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Colecção Harley Quinn da Levoir vol. 2: Miúdas sem Regras de Jimmy Palmiotti e Amanda Conner

Harley Quinn, a namorada do Joker. Foi assim que, em Setembro de 1992, ela foi-nos apresentada no episódio Joker's Favor da série de desenhos animados de TV, Batman, The Animated Series. Voz esganiçada, sotaque sulista, devota ao seu amor. Psicopata, claro - porque quem mais poderia amar um lunático como o Joker? Esta estranha combinação funcionou e ela transformou-se num sucesso. Uma criação original da TV que ganharia tanta fama que passaria para a BD e não o contrário.

Mas esta realidade escondia uma outra, mais negra. Harley era abusada, física e moralmente, pelo Joker. Bem vistas as coisas, não poderia ser outra forma. O Joker é um psicopata obcecado por um sociopata com problemas parentais graves, o Batman. No meio da luta de egos e no meio de uma paixão claramente doentia estava uma rapariga que não era de todo inocente mas era, declaradamente, uma vítima. Muitos foram os anos em que o Príncipe do Crime abusou da sua relação com Harley. Até que algo rebentou. Pode ter sido a amizade que ela cultivou com Hera Venenosa, outra arqui-inimiga do Batman, e que tem uma paixão não correspondida pela nossa heroína. Pode ter sido um bom e velho sentido de amor-próprio, que a fez descolar da personalidade tóxica do Joker e enveredar pelo seu próprio caminho.

O que quer que tenha sido, é nessa circunstância que encontramos Harley nesta colecção da Levoir: livre e dona do seu próprio destino, que é onde ela e todas as mulheres devem estar.

Segue-se uma pequena síntese deste segundo volume e previews.

Harley Quinn: Miúdas sem regras

Russos e ursos, assaltos a bancos, peças de teatro e jogos de Roller Derby. Descoberto o mistério sobre quem lhe tinha colocado a cabeça a prémio, há ainda muito com que Harley Quinn se pode entreter, para variar do seu enfadonho negócio de ser proprietária de um edifício em Coney Island, Nova Iorque!

Sobretudo se conseguir juntar um grupo de amigas e não se deixar limitar por nenhumas regras. Regras que não existem no clube de combate clandestino que Harley descobriu, onde mais ganhas consoante os adversários que derrubares. Com um agente como Sy Borgman, o velho espião cheio de partes biónicas, a representá-la, Harley tem tudo para arrasar… em todos os sentidos.

Neste segundo volume, há ainda espaço para recontar, numa perspectiva diferente, a origem secreta de Harley Quinn, numa história ilustrada por Stéphane Roux.




Colecção Harley Quinn da Levoir vol. 1: À solta na cidade de Jimmy Palmiotti e Amanda Conner

Muitas foram as personagens da BD dos EUA que não começaram nas páginas da 9.ª Arte. Desde os remotos dias das emissões de rádio do Super-Homem na década de 40 que mitologias eram inventadas em outros meios que não o papel e só anos depois passavam para as tiras coloridas dos livros aos quadradinhos. Harley Quinn foi uma delas. A conhecida como "a namorada do Joker" começou na lendária série de TV Batman The Animated Series e no episódio Joker's Favor (setembro de 1992). O que a princípio era para ser apenas uma aparição fugaz, muito graças à força do conceito criado por Paul Dini e Bruce Timm e à voz maravilhosa e única que Arlee Sorkin criou para a Harley, transformaram-na num dos conceitos eternos associados à mitologia do Homem-Morcego. Tão eterno e tão poderoso que existe quem diga que a Santíssima Trindade da DC é agora um quarteto. Quem diria que a vilã apaixonada pelo psicopata obcecado pelo Batman estaria ao lado deste, da Mulher-Maravilha e do Super-Homem?

A primeira vez que a Dra. Harley Quinzel aparece nas páginas da BD é em 1994 e escrita pelo seu criador, Paul Dini, que escolhe contar a trágica transformação de uma pacata psicóloga na psicopata apaixonada pelo Joker. Chamou-lhe (apropriadamente) Mad Love e ganhou um Eisner com esse livro (já publicado pela Levoir). Serão necessários mais uns anos para que Harley migre definitivamente para o universo "normal" de super-heróis da DC. Isto acontece no especial Batman: Harley Quinn, parte de um mega-evento de 1999 chamado No Man's Land - a premissa sendo que Gotham City é isolada do mundo pelo governo dos EUA e passa a ser uma terra sem lei. Finalmente, entre 2001 e 2003, consegue a primeira revista a solo, onde usa o uniforme criado pelos criadores originais do desenho animado e começa a lenta caminhada para transformar-se na princesa da DC (claro que a rainha é a princesa Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha... esperem! A rainha é uma princesa e a criminosa é a princesa? Esta analogia não é lá muito feliz).

Em 2011 a DC decide reiniciar o seu universo de super-heróis do zero e aposta numa nova revista a solo para Harley. A esse "reboot" a editora chama Novos 52 que é onde se passa a fase da anti-heroína que têm em mãos hoje junto com o jornal Público. Com um uniforme mais risqué e escrita por Jimmy Palmiotti e Amanda Conner, a namorada do Joker será catapultada para fora da sombra do companheiro e para o estrelato que merece.

Em baixo segue um pequeno resumo do primeiro volume desta colecção de três e alguns previews.

Harley Quinn: À solta na cidade 

Como é que uma rapariga se pode descobrir a si mesma no meio da confusão do Universo DC? Nada mais fácil que falar com os artistas que a desenham e escrevem, e impor algumas regras! Esta aventura surreal ilustrada por alguns dos maiores nomes dos comics, dá o ponto de partida para a nova vida de Harley Quinn, escrita por Jimmy Palmiotti e Amanda Conner. No início desta nova série, Harley herda de um dos seus pacientes no Asilo Arkham um prédio de habitação e comércio em Coney Island, Nova Iorque, o que lhe dá a oportunidade perfeita de recomeçar a vida longe de Gotham e do Joker.

Mas os impostos e os custos de manutenção do edifício são elevados e as rendas pagas pelos peculiares inquilinos não cobrem estes custos, o que obriga Harley a voltar a trabalhar como psiquiatra num lar de idosos de dia, e integrar uma equipa de Roller Derby à noite, para poder pagar as contas. Se a isto juntarmos os inúmeros assassinos que aparecem, atraídos por uma recompensa de dois milhões de dólares pela sua cabeça e uma rede de antigos espiões do KGB, que vai ajudar Sy Borgman, um agente reformado da CIA, a desmantelar, vemos que a nova vida de Harley está bastante preenchida.





Rapidinhas de Cinema - Wind River e Batman & Harley Quinn



Não. Um filme nada tem a ver com o outro. Um é uma narrativa fria e cruel, um faroeste passado nas montanhas geladas do estado de Wyoming. Outro é um desenho animado descomprometido, leve e humorístico. Um é sobre vidas reais esquecidas pela Lei, outro é sobre vigilantes fantasiosos e uma anti-vilã sociopata (e não psicopata, como é, aliás, bem sublinhado pela personagem no filme). Gostei de ambos.

Wind River é a primeira incursão de Taylor Sheridan na cadeira da realização, escritor dos maravilhosos Sicario e Hell and High Water. Estes dois filmes eram já uma subversão de géneros e uma visão desapaixonada e anti-glamourosa de dois mundos muitas vezes vistos de forma leve pelo Cinema. O primeiro descrevia a luta contra o mundo criminoso do tráfico de droga e o segundo sobre a crise financeira de 2008, as suas consequências e enveredava pelo caminho de um heist movie social. Wind River é um thriller policial a início, uma normal descoberta de "quem-matou?", com a participação da polícia local, do FBI e de um wild-card autóctone que acaba por revelar-se como a peça mais importante da investigação. Claro que, como nos provou nos seus dois filmes anteriores, Sheridan usa o ambiente como forma de comentar uma outra realidade. Neste caso, a do isolacionismo. De um local para onde a Lei não estende o seu braço dito longo. Onde a justiça é feita pela fauna, flora e geografia locais. Existe Lei. Mas não a dos homens. A escolha dos dois actores principais, Jeremy Renner e Elizabeth Olsen, prova que estes dois interpretes são capazes de muito mais do (pouco ou nada) que lhes dão para fazer em filmes de muito orçamento (nos Vingadores são criminosamente subaproveitados). Aqui respiram o ar frio do mundo onde as suas personagens passeiam, cada olhar e gesto um reflexo de uma história maior, de universos que colidem com o drama do enredo. Infelizmente, será daqueles filmes que passarão despercebidos nas salas de cinema, sem o merecer.

Longe, muito longe, da narrativa de Wind River está Batman & Harley Quinn, a ultima incursão da DC Comics pelo seu já duradouro universo de desenhos animados. Desde o início da década de 90 que a editora decidiu tentar novas abordagens, mais adultas, pelo mundo ficcional das suas personagens em formato de desenho animado. Começaram exactamente com o Batman, na lendária série de Bruce Timm e Alan Burnett. Foi nesta que o primeiro e Paul Dini criaram Harley Quinn, a namorada do Joker, o arqui-inimigo do Homem-Morcego. A fama desta personagem expandiu-se nas décadas que se seguiram ao ponto de ser a personagem principal do filme Esquadrão Suicida de 2016, com Margot Robbie no papel da anti-vilã. Com a fama no seu pico, Bruce Timm regressa não só à personagem a quem deu forma mas também ao universo onde a criou. Este filme tem como ambiente a série da década de 90, ainda que se assuma como mais adulta e muito menos apropriada a crianças. Enquanto a Marvel continua a apostar num publico jovem, a DC esforça-se para que as suas personagens e histórias reclamem um público mais adulto (ainda que não necessariamente maduro - e isto não é uma critica). Este Batman & Harley Quinn é uma busca nesse sentido e, no que a mim diz respeito, bem sucedida. Há algum tempo que não me ria tanto - mesmo com piadas um pouco, digamos, adolescentes. Esta Harley é mais arriscada e o Batman mais sisudo (mas com laivos de descontracção, o que atesta bem da latitude da personagem). Nightwing, um dos discipulos do Cavaleiro das Trevas, tem também um papel muito importante e revelador. Um filme bastante divertido para fãs e (acho) não só.

Colecção No Coração das Trevas DC - volume 6: Joker & Harley Quinn

No sexto volume da colecção No Coração das Trevas DC, hoje nas bancas junto com o jornal O Público,  vão conhecer um amor... louco. 

Joker & Harley Quinn: Amor Louco, conta a história de Harley, uma antiga psiquiatra que trabalhava no Asilo Arkham, onde o Joker foi seu paciente. Habilmente, ele consegue manipulá-la emocionalmente e fazer com que se apaixone por ele, levando-a a ajudá-lo nos seus planos malignos, ganhando assim um novo aliado na luta sem fim que o opõe a Batman.

O argumentista e produtor televisivo Paul Dini, e o ilustrador Bruce Timm, criadores da série televisiva Batman Adventures - onde Harley Quinn se estreou - assinam esta história, que transpõe para o papel a sua famosa história animada, e outras duas histórias incluídas neste volume, que traz o Batman do mundo dos desenhos animados para a BD.

Em 1994, Amor Louco recebeu um prémio Eisner, sendo considerada a Melhor História desse ano. Também Frank Miller a considerou como uma das melhores histórias do Batman que já leu.