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Colecção Salvat Graphic Novels da Marvel, volume 42 - Venom

VENOM
Argumento de RICK REMENDER e arte de TONY MOORE

“O antigo fuzileiro ‘Flash’ Thompson sacrificou tudo pelo seu país. Agora, Flash foi escolhido pelas Forças Armadas norte-americanas para um projeto secreto, a Operação Venom - um simbionte alienígena capturado, que já foi um dos mais mortíferos inimigos do Homem-Aranha. Terá ele a força mental para usar o parasita para o Bem, ou estará destinado a ser mais uma vítima dos sombrios desígnios do fato?” 

O Venom é a antítese de tudo o que o Homem-Aranha representa, e possivelmente o oponente mais emblemático do cabeça de teia. Mas este monstro perverso é mais do que um mero psicopata viscoso com mais dentes do que uma moto-serra. O facto de Venom ser uma criatura simbiótica, que precisa de um hospedeiro para sobreviver, deu a legiões de escritores imensas oportunidades para expandir a personagem e fazê-la evoluir para novas formas. E para a última encarnação de Venom, o escritor Rick Remender arranjou uma abordagem claramente diferente sobre o que o simbionte pode ser, apesar de essa abordagem manter a luta entre homem ou monstro/herói ou vilão no centro da história. Ex-alcoólico, e agora paraplégico veterano de guerra, Flash Thompson é uma escolha brilhante como hospedeiro para o monstro, com a sua luta interna contra o vício, a depressão e as responsabilidades familiares a refletirem-se na sua outra luta, em “missão” contra a monstruosa influência do simbionte. 

Rick Remender é um dos argumentistas da nova vaga de escritores de comics que tanto renovaram o universo da Marvel, e não só. Depois de uma carreira a escrever para animação, e para projetos independentes, Remender viria a lançar alguns títulos pessoais na Image que obtiveram bastante sucesso crítico. A partir do final da primeira década dos anos 2000, o seu trabalho na Marvel começaria a tornar-se muito visível, com séries importantes como Punisher War Journal (com Matt Fraction), Uncanny X-Force ou Capitão América: Perdido na Dimensão Z. Remender obteve também grande sucesso com algumas das suas séries independentes na Image, como Deadly Class, Black Science ou a mais recente Seven to Eternity.

Quanto à arte deste volume, Tony Moore faz um trabalho espantoso ao transpor o argumento de Remender para a página. O seu estilo humorístico sombrio é perfeito para o mundo retorcido e horrível em que Venom habita, e não é por acaso que ele é um dos mestres da BD de terror atual, como primeiro desenhador de The Walking Dead e autor de muitas outras séries independentes, de entre as quais salientaríamos Fear Agent (também com argumento de Remender).


Volume 42:  VENOM
Argumento de RICK REMENDER e arte de TONY MOORE
Este volume reúne os números 1 a 5 da revista Venom.
120 páginas.




Panini Portugal - Vingadores-X, volume 1, Sombra Vermelha

Saiu ontem nas bancas e pela Panini a versão portuguesa desta excelente BD de Rick Remender. Está longe de ser das de mais fácil acompanhamento por um leigo, mas é também das mais divertidas e entretidas do panorama da editora Marvel. O escritor concebeu uma mega saga envolvendo ao mesmo tempo os Vingadores e os X-Men, saga essa que pretende ser finita mas que se estende por vários anos - atualmente, nos EUA, vai no 18.º fascículo e este da Panini coleciona os primeiros cinco. Pela escala, pelos personagens envolvidos, tem-se se revelado surpreendente pela qualidade e pelo enredo. Um verdeiro bombom para todos os fãs de BD em geral e dos personagens em particular.

Tudo começou com a saga Vingadores vs X-Men. Ciclope, líder da raça mutante de que os X-Men são os representantes máximos, acusa o Capitão América, o herói bandeira do idealismo norte-americano, se não esforçar-se o suficiente para uma coabitação pacífica entre os humanos e os seus primos homo superior (o nome “científico” para mutantes). O segundo decide então criar uma equipa que representa isso mesmo, os Vingadores-X, composto por humanos e mutantes, capaz de ser uma bandeira para um futuro pacífico e de irmandade. Contudo, como o inferno está cheio de boas intenções, este plano é apenas madeira para a proverbial fogueira, sendo que os diferentes heróis não conseguem resolver problemas do passado. Essas questões mal resolvidas apenas contribuem para um caminho penoso de consequências imprevisíveis (pelo menos para os que se ficarem por este primeiro álbum da Panini). É este o plano de Remender. Relembrar, através de dramas em palcos cósmicos, que apenas pela cooperação e respeito mútuo poderemos chegar a um final feliz.

O curioso deste Vingadores-X é seguir de forma quase ininterrupta uma outra saga do autor, Uncanny X-Force, já que alguns dos temas e eventos desta contaminam o novo trabalho de Remender. Não se assustem, contudo, os que não leram a saga anterior, porque à medida que a história avança o escritor vai vos mantendo a par dos pormenores mais importantes. E que história! Vamos ter Kang, o maior inimigo dos Vingadores, o viajante do tempo, conquistador vindo do futuro longínquo. Vamos ter Apocalypse, um dos maiores terrores da galeria dos inimigos dos X-Men, o primeiro mutante – que será o vilão do terceiro filme X-Men: First Class. Vamos ter o Caveira Vermelha, tenebroso símbolo máximo do Nazismo, também o maior adversário do Capitão América. Teremos o maior erro de Thor, o Deus do Trovão, que condenará todos ao fracasso. E muito mais…


É que é mesmo a não perder.

O que vou lendo! - Uncanny X-Force: Final Execution vol. 2 de Rick Remender (escritor) e vários desenhistas


Este volume de Uncanny X-Force representa a última palavra de Rick Remender sobre a mais recente iteração desta equipa especial de X-Men, cuja missão é perseguir e eventualmente assassinar os seus mais temíveis inimigos. Num post anterior escrevi sobre o volume que antecede a este (podem-no consultar aqui), onde é contada a primeira parte da derradeira história que envolve este grupo de soldados liderados pelo famoso Wolverine. A filosofia da equipa envolve exatamente a tendência deste personagem em matar inimigos e antagonistas de uma forma geral.

Wolverine, um dos arquétipos super-heroísticos, nasceu na década de 70, quando os super-heróis americanos começaram a espelhar uma América menos inocente. Escândalos políticos como Watergate e conflitos muito criticados como a Guerra do Vietnam, levaram a que o americano médio se questionasse acerca da integridade moral das fundações do seu país e da suas instituições. Wolverine matava, algo inaudito em qualquer outro super-herói, mesmo no sombrio Batman (ainda que este personagem, no inicio da sua publicação em 1939, não tivesse tantas compunções). Nesse sentido, Wolverine representa um novo paradigma do super-herói americano, onde a moralidade de atos à partida considerados menos nobres entrava para uma zona cinzenta, o que facilitava a identificação com um novo tipo de leitor, mais adulto e ambíguo.

Uncanny X-Force Final Execution vol 2 fecha, de forma relativamente inédita para o personagem, este círculo de violência, colocando Wolverine  defronte de um dilema mais perturbador do que qualquer um outro vivido até este momento. Algo que, com certeza, deixará marcas no personagem e poderá perdê-lo para o lado errado da salvação. Nesta tragédia (porque é sempre de tragédia que falamos quando tocamos a vida de Wolverine) é acompanhado pela restante X-Force, composta por veteranos regra geral mais adaptáveis a esta moralidade tão estranha a heróis baseados em arquétipos como o do Homem-Aranha ou Super-Homem.

Remender fecha uma das mais satisfatórias histórias evolvendo as infinitas variações dos X-Men, mas sempre com um eterno defeito: é necessário um doutoramento para conseguir acompanhar estes personagens mutantes e os contornos das suas múltiplas histórias e relações. Esta saga ganha com uma leitura seguida dos sete volumes que a compõe. Se não têm medo de uma história convoluta que se alicerça num conhecimento mais ou menos enciclopédico do universo Marvel, esta pode ser a vossa praia. Caso contrário será melhor ler outra coisa. 

O que vou lendo! Uncanny X-Force e Powers


Uncanny X-Force: Final Execution Volume 1 de Rick Remender (escritor) e vários desenhistas

Esta é daquelas BD que fazem parte do grupo das intermináveis telenovelas super-heroísticas ou, traduzindo para geekguês, uma história inserida na continuidade omni-narrativa dos mutantes do universo Marvel. Se pouco perceberam da última frase fazem parte do primeiro grupo de pessoas, os leigos, e nesse caso aconselho a passarem para o próximo item. Caso continuem depois deste aviso à navegação, fiquem a saber que este livro está inserido na telenovela dos X-Men, talvez a mais complicada no universo dos super-heróis.

Este volume corresponde ao penúltimo da saga que foi contada até recentemente por umas das estrelas em ascensão do universo da continuidade de super-heróis da Marvel, o escritor Rick Remender, cuja carreira explodiu exatamente com esta série, que relata o labirinto moral em que se encontra uma equipa de mutantes mais - digamos - pró-ativos e definitivos na perseguição aos inimigos figadais do homo superior (Homo Superior ou Mutantes, de que os X-Men são os máximos representantes, são o passo seguinte na evolução da humanidade de acordo com a Marvel). Liderados pelo famoso Wolverine, desde o primeiro volume (The Apocalypse Solution) que se veem emersos numa moralidade dúbia que parte da já antiga e popular questão “se pudesse voltar atrás no tempo e matar Hitler, fá-lo-ia?”. Ainda que esta pergunta tenha repercussões filosóficas mais abrangentes, como a que postula que nada ocorre por acaso, essas questões são aqui inseridas numa narrativa de entretenimento sem descurar um lado mais erudito, o da tragédia clássica, em que o Fado nos dita o caminho mesmo que dele pensamos estar a escapar, em que o filho persegue o pai, numa tentativa edipiana de cortar com esse inexorável.
Com tudo isto parece que estou a conduzir-vos a ler uma peça de teatro clássica e trágica mas, e ainda que haja muito sangue e assassinatos, ler Uncanny X-Force de Remender torna-se uma tarefa impossível para quem não tem doutoramento honoris causa em questões mutantes. Apesar desta sua característica, trata-se de uma história muito bem contada (pelo escritor e pelos diversos desenhistas) e com um destino que é visivelmente planeado (coisa rara), demonstrando uma maestria acima da média na arte narrativa, o que decididamente faz-me regressar coleção após coleção. Excelente para entendidos. Um pouco (muito) confusa para os mais afastados destas questões.

Powers: Gods de Brian Michael Bendis (escritor ) e Michael Avon Oeming (desenhista)

No espectro oposto da acessibilidade podemos encontrar este Powers de Brian Michael Bendis e Michael Avon Oeming que, apesar de corresponder ao 14.º volume da série, não sofre do mesmo tipo de doença que o anterior livro abordado. Powers foi inicialmente publicado pela editora independente Image (a mesma de Invincible e The Walking Dead de Robert Kirkman), mas quando Bendis passou a ser um regular contribuidor para o universo dos super-heróis da Marvel (leia o artigo Maxim em que abordo parte desta fase) transferiu a série para a imprint Icon, onde autores de renome da casa-mãe poderiam publicar projetos mais pessoais.

Powers relata a vida de um detective para a polícia metropolitana de uma cidade sem nome, Christian Walker (nome curioso, não?), antigo Poder (nome dos seres sobrenaturais deste universo) ex-super-herói, encarregue da investigação de casos relacionados com a atividade e homicídios na população dos homens e mulheres de capa que pululam este mundo fictício. Com ele trabalha Deena Pilgrim, problemática e eficiente detective, uma pouco doce mulher num mundo de excesso de testosterona.

Neste volume, o caso em que estes dois personagens e toda a panóplia de coadjuvantes se vê na necessidade de resolver faz parte daqueles grandes conceitos que amiúde aparecem na BD: um serial killer de Deuses. Alguns membros do panteão dos deuses gregos da antiguidade começam a ser sistematicamente assassinados de forma similar, grotesca e não desprovida de requintes de malvadez. Porquê e Quem são sempre as questões mais importantes de todas as boas histórias de detectives e , neste caso, a resposta reflete a natureza destes deuses, conhecidos pelos seus excessos muito humanos, já que, para os antigos Gregos e na sua gigante Mitologia, poucos eram os idolatrados diferentes dos idólatras. Para este povo, o Criado era verdadeiramente feito à imagem do Criador, uma metáfora da realidade oposta. Esse posicionamento ideológico é sabiamente colocado por Bendis ao introduzir uma nova companheira para Walker, que funciona como uma das vozes questionadoras deste conto, ao perguntar, por diversas vezes, “num mundo de Poderes porque é que estes, especificamente, se apelidam de Deuses?”.

Ainda que não percam nada em ler todos os anteriores treze volumes de Powers, não acredito que o leitor causal tenha qualquer problema em entrar no enredo, rico, noir, que é o desta 14.ª coleção. Mas custa menos se entrarem pelo primeiro volume, “Who killed Retro Girl?”