de-semana de manhã. Recentemente, a editora de BD tem resgatado algumas destas personagens e as reinventado através de um prisma adulto. Perderam-se os desenhos cartoonescos e as temáticas são agora maduras e complexas. Nunca tinha lido nada até este Snagglepuss e a surpresa foi significativa.
A história ocorre na década de 50 dos EUA, durante um período da História deste país com relevantes convulsões sociais. Estávamos em plena Guerra Fria e esta foi usada como justificação de algumas agendas mais tradicionalistas para procederem a uma caça às bruxas mais ideológica que política. Snagglepuss é um conhecido artista de Teatro que tem de esconder a sua preferência sexual. Ele é gay, um actor conhecido, mas o clima social e político não são propícios à sua liberdade pessoal.
Mark Russel escreve um enredo complexo e cativante, com diálogos inteligentes e adultos. Apesar da forma - os protagonistas são personagens antropomorfizados -, a história flui sem problemas e de forma séria. Não existe nenhuma necessidade de suspensão da descrença apesar de estarmos a falar de um leão das montanhas cor-de-rosa. Apesar de ainda muito no início, pela amostra deste primeiro capítulo, podemos já aqui ter uma das melhores BDs de 2018.
Captain America número 697 de Mark Waid e Chris Samnee (Marvel)
O Capitão está de volta. The All-American, applepie version. E ainda bem. Desde há uns anos a esta parte que esta personagem apenas sobrevive no ranking das competitivas vendas do EUA quando passa por um evento catastrófico. Primeiro pelas mãos de Ed Brubaker, que o matou e ressuscitou. Depois por Rick Remender, que lhe deu um filho e envelheceu-o. E mais recentemente pela versão nazi escrita por Nick Spencer. Depois desta última controvérsia, a Marvel decidiu regressar às origens da personagem, adoptando a fórmula DC Rebirth: os seus heróis, o Capitão inclusive, regressariam às versões clássicas (e, já agora, as revistas às numerações iniciais - como podem comprovar pelo número 697). Para que isso ocorresse de forma suave, ninguém melhor para escrever que Mark Waid, que não só é conhecido pelo seu gosto e talento clássico como também por ter escrito uma das melhores sequências de histórias do passado da personagem. Regressa com o auxílio de um seu colaborador recente, Chris Samnee, com quem trabalhou no Demolidor e Viúva Negra.
Já estamos com três números no total com esta equipa criativa e, no que a mim diz respeito, é com este capítulo que Waid e Samnee entram no groove. Deixamos de lado a Real America e entramos na vertente super-heroística, com o conflito com Kraven, O Caçador, vilão do Homem-Aranha. A premissa é perfeitamente banal e a surpresa inexistente mas é uma história bem executada. Waid deixa a capacidade de storytelling de Samnee respirar, abstendo-se de diálogos e deixando a acção falar por si. A leitura torna-se parcimoniosa mas entretida e sem pretensões. Um conto de super-heróis sem grandes metáforas. Apenas uma aventura à antiga. Ou seja, ainda que não ofereça nada de inovador também não procura ser a próxima grande modificação do status quo para fazer aumentar as vendas. Duvido que a Marvel resista por muito mais tempo. É que a editora está viciada em reboots e grandes mudanças.
A DC Comics, através da empresa accionista, a Time Warner, tem acesso a um conjunto de propriedades intelectuais da cultura pop bastante conhecidas. Os Looney Toons e as personagens da Hanna Barbera, por exemplo. Os portugueses de uma determinada geração conhecem o Top Cat, o Yogi Bear, os Jetsons e os Flintstones. Fazem parte de uma infância colectiva de desenhos animados dos fins-de-semana de manhã. Recentemente, a editora de BD tem resgatado algumas destas personagens e as reinventado através de um prisma adulto. Perderam-se os desenhos cartoonescos e as temáticas são agora maduras e complexas. Nunca tinha lido nada até este Snagglepuss e a surpresa foi significativa.
A história ocorre na década de 50 dos EUA, durante um período da História deste país com relevantes convulsões sociais. Estávamos em plena Guerra Fria e esta foi usada como justificação de algumas agendas mais tradicionalistas para procederem a uma caça às bruxas mais ideológica que política. Snagglepuss é um conhecido artista de Teatro que tem de esconder a sua preferência sexual. Ele é gay, um actor conhecido, mas o clima social e político não são propícios à sua liberdade pessoal.
Mark Russel escreve um enredo complexo e cativante, com diálogos inteligentes e adultos. Apesar da forma - os protagonistas são personagens antropomorfizados -, a história flui sem problemas e de forma séria. Não existe nenhuma necessidade de suspensão da descrença apesar de estarmos a falar de um leão das montanhas cor-de-rosa. Apesar de ainda muito no início, pela amostra deste primeiro capítulo, podemos já aqui ter uma das melhores BDs de 2018.
Captain America número 697 de Mark Waid e Chris Samnee (Marvel)
O Capitão está de volta. The All-American, applepie version. E ainda bem. Desde há uns anos a esta parte que esta personagem apenas sobrevive no ranking das competitivas vendas do EUA quando passa por um evento catastrófico. Primeiro pelas mãos de Ed Brubaker, que o matou e ressuscitou. Depois por Rick Remender, que lhe deu um filho e envelheceu-o. E mais recentemente pela versão nazi escrita por Nick Spencer. Depois desta última controvérsia, a Marvel decidiu regressar às origens da personagem, adoptando a fórmula DC Rebirth: os seus heróis, o Capitão inclusive, regressariam às versões clássicas (e, já agora, as revistas às numerações iniciais - como podem comprovar pelo número 697). Para que isso ocorresse de forma suave, ninguém melhor para escrever que Mark Waid, que não só é conhecido pelo seu gosto e talento clássico como também por ter escrito uma das melhores sequências de histórias do passado da personagem. Regressa com o auxílio de um seu colaborador recente, Chris Samnee, com quem trabalhou no Demolidor e Viúva Negra.
Já estamos com três números no total com esta equipa criativa e, no que a mim diz respeito, é com este capítulo que Waid e Samnee entram no groove. Deixamos de lado a Real America e entramos na vertente super-heroística, com o conflito com Kraven, O Caçador, vilão do Homem-Aranha. A premissa é perfeitamente banal e a surpresa inexistente mas é uma história bem executada. Waid deixa a capacidade de storytelling de Samnee respirar, abstendo-se de diálogos e deixando a acção falar por si. A leitura torna-se parcimoniosa mas entretida e sem pretensões. Um conto de super-heróis sem grandes metáforas. Apenas uma aventura à antiga. Ou seja, ainda que não ofereça nada de inovador também não procura ser a próxima grande modificação do status quo para fazer aumentar as vendas. Duvido que a Marvel resista por muito mais tempo. É que a editora está viciada em reboots e grandes mudanças.
Colecção No Coração das Trevas DC - volume 7: Super-Homem & Apocalipse: Caçador e Presa
Para juntar à lista de vilões do universo da DC que a Levoir e o Público têm vindo a apresentar, esta semana temos mais um, Apocalipse (Doomsday, no original), um dos mais temíveis vilões do Universo DC, que se tornou conhecido por ter sido o responsável (spoiler) pela morte de Super-Homem - quer em livro, quer no Cinema.
Para quem ainda não o conhece, Apocalipse é uma das criaturas mais perigosas do Universo. É irracional, sobrevive em qualquer ambiente hostil e possui uma força física quase ilimitada. O Super-Homem vai ter de percorrer a galáxia para o conseguir caçar, mas à medida que se vai aproximando, descobre que é ele mesmo que se vai tornar em presa.
Do argumentista Dan Jurgens, e com a arte magnífica do mesmo e de Brett Breeding, Super-Homem & Apocalipse: Caçador e Presa é o sétimo volume da Colecção No Coração das Trevas DC e vai para a banca hoje.
O que vou lendo! Injustice Gods Among Us, Year Two, The Complete Collection de Tom Taylor e vários
A queda de um anjo, o maior do universo da DC, continua. Depois de aqui vos ter falado do primeiro ano, continua o conto de um mundo alternativo onde o Super-Homem, mercê de uma tragédia que recaiu sobre a sua família, transformou-se no maior vilão da História. Como todos os vilões, ele não se vê como talo. Ele o salvador, o polícia da ordem que imporá regras e paz num mundo caótico e sem justiça. Heróis juntam-se à sua cruzada, outros opõem-se. Estes últimos inspirados e liderados por Batman, anátema do sonho despótico. Injustice Gods Among Us é inspirado no jogo de computador com o mesmo nome e conta os eventos que deram origem ao futuro distópico nele relatado.
Prosseguindo o trabalho do primeiro ano, Tom Taylor continua a escrever as linhas trágicas deste mundo negro. O escritor australiano segue a mesma fórmula, confortando-se no conhecimento das personalidades destes ícones da DC, ao mesmo tempo que os interpreta à luz de um enredo e de um objectivo: contar uma história empolgante e, desde o primeiro capítulo, cheia de surpresas. Fazendo pleno uso das premissas do jogo e da liberdade que as mesmas lhe permitem, Taylor deixa o leitor (principalmente se não tiver jogado) viciado e agarrado ao virar de página. O que vai acontecer a seguir é sempre a pergunta. E raramente ele nos desaponta.
O enredo deste segundo ano trás-nos o envolvimento do Corpo dos Lanternas Verdes (sigo a tradução da Levoir) e dos seus mentores e criadores, os Guardiões do Universo, seres omnipotentes e omniscientes quase tão velhos quanto o universo. Como todos os fãs da DC sabem, os Lanternas Verdes são os polícias do universo e a ascensão fascista de um actor tão poderoso como o Super-Homem obriga à sua intervenção. As consequências acontecem à escala cósmica.
Injustice Gods Among Us é divertimento para fãs (e não só) da DC Comics. É descomprometido e empolgante. Não posso pedir muito mais disto. Venha o ano três.
O que vou lendo! Injustice Gods Among Us, Year One, The Complete Collection de Tom Taylor e vários
Ideias simples e novas são as mais difíceis. A frase "já tudo foi inventado" é provável que seja verdadeira - mas tenho dificuldades em acreditar. Desviar-nos para um novo ponto de vista poderá ser o proverbial "ovo de Colombo". Basta inclinar a cabeça, a perspectiva muda e conseguimos algo inovador. Basta abraçarmos a nossa personalidade para vermos algo nunca visto. Alan Moore, o famoso escritor (também) de BD, conseguiu-o na década de 80 e em duas obras consideradas essenciais: Miracleman e Watchmen (ambas publicadas em Portugal pela GFloy e Levoir, respectivamente). Moore importou o "mundo real" para o do super-heróis e transformou-o. Desde então, muitos foram os autores que de alguma forma o copiaram, e outros tantos os que, em oposição, tentaram repor o maravilhamento da fantasia juvenil. Frank Miller, escritor e desenhador americano de Comics, fez algo a uma escala diferente mas que, a par do anterior autor, também significou uma mudança de paradigma na BD dos EUA. Injustice Gods Among Us é um estranho filho das sensibilidades e histórias destes dois gigantes da 9.ª Arte.
Injustice Gods Among Us nasceu de um jogo de computador com o mesmo nome e trata-se de uma reinterpretação pós-apocalíptica do universo dos super-heróis - é a Chris Claremont e a John Byrne que deve-se a primeira iteração destes distopias com o seu X-Men: Days of Future Past, já transposto para o cinema. Nestas histórias, que de serem já tantas são parte integrante da mitologia dos super-heróis (ou um cliché, se preferirem), os personagens vivem numa paisagem subjugada a um dos seus inúmeros inimigos (X-Men: Age of Apocalypse, por exemplo), ou são eles próprios os causadores desse futuro distópico (Kingdom Come). Esta obra está integrada na segunda categoria. Neste universo alternativo, e na sequência de um evento catastrófico, o Super-Homem transforma-se num dos piores vilões da História. Constituem-se facções, uma de apoio ao Homem de Aço e outra contra, liderada por Batman - reflexos de Frank Miller e do seu Dark Knight Returns. Esta queda do anjo evolui para uma cruzada do Super-Homem e dos seus aliados para livrar o mundo de todos os conflitos, uma empreitada cheia de boas intenções e um caminho que apenas pode levar à derrocada moral dos envolvidos - pequenas inspirações de Watchmen.
Ao contrário da seminal obra de Alan Moore, Injustice Gods Among Us de Tom Taylor afasta-se (mas não totalmente) da profundidade intelectual e escolhe o espectáculo pirotécnico, o enredo surpreendente e a força das personalidades destes ícones da BD dos EUA. As versões dos personagens nem sempre são facilmente reconhecíveis para os fãs mais radicais (a queda do Super-Homem parece precipitada e a Mulher-Maravilha nada tem a ver com versões mais consensuais) mas não deixa de ser uma interpretação valorosa e, acima de tudo, cativante. Virar a página com sofreguidão para descobrir "o que vem a seguir" é um dos maiores atractivos desta série e do seu primeiro ano, compilado neste único volume. Não deixa de ser uma versão negra do universo DC, onde é difícil conseguir encontrar luz de esperança por detrás de motivações tão despóticas e sombrias. Contudo, os fãs da DC anseiam por este tipo de versões - aliás, para o bem e para o mal (mais para mal, pelo que dizem mas eu não sou um deles), foi desta visão que Zack Snyder partilhou para conceber o seu Batman v Superman. É óbvio que o prazer desta obra muito se deve à familiaridade que o leitor tem com a DC Comics mas, mesmo que tangencialmente, todos temos uma ideia de quem são o Super-Homem e o Batman. Conhecer este dois é ponte mais que suficiente para embrenharem-se na história.
Injustice Gods Among Us pode ser e é uma visão sombria do universo da DC, mas, devido a um enredo com muitas surpresas e a um conhecimento único das personalidades destes personagens, transforma-se numa leitura viciante.
Ao contrário da seminal obra de Alan Moore, Injustice Gods Among Us de Tom Taylor afasta-se (mas não totalmente) da profundidade intelectual e escolhe o espectáculo pirotécnico, o enredo surpreendente e a força das personalidades destes ícones da BD dos EUA. As versões dos personagens nem sempre são facilmente reconhecíveis para os fãs mais radicais (a queda do Super-Homem parece precipitada e a Mulher-Maravilha nada tem a ver com versões mais consensuais) mas não deixa de ser uma interpretação valorosa e, acima de tudo, cativante. Virar a página com sofreguidão para descobrir "o que vem a seguir" é um dos maiores atractivos desta série e do seu primeiro ano, compilado neste único volume. Não deixa de ser uma versão negra do universo DC, onde é difícil conseguir encontrar luz de esperança por detrás de motivações tão despóticas e sombrias. Contudo, os fãs da DC anseiam por este tipo de versões - aliás, para o bem e para o mal (mais para mal, pelo que dizem mas eu não sou um deles), foi desta visão que Zack Snyder partilhou para conceber o seu Batman v Superman. É óbvio que o prazer desta obra muito se deve à familiaridade que o leitor tem com a DC Comics mas, mesmo que tangencialmente, todos temos uma ideia de quem são o Super-Homem e o Batman. Conhecer este dois é ponte mais que suficiente para embrenharem-se na história.
Injustice Gods Among Us pode ser e é uma visão sombria do universo da DC, mas, devido a um enredo com muitas surpresas e a um conhecimento único das personalidades destes personagens, transforma-se numa leitura viciante.
O que vou lendo! - Wonder Woman: The True Amazon e Superman: American Alien
Se não sabem a esta altura vão passar a saber. Existem duas grandes editoras de BD de super-heróis: a Marvel e a DC Comics. Cada tem uma aproximação diferente aos seus personagens. A segunda, aquela que aqui me trás, é a mais antiga e tem no catálogo os mais conhecidos personagens deste canto da BD - pelos menos até o aparecimento dos filmes da Marvel, que têm sido um enorme sucesso. Ao longo dos seus quase 80 anos de histórias, por necessidades várias, a maior parte financeiras, a DC viu necessidade de reinventar, ou pelo menos de reinterpretar, os personagens que a tornaram famosa. Os seus três maiores, a Mulher-Maravilha, o Super-Homem e o Batman, não só não escaparam como foram alvo das mais conhecidas transformações na BD de super-heróis. Não foram uma nem duas. Foram muitas, algumas no contexto da novela interminável das histórias normais, outras ocorreram fora, em contos paralelos que, na maior parte das vezes, prefiguravam interpretações pessoais de alguns criadores. É o caso destes dois exemplos: Wonder Woman, the True Amazon de Jill Thompson e Superman: American Alien de Max Landis (com o contributo de muitos desenhadores).
O ano de 2017 poderá vir a ser um grande ano para Diana, Princesa de Themyscira, Wonder Woman, Mulher-Maravilha. Com o filme homónimo (finalmente) a sair, a DC tem feito esforços para aumentar a presença mediática da personagem. 2016 tem sido um ano interessante na publicação de BD's, com não só uma nova equipa criativa no título mensal mas também com o lançamento de dois álbuns protagonizando a Mulher-Maravilha: WW: Earth One e este WW: The True Amazon. Do primeiro já aqui falei e é um dos meus favoritos do ano. Este segundo é algo completamente diferente. Trata-se, tal como o WW: Earth One, de uma reinterpretação da origem de Diana mas num tom e atmosferas juvenis e reminiscentes de contos de fada ou de princesas (ainda que particularmente mais violento - ou será que não?). Jill Thompson, a autora, é conhecida por trabalhos em Sandman e no seu Scary Godmother, e neste WW: The True Amazon escreve e desenha um dos maiores ícones da BD nos EUA com claro amor e dedicação, tocando nos pontos essenciais do personagem, ainda que escolhendo um caminho bastante diferente na interpretação que faz da personalidade de Diana. A intenção dessa reinterpretação, da qual não faço spoiler, é perfeitamente clara, já que a história acaba por ser um cautionary tale apropriado à intenção da autora, que é o de emular histórias de moral (até um pouco parecida com as da Disney). Não sendo um dos meus contos favoritos do personagem também tenho noção de não ser eu o público alvo do mesmo. É uma história agradável e simpática que pode ser do agrado de outros olhos.
Superman American Alien de Max Landis, vai também pelo caminho da reinterpretação da origem e dos primeiros anos da vida de um personagem, mas desta vez no Homem de Aço. São sete contos de 22 páginas cada que focam a pré-adolescência, a adolescência e os primeiros anos da sua vida na cidade grande, com e sem a identidade de Super-Homem. O que a início não é totalmente claro depressa se torna: este é um outro Super-Homem, um imaginado por Landis. Não estamos em nenhum "universo" conhecido mas num da autoria deste escritor, que mina o amor que nutre pelo personagem para tecer contos profundamente humanos e humanizáveis. Um dos maiores e mais injustos dos lugares comuns que existem acerca do Homem de Aço é o seu pretenso distanciamento em relação aos problemas do "homem comum". Como poderemos relacionar-nos com alguém com poderes quase divinos e, pior, com uma moralidade inabalável e irrepreensível? Esqueçam que não entendo como não poderemos. Max Landis destrói esse lugar comum para erguer histórias calorosas mas também profundas acerca de uma das mais interessantes mitologias da Americana. Este é um Super-Homem humano para quem achava que não era. Landis não conta nenhuma novidade a quem já o lê há anos, mas, ao mesmo tempo, ergue novos primas que são refrescantes na sua candura e qualidade. Qualquer revelação quanto ao conteúdo é um serviço mau que vos faço. Leiam e deliciem-se porque vale cada virar de página.
Libertem o Geek! - As Crises Infinitas!
(para o Gonçalo e o Vasco, que percebem o porquê deste post)
Um amigo que, como eu, é fã do universo de super-heróis da DC Comics disse-me uma vez e parafraseio: "parecem estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!". Achei lindo, naquela forma que apenas os fãs podem achar lindo. Aqueles que adoram certas coisas de forma irrepreensível. Não falo de saber todo e qualquer pormenor do multiverso da DC (se sabem o que é o multiverso da DC parece-me, contudo, que estão no bom caminho). Não falo de coleccionar todas as revistas, de possuir saber enciclopédico sobre os heróis, os vilões e a geografia - ainda que possa ajudar. Falo, como sempre quando refiro estas paixões, de gosto e de amor. De estarem a borrifar-se para quem não aprecia, de ficarem entusiasmados de forma infantil, juvenil, imatura (como quiserem), com um desenvolvimento de uma história, com o aparecimento inesperado de um personagem que amávamos e estava fora de cena há muito tempo. Mas também é ficar irritado quando algo que se adora já não tem o mesmo lustro, está chato e aborrecido. Pode também ser esperar ansiosamente pela estreia do Batman v Superman, mal conseguir aguentar a estreia da Wonder Woman em 2017 e ficar entusiasmado com a sequela do Man of Steel do Zack Snyder.
Recentemente, essa nossa editora favorita decidiu renascer. Chamou-lhe, de forma pouco imaginativa (ou será pós-moderna?), Rebirth e, numa revista escrita pelo grande Geoff Johns e chamada de DC Rebirth, devolveu aos fãs (ou começou a devolver) o universo de que tinham saudades. Já existiam pistas no Multiversity de Grant Morrison e na Justice League: Darkseid War também de Johns, mas é neste Rebirth que a editora assume o "erro". Erro porque esta história de Johns é um pedido de desculpa pelos mais recentes anos da DC mas também algo mais meta-textual: uma reflexão sobre o mundo dos super-heróis dos EUA pós-Watchmen, a seminal obra de Alan Moore e Dave Gibbons. Mas não é sobre isto que vos queria falar.
Desde 1986 que a editora repete a mesma história de forma cíclica e gere as expectativas dos seus leitores de maneira quase cruel. Nesse ano fundiu o seu multiverso num único mundo na conclusão da Crise nas Terras Infinitas e este evento parece, desde então, reger todos os outros. O que, a nosso ver (sim, o dos fãs), é lindo e pode acontecer quantas vezes a editora quiser. Foi a Crise Infinita, a Infinita Crise, a Crise Final, o Hipertempo, o 52, a Multiversidade, agora o Renascimento. Iterações do mesmo conceito, teases de quem sabe que basta vestir uma lingerie comprada na loja dos trezentos para nos fazer salivar litradas. Mas no meio de tanto entretenimento pop existe também algo mais profundo - pelo menos para nós. Uma hiper-história que começou em 1938 com a publicação do Super-Homem, que foi evoluindo num misto de atabalhoado, orgânico e ...vejam lá bem... pensado. Que continua a crescer e a acrescentar camadas cada vez mais ricas, ao ponto de parecer estar criado um universo (um multiverso) que ...nós temos a certeza... vive lá fora algures, separado pela vibração da imaginação. É world-building mas também é uma filosofia. Quem olhar para a estrutura do multiverso da DC criada por Grant Morrison vê uma Mandala e vê um Belo. Não seria fantasticamente terrível que existisse, perdidos nas infinitas e prováveis realidades, um Darkseid, uma Source Wall e uma Speed Force? Mas divago!
A DC repete, para nosso bel-prazer, a História do Multiverso e, em cada nova variação, se estávamos perdidos voltamos a ela e, se nunca a abandonámos, somos justificados. Por isso, quando neste Rebirth vejo plantadas as sementes do regresso de algo que adoramos só posso escrever algo tão inútil quanto este post.
"Parece estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!" - disse o tal meu amigo. Sim, é lindo e nós adoramos!
Um amigo que, como eu, é fã do universo de super-heróis da DC Comics disse-me uma vez e parafraseio: "parecem estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!". Achei lindo, naquela forma que apenas os fãs podem achar lindo. Aqueles que adoram certas coisas de forma irrepreensível. Não falo de saber todo e qualquer pormenor do multiverso da DC (se sabem o que é o multiverso da DC parece-me, contudo, que estão no bom caminho). Não falo de coleccionar todas as revistas, de possuir saber enciclopédico sobre os heróis, os vilões e a geografia - ainda que possa ajudar. Falo, como sempre quando refiro estas paixões, de gosto e de amor. De estarem a borrifar-se para quem não aprecia, de ficarem entusiasmados de forma infantil, juvenil, imatura (como quiserem), com um desenvolvimento de uma história, com o aparecimento inesperado de um personagem que amávamos e estava fora de cena há muito tempo. Mas também é ficar irritado quando algo que se adora já não tem o mesmo lustro, está chato e aborrecido. Pode também ser esperar ansiosamente pela estreia do Batman v Superman, mal conseguir aguentar a estreia da Wonder Woman em 2017 e ficar entusiasmado com a sequela do Man of Steel do Zack Snyder.
Recentemente, essa nossa editora favorita decidiu renascer. Chamou-lhe, de forma pouco imaginativa (ou será pós-moderna?), Rebirth e, numa revista escrita pelo grande Geoff Johns e chamada de DC Rebirth, devolveu aos fãs (ou começou a devolver) o universo de que tinham saudades. Já existiam pistas no Multiversity de Grant Morrison e na Justice League: Darkseid War também de Johns, mas é neste Rebirth que a editora assume o "erro". Erro porque esta história de Johns é um pedido de desculpa pelos mais recentes anos da DC mas também algo mais meta-textual: uma reflexão sobre o mundo dos super-heróis dos EUA pós-Watchmen, a seminal obra de Alan Moore e Dave Gibbons. Mas não é sobre isto que vos queria falar.
Desde 1986 que a editora repete a mesma história de forma cíclica e gere as expectativas dos seus leitores de maneira quase cruel. Nesse ano fundiu o seu multiverso num único mundo na conclusão da Crise nas Terras Infinitas e este evento parece, desde então, reger todos os outros. O que, a nosso ver (sim, o dos fãs), é lindo e pode acontecer quantas vezes a editora quiser. Foi a Crise Infinita, a Infinita Crise, a Crise Final, o Hipertempo, o 52, a Multiversidade, agora o Renascimento. Iterações do mesmo conceito, teases de quem sabe que basta vestir uma lingerie comprada na loja dos trezentos para nos fazer salivar litradas. Mas no meio de tanto entretenimento pop existe também algo mais profundo - pelo menos para nós. Uma hiper-história que começou em 1938 com a publicação do Super-Homem, que foi evoluindo num misto de atabalhoado, orgânico e ...vejam lá bem... pensado. Que continua a crescer e a acrescentar camadas cada vez mais ricas, ao ponto de parecer estar criado um universo (um multiverso) que ...nós temos a certeza... vive lá fora algures, separado pela vibração da imaginação. É world-building mas também é uma filosofia. Quem olhar para a estrutura do multiverso da DC criada por Grant Morrison vê uma Mandala e vê um Belo. Não seria fantasticamente terrível que existisse, perdidos nas infinitas e prováveis realidades, um Darkseid, uma Source Wall e uma Speed Force? Mas divago!
A DC repete, para nosso bel-prazer, a História do Multiverso e, em cada nova variação, se estávamos perdidos voltamos a ela e, se nunca a abandonámos, somos justificados. Por isso, quando neste Rebirth vejo plantadas as sementes do regresso de algo que adoramos só posso escrever algo tão inútil quanto este post.
"Parece estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!" - disse o tal meu amigo. Sim, é lindo e nós adoramos!
Batman v Superman, Dawn of Justice Ultimate Cut de Zack Snyder

Quem lê regularmente este blog sabe do amor que dedico aos personagens da editora dos EUA, a DC Comics. É dela que vêm o Super-Homem, o Batman e a minha personagem favorita de BD: a Mulher-Maravilha. Quando o filme Batman v Superman (BvS) saiu nos cinemas no passado mês de Março fui dos que o defendeu com unhas e dentes e sangue e suor. Até à inconsciência da razão. Na mais profunda honestidade, não conseguia perceber os seus detractores. Assumo sempre que, no que respeita a estas coisas da Arte, tudo resume-se a gostos e, como tal, cada qual tem o seu. Assim é a democracia. Assim é a subjectividade. Vi o filme várias vezes no Cinema (algo que nunca tinha feito e, portanto, assumo algum militantismo pueril) e mal soube da meia hora adicional desta versão Ultimate Cut não pude conter o entusiasmo e a expectativa de a ver. O filme teria agora três horas e mais três horas tivesse e eu as veria com prazer inabalável.
O que escrevo a seguir sei que parecerá paradoxal mas, acreditem, não é. Ou é, porque o amor é assim. Eu considero o BvS uma obra-prima. Este Ultimate Cut consegue melhorar o que (para mim...cego) dificilmente poderia ser melhorado. Li as criticas ferozes em relação à estrutura narrativa da versão das salas. Que era negra demais. Que era confusa. Rápida. Que o confronto entre estes dois ícones maiores da BD não fazia sentido. Com certeza que, para muitos destes, dificilmente esta versão fará algo para mudar a sua opinião. Continua a ser negro, mas este não é um filme para crianças e esta versão assume-o (ainda mais) frontalmente. Não existe incremento de violência que justifique a classificação maiores de 16 ou 18 mas a complexidade do argumento e dos conceitos arquetípicos é ainda mais evidente. A morosidade do enredo é um teste à paciência de quem está habituado a outros vôos (duas horas quase sem nenhuma acção de super-heróis? a Disney passava-se).
O enredo que dizia respeito ao plano de Lex Luthor era confuso, ou melhor, rápido demais. Esta versão não só corrige isso como acrescenta camadas que o transformam em algo genial e labiríntico. Muito do que era deixado à percepção do espectador não o é e o filme ganha com isso. Outra das importantes vitorias desta versão de realizador (Snyder ganha a batalha com os produtores que o forçaram aos cortes e legitima a sua versão) é também o papel do Super-Homem/Clark Kent e das suas motivações para confrontar animosamente o Batman. Boa parte das cenas cortadas dizem respeito a este personagem e à investigação jornalística do Cavaleiro das Trevas. O filme, com elas, ganha corpo e equilibra o pendor narrativo que se inclinava para o mais famoso e lucrativo Batman.
Existe uma cena, essa necessária do ponto de vista deste universo partilhado, que trata da introdução do vilão do próximo Justice League: Steppenwolf, general dos exércitos de Darkseid. Dirão: "para quê? Parece que estão a fazer trailers para os próximos filmes". Não sei se o disseram também acerca de quem introduziu este conceito de universo partilhado no cinema, a Marvel, mas, acima de tudo, tenho a dizer: quem lê BD de super-heróis está mais que habituado a este tipo de narrativa. Não é perfeita e pode ser irritante (como eu já aqui o advoguei várias vezes) mas também pode vir de um lado de qualidade, de pathos, de querer construir uma saga mais ampla, como é claramente o caso. São novos mundos no Cinema. Aprendam com eles e, de futuro, pode ser que alguém se sinta inspirado a criar filmes mais ao gosto de outros.
Um filme que melhora a perfeição. Que mais posso pedir? Venham todos os trailers que se seguem.
Rapidinhas de BD - Descender vol. 1 de Jeff Lemire, Dustin Nguyen e Lex Luthor de Brian Azzarello, Lee Bermejo
A Image, editora de BD dos EUA, permanece como um dos actuais antros da melhor 9.ª Arte a nível mundial. No fundo, no fundo, segue a pegadas da DC Comics tal como esta era antes. Ou seja, uma editora que não só continua o seu trabalho de publicação de personagens mais conhecidos e "mainstream" (Invincible, The Walking Dead, Spawn, Savage Dragon), como arrisca forte em trabalhos de "autor". A DC já foi o mesmo: uma casa-mãe que publicava os melhores super-heróis do mundo e as várias imprints, das quais se destacava a Vertigo, onde escreveram-se e desenharam-se algumas das mais importantes obras da História da BD. A gigante DC está a passar por um momento de mudança de paradigma que os fãs como eu esperam que os leve a bom porto. A Image já mudou há algum tempo e a vitória tem acontecido em (quase) todas as frentes.
Um dos novos exemplos desta vitória da Image é Descender de Lemire e Nguyen, autores habituados e trabalhar para as grandes. É a história de uma galáxia distante, de um robô-miúdo e de estranhos seres gigantescos (uma espécie de A.I. de Spielberg/Kubrick meets Eternals de Jack Kirby). Ao contrário de trabalhos anteriores de Lemire, mais esotéricos e kubrickianos (Trillium, Sweet Tooth), este Descender pende para um lado mais de entretimento com profundidade temática e dramática, mais Spielberguiano. O valor comercial desta obra não parece escapar aos autores e aos produtores de Hollywood que poderão estar a chegar a um acordo para uma adaptação à 7.ª Arte. Com certeza que perderá muito da paleta de cores e do traço do soberbo trabalho de Nguyen, que assume um lado diferente da sua arte, mais ligada à aguarela, fornecendo uma camada de ironia ao estilo dos livros de ilustração infantil. Não sendo ainda uma BD fabulosa, não deixa de estar já num patamar de qualidade confortável e merecido.
Lex Luthor de Azzarello e Bermejo é o 9.º volume da colecção da Levoir/Público e o único que ainda não tinha tido o prazer de ler no original. Faz já parte da recta final da fase da DC que eu adorava e é um de dois volumes concebidos pelos autores e dedicados aos dois maiores vilões do universo de super-heróis da editora (o outro é o Joker, também publicado pela Levoir). Azzarello tem um estilo de escrita que funciona de forma perfeita na língua original, na medida em que usa trocadilhos e subentendidos que jogam com expressões idiomáticas e duplos sentidos. Não li o original mas não tenho a sensação de perda nesta tradução. Verdade seja dita que o script do escritor, combinado com o "partir-de-página" do desenhador, demonstra trabalho profundo de colaboração, que carregam a história e a ironia de forma soberba. Ambos abordam um dos mais paradigmáticos e complexos personagens da editora não só do ponto de vista de fãs mas também mais transversal - a sequência inicial é particularmente deliciosa, pura Azzarello e pura Luthor. Sem dúvida uma grande BD numa grande colecção.
Amor é amor! - Batman vs Superman: Dawn of Justice de Zack Snyder
(sem spoilers)
Amor. Não se explica, aceita-se. Talvez não pelos outros mas sim por quem está apaixonado. É diferente da paixão. Esta é fugaz, transitória. Amor é duradouro. O meu dura há quase 40 anos. O pelos super-heróis em particular e o pela BD em geral.
Amor. Não se explica, aceita-se. Talvez não pelos outros mas sim por quem está apaixonado. É diferente da paixão. Esta é fugaz, transitória. Amor é duradouro. O meu dura há quase 40 anos. O pelos super-heróis em particular e o pela BD em geral.
A combinação de um amor de infância, de uma predilecção pelos personagens da DC Comics, de um favoritismo pela Mulher-Maravilha formaram em mim uma tempestade ideal, uma expectativa ao rubro. Era impossível não estar assim. Não há pendantismo, maturidade ou refreio que sobrevivam.
Acabei de ver o aguardado Batman vs Superman: Dawn of Justice, sequela de um favorito pessoal, Man of Steel de 2013 (não me sacrifiquem mas de facto adoro este filme). A DC Comics/Warner Bros querem inaugurar o seu universo cinematográfico, equivalente ao da Marvel, com este BvS. É também a primeira vez que os três maiores arquétipos da mitologia dos super-heróis, o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha, encontram-se no grande ecrã. A expectativa de quem fez e de quem vê era enorme. Para mim era gigantesca. E então? O veredicto? Vale a pena?
Em uma palavra: adorei.
E agora o resto. Este não é um filme perfeito, longe disso. O segundo acto parece demasiadamente ocupado, com pormenores que aparentam encavalitar-se uns sobre os outros. Existem várias histórias a serem contadas mas que, num terceiro acto, acabam por congregar-se num todo coerente. Existe um momento em particular em que, de repente, passa a fazer sentido. O caminho até ele foi tudo menos fácil e muitas foram as vezes em que receei por este filme que tanto esperava.
Os personagens. É sempre sobre eles que se aguenta o edifício da história. É particularmente surpreendente o Lex Luthor de Jessie Eisenberg, uma das vitórias do filme. Os trailers não deixavam adivinhar a complexidade psicopata e quebrada da personalidade do maior inimigo do Super-Homem.
Os personagens titulares são menos desenvolvidos mas a realidade é que não só já tivemos vários filmes do Batman como o Filho de Krypton foi interessantemente desenvolvido no Man of Steel. Neste BvS temos o prazer de assistir ao confronto ideológico entre os dois baseado numa das reacções mais humanas que pode haver: a do medo. É sobre o medo do desconhecido, o que faz homens bons fazerem actos hediondos, que erguem-se as diferenças entre estes dois maiores arquétipos da mitologia americana. É esse sentimento que impele o Batman a fazer algo que não é esperado (e para muitos, especialmente os que não conhecem tanto a BD, faz confusão eles sequer terem diferenças). No final, há algo que os une e esse é um dos grandes momentos da história do filme (já agora: Affleck vai maravilhoso).
As mulheres de BvS são um outro triunfo. Lois Lane tem muito mais a dizer do que apenas o papel de dama em apuros. Sobre ela e sobre o amor que tem pelo Super-Homem assenta boa parte do que representa o Homem de Aço para este mundo ficcional e para mim, como amante do personagem.
A Mulher-Maravilha. A ansiedade de 30 anos com que esperava por este filme muito se deve a ela - estamos a falar de um dos meus personagens favoritos de BD. Todos os momentos em que aparece são vitórias da qualidade do personagem e das escolhas que fizeram. Não é tanto a imagem inocente que aprendi a gostar com George Pérez mas uma milenar guerreira marcada por um século de confrontos num mundo humano que desconhece. O seu sorriso no meio da batalha climática é também um dos pontos altos deste filme, algo que lançou arrepios pelo corpo deste fã confesso - esse e a reunião, num único enquadramento, da Santíssima Trindade da BD (na palavra de um amigo meu: Mítico).
Este não é um filme fácil. É negro. É violento. É tudo o que a Disney/Marvel não nos têm habituado. O irónico é que esse lado mais obscuro dos super-heróis seja contado pela editora que os criou originalmente. A Warner e a DC arriscam muito porque estão a ir contra-corrente (se bem que Deadpool também o fez) e isso poderá não ser para todos os gostos. Temo que os resultados não sejam os melhores (mais ainda tendo em conta as críticas negativas que têm surgido). Por outro lado, como fã da DC Comics, toda a mitologia deste universo é-me familiar e, claro, não o é para a larga maioria das pessoas. Existem inúmeros pormenores que irão passar ao lado de muitas pessoas mas isso não faz deste um melhor ou pior filme (ainda que tenha adorado, entre outras, a sequência do futuro).
E agora o resto. Este não é um filme perfeito, longe disso. O segundo acto parece demasiadamente ocupado, com pormenores que aparentam encavalitar-se uns sobre os outros. Existem várias histórias a serem contadas mas que, num terceiro acto, acabam por congregar-se num todo coerente. Existe um momento em particular em que, de repente, passa a fazer sentido. O caminho até ele foi tudo menos fácil e muitas foram as vezes em que receei por este filme que tanto esperava.
Os personagens. É sempre sobre eles que se aguenta o edifício da história. É particularmente surpreendente o Lex Luthor de Jessie Eisenberg, uma das vitórias do filme. Os trailers não deixavam adivinhar a complexidade psicopata e quebrada da personalidade do maior inimigo do Super-Homem.
Os personagens titulares são menos desenvolvidos mas a realidade é que não só já tivemos vários filmes do Batman como o Filho de Krypton foi interessantemente desenvolvido no Man of Steel. Neste BvS temos o prazer de assistir ao confronto ideológico entre os dois baseado numa das reacções mais humanas que pode haver: a do medo. É sobre o medo do desconhecido, o que faz homens bons fazerem actos hediondos, que erguem-se as diferenças entre estes dois maiores arquétipos da mitologia americana. É esse sentimento que impele o Batman a fazer algo que não é esperado (e para muitos, especialmente os que não conhecem tanto a BD, faz confusão eles sequer terem diferenças). No final, há algo que os une e esse é um dos grandes momentos da história do filme (já agora: Affleck vai maravilhoso).
As mulheres de BvS são um outro triunfo. Lois Lane tem muito mais a dizer do que apenas o papel de dama em apuros. Sobre ela e sobre o amor que tem pelo Super-Homem assenta boa parte do que representa o Homem de Aço para este mundo ficcional e para mim, como amante do personagem.
A Mulher-Maravilha. A ansiedade de 30 anos com que esperava por este filme muito se deve a ela - estamos a falar de um dos meus personagens favoritos de BD. Todos os momentos em que aparece são vitórias da qualidade do personagem e das escolhas que fizeram. Não é tanto a imagem inocente que aprendi a gostar com George Pérez mas uma milenar guerreira marcada por um século de confrontos num mundo humano que desconhece. O seu sorriso no meio da batalha climática é também um dos pontos altos deste filme, algo que lançou arrepios pelo corpo deste fã confesso - esse e a reunião, num único enquadramento, da Santíssima Trindade da BD (na palavra de um amigo meu: Mítico).
Este não é um filme fácil. É negro. É violento. É tudo o que a Disney/Marvel não nos têm habituado. O irónico é que esse lado mais obscuro dos super-heróis seja contado pela editora que os criou originalmente. A Warner e a DC arriscam muito porque estão a ir contra-corrente (se bem que Deadpool também o fez) e isso poderá não ser para todos os gostos. Temo que os resultados não sejam os melhores (mais ainda tendo em conta as críticas negativas que têm surgido). Por outro lado, como fã da DC Comics, toda a mitologia deste universo é-me familiar e, claro, não o é para a larga maioria das pessoas. Existem inúmeros pormenores que irão passar ao lado de muitas pessoas mas isso não faz deste um melhor ou pior filme (ainda que tenha adorado, entre outras, a sequência do futuro).
Em suma, não teço confabulações sobre a subjectiva qualidade ou sobre a relevância e a posição deste filme na História do Cinema. Gostar ou não gostar deste filme tem a ver com puro prazer, que pode ser de entretenimento, intelectual ou ambos. Não é obrigatório gostar, como não o é para nada em Arte. Falo por mim e apenas por mim quando digo que amei este Batman v Superman e não serei menor ao afirmar que por vezes chorei.
Os meus encontros favoritos entre o Super-Homem e o Batman (pelo menos os que me lembro)
Um dos momentos do ano está mesmo ao virar da esquina, antecipado por mim com entusiasmo de criança: o filme Batman vs Superman: Dawn of Justice. A DC Comics e a Warner Bros. preparam-se para lançar o seu universo cinematográfico de super-heróis. Já tinham começado com o Man of Steel de 2013 mas é com este BvS que assumem a sua intenção. Como leitor destes universos há quase quatro décadas, já reuni um amplo número de historias favoritas que gostava de partilhar convosco em jeito de preparação para este Titânico filme.
Neste último post escolho os meus encontros favoritos entre os dois personagens - ou, pelo menos, os encontros de que me recordo.
Dark Knight Returns de Frank Miller
Com Frank Miller a relação de amizade de cinco décadas entre o Super-Homem e Batman mudaria drasticamente. Ainda que se passasse fora da linha de história "normal", ainda que acontecesse num futuro possível, Miller conseguiu que a sua visão transformasse o modo como os leitores viam não só a relação entre ambos como também o modo como passaríamos a interpretá-los como personagens: lados opostos de uma mesma solução. Um deles luminoso e optimista (se bem que Miller vendeu o Super-Homem como um lacaio do governo Reagan). Outro pessimista, realista e violento. Esta seria a maneira como muitos leitores (eu, inclusive) passariam a ver a "amizade" entre o Homem de Aço e o Cavaleiro das Trevas. A tal ponto que mesmo Zack Snyder, o realizador de BvS, quando anunciou este filme ao mundo, leu uma passagem desta seminal obra (esta história foi publicada em Portugal pela Levoir).
Man of Steel número 3 de John Byrne
Universo DC pós-Crise nas Terras Infinitas, a saga que, em 1985/86, a editora utilizou para reiniciar o seu universo do zero. Neste capítulo da mini-série de John Byrne dá-se o primeiro encontro com o Batman. O primeiro encontro desta nova realidade. Fortemente influenciado pelo trabalho de Frank Miller, os personagens são pólos opostos, ambos na busca de justiça mas seguindo caminhos diametralmente opostos. O respeito mutuo é grande mas não mais serão os amigos que antes eram (publicado pela Levoir).
World's Finest (1993) de Dave Gibbons e Steve Rude
Nesta mini-série é explorada ao pormenor a relação pós-Crise nas Terras Infinitas entre as mitologias dos dois personagens. Utilizando o troço retro mas dinâmico de Steve Rude, Dave Gibbons mergulha nas diferenças filosóficas e estéticas dos dois mundos, escolhendo como cenários as duas cidades que encapsulam os respectivos personagens, Gotham e Metropolis, escolhendo como opositores os maiores inimigos de ambos, Joker e Lex Luthor, e envolvendo os mais relevantes do personagens coadjuvantes. Um obra divertida já publicada pela Levoir.
Emperor Joker por vários
Os que têm estado atentos a estes posts sabem que nutro um particular carinho por esta fase do Super-Homem, trabalhada pelos autores Jeph Loeb, Joe Kelly e Ed McGuiness (entre outros). Esta saga, que cruzou os vários títulos do Homem de Aço da altura, envolvia o Joker, que recebe (de alguém misterioso) poderes quase-omnipotentes. Imediatamente, o Palhaço do Crime refaz a realidade à luz da sua psicopatia e, fazendo jus à sua fixação com o Cavaleiro das Trevas, submete-o à mais hedionda tortura. O Super-Homem, naturalmente, vence, mas não antes de obrigar o verdadeiro vilão por detrás desta história (spoilers a partir daqui) a transferir para si todas as memórias da tortura infligida. Apesar de todas as diferenças entre eles, o respeito é incontornável (sem publicação em Portugal).
JLA: World War Three de Grant Morrison e Howard Porter
A JLA de Grant Morrison e Howard Porter é das minhas BD's favoritas. WW3 é a derradeira história da run, onde a impressionante equipa de super-heróis defronta uma arma fabricada por deuses mortos desde que o universo antigo deu a lugar a este. Morrison, desde o primeiro número desta sua saga, demonstrou um particular carinho para com os dois maiores ícones da BD dos EUA e também para com a relação entre ambos. Nos últimos momentos de WW3, quando tudo parecia perdido, cabe a Clark Kent e Bruce Wayne, unidos, a tarefa de defrontarem Maggedon, a Arma Final. Infelizmente, nada desta extraordinária saga alguma vez foi publicada em Portugal, com muita pena minha.
Batman Hush de Jeph Loeb e Jim Lee
Um confronto físico entre o Batman e o Super-Homem só pode acontecer a uma escala apropriada, ou seja, titânica. Para isso são necessários desenhistas e escritores apropriados. O traço de Jim Lee, com a sua exuberância e pormenor típico dos melhores que trabalham os super-heróis, consegue trazer a tal escala maior-que-a-vida a dois personagens que são isso e muito mais. Jeph Loeb, mestre da escrita pop, empresta relevância, ao mesmo tempo que deixa a arte falar por si. No meio de uma aventura de Batman surge um Super-Homem tomado pelos vapores hipnotizantes da sensual vilã Hera Venenosa. Puro entretenimento já publicado em Portugal pela Devir.
Superman/Batman: Public Enemies de Jeph Loeb e Ed McGuiness
Sim, eu gosto mesmo do trabalho de Loeb e McGuiness no Homem de Aço. Depois de deixarem a revista homónima do filho de Krypton, decidem-se por uma colaboração na primeira revista ongoing pós-Crise nas Terras Infinitas a reunir estes dois personagens. Aproveitam e transportam alguns enredos da sua colaboração na revista Superman, nomeadamente a do Presidente dos EUA, Lex Luthor. O maior inimigo do Super-Homem é o líder da maior nação do mundo livre (ou assim os estado-unidenses gostam de se apelidar). No seu ódio cego, transforma os dois heróis em inimigos públicos. O resultado é uma história divertida e descomprometida (sem publicação em Portugal).
Generations I de John Byrne
John Byrne tem uma fixação com as versões originais das mitologias dos super-heróis. São conhecidas as revisões retro que faz nas suas histórias. Um dos seus últimos trabalhos nas duas grande editoras dos EUA foi este Generations, com três colecções. Recomendo a leitura da primeira. O conceito é interessante ainda que não inovador. Byrne pressupõe que o Super-Homem e o Batman começaram a sua carreira nos primeiros anos da sua publicação e continua a história a partir daí. Ou seja, a actividade de ambos começa pouco antes da 2.ª Guerra Mundial (ainda que também assuma a juventude do Super-Homem como Superboy). A história acompanha o envelhecimento de ambos, os casamentos, os filhos, inimigos, etc, num enredo simplista mas divertido (também nunca viu a luz da publicação em Portugal).
Dark Knight Returns de Frank Miller
Com Frank Miller a relação de amizade de cinco décadas entre o Super-Homem e Batman mudaria drasticamente. Ainda que se passasse fora da linha de história "normal", ainda que acontecesse num futuro possível, Miller conseguiu que a sua visão transformasse o modo como os leitores viam não só a relação entre ambos como também o modo como passaríamos a interpretá-los como personagens: lados opostos de uma mesma solução. Um deles luminoso e optimista (se bem que Miller vendeu o Super-Homem como um lacaio do governo Reagan). Outro pessimista, realista e violento. Esta seria a maneira como muitos leitores (eu, inclusive) passariam a ver a "amizade" entre o Homem de Aço e o Cavaleiro das Trevas. A tal ponto que mesmo Zack Snyder, o realizador de BvS, quando anunciou este filme ao mundo, leu uma passagem desta seminal obra (esta história foi publicada em Portugal pela Levoir).
Man of Steel número 3 de John Byrne
Universo DC pós-Crise nas Terras Infinitas, a saga que, em 1985/86, a editora utilizou para reiniciar o seu universo do zero. Neste capítulo da mini-série de John Byrne dá-se o primeiro encontro com o Batman. O primeiro encontro desta nova realidade. Fortemente influenciado pelo trabalho de Frank Miller, os personagens são pólos opostos, ambos na busca de justiça mas seguindo caminhos diametralmente opostos. O respeito mutuo é grande mas não mais serão os amigos que antes eram (publicado pela Levoir).
World's Finest (1993) de Dave Gibbons e Steve Rude
Nesta mini-série é explorada ao pormenor a relação pós-Crise nas Terras Infinitas entre as mitologias dos dois personagens. Utilizando o troço retro mas dinâmico de Steve Rude, Dave Gibbons mergulha nas diferenças filosóficas e estéticas dos dois mundos, escolhendo como cenários as duas cidades que encapsulam os respectivos personagens, Gotham e Metropolis, escolhendo como opositores os maiores inimigos de ambos, Joker e Lex Luthor, e envolvendo os mais relevantes do personagens coadjuvantes. Um obra divertida já publicada pela Levoir.
Emperor Joker por vários
Os que têm estado atentos a estes posts sabem que nutro um particular carinho por esta fase do Super-Homem, trabalhada pelos autores Jeph Loeb, Joe Kelly e Ed McGuiness (entre outros). Esta saga, que cruzou os vários títulos do Homem de Aço da altura, envolvia o Joker, que recebe (de alguém misterioso) poderes quase-omnipotentes. Imediatamente, o Palhaço do Crime refaz a realidade à luz da sua psicopatia e, fazendo jus à sua fixação com o Cavaleiro das Trevas, submete-o à mais hedionda tortura. O Super-Homem, naturalmente, vence, mas não antes de obrigar o verdadeiro vilão por detrás desta história (spoilers a partir daqui) a transferir para si todas as memórias da tortura infligida. Apesar de todas as diferenças entre eles, o respeito é incontornável (sem publicação em Portugal).
JLA: World War Three de Grant Morrison e Howard Porter
A JLA de Grant Morrison e Howard Porter é das minhas BD's favoritas. WW3 é a derradeira história da run, onde a impressionante equipa de super-heróis defronta uma arma fabricada por deuses mortos desde que o universo antigo deu a lugar a este. Morrison, desde o primeiro número desta sua saga, demonstrou um particular carinho para com os dois maiores ícones da BD dos EUA e também para com a relação entre ambos. Nos últimos momentos de WW3, quando tudo parecia perdido, cabe a Clark Kent e Bruce Wayne, unidos, a tarefa de defrontarem Maggedon, a Arma Final. Infelizmente, nada desta extraordinária saga alguma vez foi publicada em Portugal, com muita pena minha.
Batman Hush de Jeph Loeb e Jim Lee
Um confronto físico entre o Batman e o Super-Homem só pode acontecer a uma escala apropriada, ou seja, titânica. Para isso são necessários desenhistas e escritores apropriados. O traço de Jim Lee, com a sua exuberância e pormenor típico dos melhores que trabalham os super-heróis, consegue trazer a tal escala maior-que-a-vida a dois personagens que são isso e muito mais. Jeph Loeb, mestre da escrita pop, empresta relevância, ao mesmo tempo que deixa a arte falar por si. No meio de uma aventura de Batman surge um Super-Homem tomado pelos vapores hipnotizantes da sensual vilã Hera Venenosa. Puro entretenimento já publicado em Portugal pela Devir.
Superman/Batman: Public Enemies de Jeph Loeb e Ed McGuiness
Sim, eu gosto mesmo do trabalho de Loeb e McGuiness no Homem de Aço. Depois de deixarem a revista homónima do filho de Krypton, decidem-se por uma colaboração na primeira revista ongoing pós-Crise nas Terras Infinitas a reunir estes dois personagens. Aproveitam e transportam alguns enredos da sua colaboração na revista Superman, nomeadamente a do Presidente dos EUA, Lex Luthor. O maior inimigo do Super-Homem é o líder da maior nação do mundo livre (ou assim os estado-unidenses gostam de se apelidar). No seu ódio cego, transforma os dois heróis em inimigos públicos. O resultado é uma história divertida e descomprometida (sem publicação em Portugal).
Generations I de John Byrne
John Byrne tem uma fixação com as versões originais das mitologias dos super-heróis. São conhecidas as revisões retro que faz nas suas histórias. Um dos seus últimos trabalhos nas duas grande editoras dos EUA foi este Generations, com três colecções. Recomendo a leitura da primeira. O conceito é interessante ainda que não inovador. Byrne pressupõe que o Super-Homem e o Batman começaram a sua carreira nos primeiros anos da sua publicação e continua a história a partir daí. Ou seja, a actividade de ambos começa pouco antes da 2.ª Guerra Mundial (ainda que também assuma a juventude do Super-Homem como Superboy). A história acompanha o envelhecimento de ambos, os casamentos, os filhos, inimigos, etc, num enredo simplista mas divertido (também nunca viu a luz da publicação em Portugal).
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