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Colecção No Coração das Trevas DC - volume 9: Mal Eterno parte 1

Quando a Liga da Justiça parece ter desaparecido e sido vencida, e o poderoso Sindicato do Crime, de uma Terra paralela, decide conquistar o mundo, Lex Luthor reúne um grupo de supervilões para salvar o planeta de uma ameaça maior que todos eles. Lex Luthor é um dos mais complexos vilões da DC, e neste volume vai mostrar ao mundo uma faceta sua que raramente demonstra: a de anti-herói.

Geoff Johns o argumentista  deste  Universo DC: Mal Eterno, disse que: "O Mal é relativo, ou seja, os vilões são tão complexos quanto qualquer um dos heróis. Cada antagonista do Universo DC tem uma escuridão singular, os seus próprios desejos e motivações. A razão de ser de Mal Eterno é explorar esta escuridão”.

O desenhador canadiano David Finch junta-se a Geoff Johns e juntos dão protagonismo ao lado negro da DC em mais volume da Colecção No Coração das Trevas DC, numa das sagas de comics mais aclamadas e importantes dos últimos anos.






O que é preciso saber para ler a Guerra do Corpo Sinestro?

BD de super-heróis podem ser frustrantes. A fama de serem complicadas de seguir é merecida.

Esta semana e na anterior, na Colecção Coração das Trevas DC, a sair junto com o Público pela chancela da Levoir, foi lançada uma dessas histórias. 

Quando a li na altura em que saiu, o prazer que retirei não devia-se apenas à qualidade dos autores. O conhecimento da mitologia DC também ajudou. É como uma telenovela.

Vou tentar descrever o que lembro-me e o que acho ser relevante para tirar o máximo de entretenimento possível desta obra - ainda que também ache que parte do prazer de ler super-heróis é descobrir, à posteriori, as histórias dos personagens que lemos.



  • Os Lanternas Verdes são um corpo policial que tem como missão proteger o universo. Têm um anel de energia que "cria  desejos", o que, na imaginação limitada de muitos deles, queria dizer criar bolhas para aprisionar criminosos e luvas gigantes para os derrubar. Claramente não eram um Tolstoy ou um Frank Lloyd Wright;
  • Os patrões dos Lanternas são os Guardiões do Universo, originários do planeta Oa, situado no centro geométrico do universo. São seres quase omniscientes e omnipotentes. Eram muito mandões e mal dispostos. Deviam ter um complexo de inferioridade por serem pequerruchos e terem cabeças grandes;
  • Os Guardiões dividiram o universo em 3600 sectores (tipo esquadras), cada qual com o seu Lanterna Verde (posteriormente passaram a dois);
  • O sector da Terra é o 2814 - não me ocorre dizer nada de engraçado à conta disto;
  • Por várias razões, à altura da Guerra do Corpo Sinestro, existem quatro Lanternas no sector da Terra, todos homens: Hal Jordan, o protagonista da série; Guy Gardner; John Stewart; Kyle Rayner - sendo os escritores homens e originários do planeta Terra as razões parecem óbvias;
  • Kyle Rayner foi o Lanterna Verde que substituiu Hal Jordan. Este último enlouqueceu, destruiu o Corpo dos Lanternas Verdes, transformou-se no vilão Parallax, redimiu-se e morreu sacrificando-se pela salvação da Terra (entretanto ficou melhor, como sempre  acontece com os super-heróis);
  • Sinestro, o vilão desta história (nome kitsh mas fica clarinho qual o lado da balança para onde pende), foi, originalmente, um Lanterna Verde e mentor de Hal Jordan. Devido às inclinações despóticas e ao facto de ter infligido um regime totalitário no seu planeta natal, Korugar, foi expulso deste Corpo - no shit;
  • No planeta Qward, também no centro geométrico mas de um universo de Anti-Matéria, oposto ao "nosso", Sinestro encontrou um anel amarelo, com as mesmas propriedades do anel dos Lanternas Verdes;
  • A cor amarela foi, durante décadas, a única fraqueza do anel verde dos Lanternas. Não podiam directamente infligir qualquer acção num objecto ou pessoa com esta cor  - esta é a fraqueza mais ridícula de todos os tempos. O Poupas dava conta dum Lanterna Verde;
  • A Crise nas Terras Infinitas foi uma saga pan-cósmica que envolveu todos os heróis e vilões da DC na década 80 (leiam aqui para saber mais sobre a mesma). O vilão desta saga chamava-se Anti-Monitor e, sim, veio de Qward (ou de uma sua lua), sito no universo de anti-matéria. (SPOILER) Ele morre no final desta Crise;
(eu sei que isto está a ficar complicado. Sorry!)
  • Algures na história dos arrufos com Hal Jordan, Sinestro é aprisionado no interior da grande bateria de Oa, a fonte de energia dos Lanternas Verdes - será que há casa-de-banho dentro de uma bateria gigante?;
  • Num racional digno de uma BD de super-heróis, Sinestro continua consciente e descobre uma verdade escondida: o facto de os Lanternas não conseguirem influenciar a cor amarela deve-se a um ser que vive dentro da bateria, tipo carrapato. Esse ser chama-se Parallax;
  • Parallax é a manifestação física do Medo que, na mitologia das cores DC, é representada pelo amarelo (esta caiu do céu... eu sei! Já explico);
  • Sinestro liberta Parallax que apodera-se do corpo de Hal Jordan - daí ele ter ficado louco, como disse algures acima (engenhoso, não?!);
  • Anos mais tarde, já depois de mortinho e enterrado, Hal Jordan ressuscita, sem Parallax, e o Corpo dos Lanternas Verdes é recriado. A criatura, entretanto anda por aí à solta;
  • Descobre-se, nesta ressurreição, que existe uma coisa chamada Espectro de Emoções, com sete emoções no total, cada qual com a sua cor. O verde é a Esperança. O amarelo o Medo, como já disse. As outras não conto porque quero que leiam o que vem a seguir à Guerra do Corpo Sinestro. É engraçada esta mania dos escritores de super-heróis de materializar sentimentos. Isto para andar, literalmente, à porrada aos nossos medos, ambições e amores. Nada Freudiano.
E é mais ou menos isto. 

Existem ainda coisas relacionadas com dois dos vilões aliados de Sinestro:
  • Superboy-Prime - originário de uma Terra, que no multiverso DC, é a nossa. É o primeiro herói dessa Terra e acabou por transformar-se num temível e poderoso super-vilão. Tem os mesmos poderes do Super-Homem e, metaforicamente, representa os fãs de BD que ligam a cada pormenor de história e são pouco permeáveis à mudança (eu não sou um deles... juro);
  • Cyborg-Superman (muitas cópias do Super-Homem  faz a DC, meu deus)  - é o que o nome diz. Um humano num corpo de ciborgue com um uniforme do Super-Homem (não estou para contar o resto da história que são mais uns quantos bullets points).

Colecção No coração das Trevas DC - volume 2 Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 2


O volume 3 da colecção “No coração das trevas DC”, “Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 2” vai para bancas na próxima quinta-feira. Começou a batalha de Ranx, e o alvo de Sinestro é a Terra, onde as duas forças inimigas se vão encontrar, com consequências devastadoras para o planeta, e com o destino do próprio Multiverso em jogo.


Neste volume poderemos também ver a interacção entre dois dos Lanternas Verdes da Terra, Hal Jordan e Kyle Rainer: Jordan tenta livrar Kyle da influência de Parallax, que o domina, e descobrimos um pouco da história de Kyle, das suas paixões, da sua morte, e também as razões que levaram a que Parallax o conseguisse dominar tão facilmente.

A continuação da saga da Guerra do Corpo Sinestro, a conclusão de uma das grandes sagas da DC no século 21, num volume com arte de alguns dos melhores desenhadores dos comics actuais, incluindo Ivan Reis, Patrick Gleason e Ethan Van Sciver.

Esta e outras histórias para ler a partir de 23 de Março com o jornal Público pelo PVP de 9,90€.




Colecção No coração das Trevas DC - volume 2 Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 1

A Levoir e o Público apresentaram dia 9 de Março a sua nova colecção de banda desenhada, composta por 10 volumes dedicados aos maiores vilões do universo DC, com o PVP de 9,90€ cada volume.

Amanhã, 16 de Março, é lançado o segundo volume da colecção: Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 1.

Em A Guerra do Corpo Sinestro, o maior adversário do Lanterna Verde recebe por fim o seu há muito merecido destaque. Outrora o maior dos Lanternas Verdes, Sinestro tornou-se no seu mais implacável inimigo, movido apenas pelo rancor e desejo de vingança. Mas, agora, revelará o seu novo e terrível propósito, numa saga épica que fez de Green Lantern o título de referência da DC Comics no final dos anos 2000.

Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro é um dos títulos mais emblemáticos da nova DC, e também um dos que maior sucesso crítico e comercial obteve. Lançado inicialmente em Junho de 2007, foi nesse mesmo ano nomeado pela Comic Book Resources como uma das melhores obras do ano. Esgotou toda a edição do primeiro número num só dia.

Segundo o IGN.com a história era um “êxito descomunal” e a Newsarama referiu-se à saga como “uma aventura da DC repleta de acção”.

Escrita por Geoff Johns, também ele considerado um dos melhores escritores de 2007, viu também Ethan Van Sciver, um dos desenhadores da saga, ser nomeado para um prémio Eisner pelo seu trabalho em Guerra do Corpo Sinestro.






Libertem o Geek! - As Crises Infinitas!


(para o Gonçalo e o Vasco, que percebem o porquê deste post)

Um amigo que, como eu, é fã do universo de super-heróis da DC Comics disse-me uma vez e parafraseio: "parecem estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!".  Achei lindo, naquela forma que apenas os fãs podem achar lindo. Aqueles que adoram certas coisas de forma irrepreensível. Não falo de saber todo e qualquer pormenor do multiverso da DC (se sabem o que é o multiverso da DC parece-me, contudo, que estão no bom caminho). Não falo de coleccionar todas as revistas, de possuir saber enciclopédico sobre os heróis, os vilões e a geografia - ainda que possa ajudar. Falo, como sempre quando refiro estas paixões, de gosto e de amor. De estarem a borrifar-se para quem não aprecia, de ficarem entusiasmados de forma infantil, juvenil, imatura (como quiserem), com um desenvolvimento de uma história, com o aparecimento inesperado de um personagem que amávamos e estava fora de cena há muito tempo. Mas também é ficar irritado quando algo que se adora já não tem o mesmo lustro, está chato e aborrecido. Pode também ser esperar ansiosamente pela estreia do Batman v Superman, mal conseguir aguentar a estreia da Wonder Woman em 2017 e ficar entusiasmado com a sequela do Man of Steel do Zack Snyder.

Recentemente, essa nossa editora favorita decidiu renascer. Chamou-lhe, de forma pouco imaginativa (ou será pós-moderna?), Rebirth e, numa revista escrita pelo grande Geoff Johns e chamada de DC Rebirth, devolveu aos fãs (ou começou a devolver) o universo de que tinham saudades. Já existiam pistas no Multiversity de Grant Morrison e na Justice League: Darkseid War também de Johns, mas é neste Rebirth que a editora assume o "erro". Erro porque esta história de Johns é um pedido de desculpa pelos mais recentes anos da DC mas também algo mais meta-textual: uma reflexão sobre o mundo dos super-heróis dos EUA pós-Watchmen, a seminal obra de Alan Moore e Dave Gibbons.  Mas não é sobre isto que vos queria falar.

Desde 1986 que a editora repete a mesma história de forma cíclica e gere as expectativas dos seus leitores de maneira quase cruel. Nesse ano fundiu o seu multiverso num único mundo na conclusão da Crise nas Terras Infinitas e este evento parece, desde então, reger todos os outros. O que, a nosso ver (sim, o dos fãs), é lindo e pode acontecer quantas vezes a editora quiser. Foi a Crise Infinita, a Infinita Crise, a Crise Final, o Hipertempo, o 52, a Multiversidade, agora o Renascimento. Iterações do mesmo conceito, teases de quem sabe que basta vestir uma lingerie comprada na loja dos trezentos para nos fazer salivar litradas.  Mas no meio de tanto entretenimento pop existe também algo mais profundo - pelo menos para nós. Uma hiper-história que começou em 1938 com a publicação do Super-Homem, que foi evoluindo num misto de atabalhoado, orgânico e ...vejam lá bem... pensado. Que continua a crescer e a acrescentar camadas cada vez mais ricas,  ao ponto de parecer estar criado um universo (um multiverso) que ...nós temos a certeza... vive lá fora algures, separado pela vibração da imaginação. É world-building mas também é uma filosofia. Quem olhar para a estrutura do multiverso da DC criada por Grant Morrison vê uma Mandala e vê um Belo. Não seria fantasticamente terrível que existisse, perdidos nas infinitas e prováveis realidades, um Darkseid, uma Source Wall e uma Speed Force? Mas divago!

A DC repete, para nosso bel-prazer, a História do Multiverso e, em cada nova variação, se estávamos perdidos voltamos a ela e, se nunca a abandonámos, somos justificados. Por isso, quando neste Rebirth vejo plantadas as sementes do regresso de algo que adoramos só posso escrever algo tão inútil quanto este post.  

"Parece estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!" - disse o tal meu amigo. Sim, é lindo e nós adoramos!

Momentos FO**-SE! Justice League 50 e DC Universe Rebirth de Geoff Johns e vários



(este post contém fortes spoilers)

Já tiveram momentos foda-se nas vossas vidas? Sabem perfeitamente do que vos falo. Daqueles momentos onde são apanhados de tal forma desprevenidos que, a despeito do controlo e pudor imposto pelo vosso cérebro, é desenhada pelos músculos do vosso rosto a palavra "foda-se". Pode acontecer com qualquer momento, como é óbvio, mas, no que aqui quero falar-vos, refiro-me a arte que sublima, que entretém, que eleva. Arte que adoramos mais do que podemos admitir àquela mulher gira e interessante. E, ainda mais especificamente, falo de histórias. Das que são contadas em livros, em película, em notas de música. Falo de Banda Desenhada, falo de super-heróis, falo da Mulher-Maravilha, do Super-Homem, do Batman, de todos os personagens da DC Comics (que quem me lê sabe perfeitamente que amo).

Já há muitos meses (dez!) que esperava pelo fim da saga Darkseid War, que correu nas páginas da revista Justice League, escrita por Geoff Johns e desenhada por Jason Fabok (com uma pequena ajuda de Francis Manapul). Nela, a maior equipa de super-heróis de qualquer universo enfrentava dois dos maiores adversários da extravagante mitologia dos super-heróis: Darkseid e o Anti-Monitor (os menos familiares com estes nomes que me perdoem, mas acho que esqueci-me de avisar que este post não é para todos. Ou melhor, é para todos os que gostam de ver prazer na face dos outros). Como cereja no topo do bolo, a saga foi deliciosamente narrada pela minha personagem favorita de todas as personagens dos super-heróis: Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Face a este cenário, o entusiasmo era muito e a expectativa impossível de domar, o que dificulta sempre a vida a qualquer artista, porque superar a imaginação de um leitor é uma tarefa vã. Neste momento em que vos escrevo, em que a leitura está ainda quente na memória, falo-vos só em como me diverti. Falo-vos da voracidade com que as páginas eram folheadas e em como o fim não chegava suficientemente depressa e ao mesmo tempo receava que chegasse. Até que aconteceu e um "foda-se!" desenhou-se nos lábios, os olhos arregalaram-se e escapou-se-me "a Mulher-Maravilha tem um irmão gémeo?". Não, não tem importância nenhuma, é ridículo mesmo que um homem adulto possa dar importância a isto, mas quando leio aquelas palavras e vejo aqueles desenhos o mundo apaga-se à minha volta e desapareço na infância. É verdadeiramente fabuloso!

As últimas páginas de Justice League não servem para descansar (quê? Metron e Owlman morrem e deixam para trás uma Cadeira Mobius ensanguentada?). No rodapé do último quadradinho lê-se "continua em DC Universe Rebirth" e eis que sigo, acto contínuo, para essas outras páginas, também escritas por Geoff Johns e desenhadas por vários artistas. Este era O evento que os fãs da DC Comics tanto esperavam, onde era anunciado o regresso do optimismo, da luminosidade, do sentido de legado ao universo de super-heróis desta editora. A DC tem sido alvo de criticas pelo excesso de negritude, de soturnidade, como se a herança (involuntária) do seminal Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons ainda perdurasse. Essa obra incontornável, junto com The Dark Knight Returns, marcou uma viragem na BD dos EUA, originando cópias que confundiram a forma com o conteúdo e consolidaram a imagem do anti-herói. Esse tipo de narrativa foi, inclusive, a inspiração de Zach Snyder para a sua interpretação dos filmes Man of Steel  e Batman v Superman. Geoff Johns achou ser uma boa altura para inverter a tendência (as vendas não ajudavam a nada, para ser totalmente sincero). Assim surge DC Universe Rebirth, uma BD que não é só uma revista mas também uma declaração de intenções e uma montra para futuros enredos em outras (aliás, o facto de nenhuma linha de história ter resolução neste número é a maior fraqueza deste DC Rebirth).

O escritor consegue, uma vez mais, a proeza de contar uma história pop, sim, mas tocante, emocional, entusiasmante, cheia de momentos deliciosos, capazes de partir o coração empedernido dos fãs da DC. Wally West volta e é o móbil da acção? A Sociedade da Justiça e a Legião dos Super-Heróis afinal ainda existem? Foram roubados dez anos à história do universo DC? Por quem? A revelação do inimigo originou um segundo movimento incontrolável dos lábios ao som da palavra "foda-se!". O Dr. Manhattan dos Watchmen de Moore é o adversário? O vilão?

É neste momento que o trabalho de Johns eleva-se ao meta-textual. DC Universe Rebirth não é apenas uma tentativa mercantilista de inverter a decaída das vendas da editora mas também um comentário do escritor à influência (negativa) que Watchmen teve nos super-heróis. Não por culpa da obra ou dos artistas mas de quem a interpretou (mal!). Geoff Johns consegue uma proeza e deve ser louvado por isso. Não criou aqui uma obra a figurar nos anais da BD, claro, mas sim um belíssimo pedaço de entretenimento feito amor e carinho por mitologias e histórias que agarram alguns milhares de fãs (eu, inclusive). 

Mesmo com todo este entusiasmo, os anos que passei a virar frangos não deixam-me ainda descansar. Por mais interessantes que tenham sido estas duas revistas elas sofrem do maior problema das actuais histórias de super-heróis, quer falemos da Marvel, quer da DC: um evento é apenas o prelúdio de outro evento, uma infinita telenovela da qual não vislumbra-se qualquer final. Neste aspecto, este DC Universe Rebirth é pior porque, no meio do coração que foi a história de Wally West e a revelação do vilão, existe um sem número de teasers para outras histórias, muitas delas das quais desconhecemos onde acontecerá a continuação. Name of the game? Não necessariamente, porque se depois o que vem a seguir não satisfaz então nada valeu a pena. Por enquanto, têm a minha atenção. Venha de lá esse renascimento.

Justice League, número 41 por Geoff Johns e Jason Fabok

Todos procuramos momentos de prazer. Na comida que comemos. Nas pessoas com quem convivemos. Para os adoradores da leitura é um deleite supremo quando nos deparamos com algo que achamos particularmente bem escrito, bem estruturado e entusiasmante. Isso pode vir da arte de bem escrever ela própria  ou, pura e simplesmente, de um prazer pop que advém dos lugares mais íntimos. Ou, no melhor de todos os mundos, pode provir dos dois. E assim termino a introdução para este Justice League número 41 pelas mentes de Geoff Johns e Jason Fabok.

Geoff Johns não é um escritor de excepção. Ele não esconde não ter qualquer tipo de ambição para além de uma relação popular com o leitor de BD. Não é Alan Moore ou Jodorowsky. Nesse sentido, quando se lê o trabalho deste escritor não se espera muito para além de um controlo acima da média da arte de bem contar uma história de super-heróis. Quem já leu os poucos trabalhos de Johns fora deste tipo sabe do que falo. Contudo, ano após ano, trabalho após trabalho, tem conseguido merecer o título de um dos mais entusiasmantes escritores de BD das mulheres e homens de collants. Até recentemente o seu produto na já longa saga da Liga da Justiça não era dos melhores exemplos do que acabei de referir. Até chegar Darkseid War, a saga que começa em força neste número 41 e que os leitores deste blog já conhecem (leiam aqui o que escrevi) e conhecem o entusiasmo com que aguardava o seu despoletar.

Para os que não estão dentro da minha cabeça é difícil reproduzir a alegria infantil que foi finalmente poder ler esta história. Nela conjugam-se, para mim, quase todos os elementos que contribuem para uma boa história de super-heróis: uma ameaça cósmica que põe em risco toda a realidade; a junção dos maiores arquétipos do super-herói, os mais reconhecíveis, numa única equipa e contra a dita ameaça; enfoque num dos meus personagens favoritos deste mundo literário, Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha.  Claro que, facilmente, poderia descambar para um clássico caso de expectativas muito altas que saem defraudadas. Nada disso. Foram amplamente atingidas em esplendorosas 40 páginas da arte suprema de bem fazer BD de super-heróis. 

Existem todos os elementos que desenham a assinatura de Geoff Johns: o enfoque nas personalidades dos personagens, com momentos exemplares que envolvem Shazam, Super-Homem/Lex Luthor,  Darkseid, Mister Miracle e, claro, a Mulher-Maravilha; enredo cheio de surpresas; escala cosmogónica; em suma, momentos de tirar o fôlego. Isto é o que a BD de super-heróis deve (por vezes) almejar ser: alicerçada num longo historial sem detrimento de novos leitores mas também nunca dos velhos; orçamento ilimitado pela imaginação; seres arrebatadamente puros e bons a enfrentar outros tenebrosamente maléficos - uma ópera do Bem contra o Mal, com o destino do espaço-tempo nas mãos de ambos. A DC Comics quando quer, e porque tem os tais maiores arquétipos, os mais tenebrosos dos vilões, consegue isso de uma forma deliciosa. Este início da Darkseid War  é isso mesmo. Aplausos. 

Multiverso DC - o calvário da ressurreição – primeira parte

A BD norte-americana de super-heróis é, desde quase sempre, palco de uma tendência: a do eterno ciclo da morte e ressurreição. Raras são as mortes que perduram. Raros são os conceitos que não voltam a ser revisitados, mesmo que abandonados durante décadas. Faz parte da mitologia, desde que editores e criadores chegaram à conclusão que ou as ideias novas faltavam ou que o desaparecimento de um personagem ou conceito foram produto de fraca inspiração. O recente regresso (de forma assumida) do multiverso da DC é a mais nova iteração deste fenómeno. E ainda bem, porque há muito que deveria ter acontecido. De cada vez que existia uma ameaça do retorno a internet (esse pulso dos desejos dos fãs) brilhava com as muitas trocas de bits e bites de conjeturas e anseios. Os teclados ardiam com a velocidade da escrita. Com Convergence, Multiversity e a Justice League de Geoff Johns o que era suspeita é agora parte do cânone.

Mas qual o caminho percorrido? Como é que se chegou aqui? A pedido de uma família (sim, Nuno, tu), aqui fica uma lista do que acho ser interessante ler para perceber como se regressou a este velho/novo multiverso. Sempre que puder remeto para o Trade Paperback. Não irei falar de Infinite Crisis, Final Crisis, 52, etc., mas apenas do novo universo que existe desde 2011, conhecido por Novo 52. Isto porque parece claro que o plano para esta ressurreição existe desde os primeiros momentos da nova iteração do mundo ficcionado da DC. Esta lista não pretende ser, de forma alguma, exaustiva ou definitiva. Estou aberto a colocar o que concordarmos que falte. Nem que seja porque não li tudo deste Novo 52.

A seguir apresento a primeira parte desta artigo.

(Escusado será dizer que, a partir daqui, existem muitos spoilers.)

Justice League volume 1: Origin TPB (The New 52) – Sim, começa no momento 0. Desde a primeira palavra que a intenção parece óbvia. Neste volume, por Geoff Johns e Jim Lee, dois dos diretores criativos da DC, temos a primeira batalha daquele que é o maior e mais importante ajuntamento de super-seres no universo da editora: a Justice League, Liga da Justiça para nós portugueses. Confrontam, pela primeira vez, Darkseid, o deus negro criado por Jack Kirby e, com ele, são imediatamente introduzidos os Novos Deuses que, nesta nova realidade, parecem ter um papel bastante mais importante que em anteriores. Para além disso, Darkseid visita a Terra na procura da sua filha, personagem da qual só anos mais tarde descobriremos a verdadeira identidade e importância.

Justice League: Trinity War TPB (The New 52) – Geoff Johns é perito em fazer-nos pensar numa coisa mas, na realidade, estar a contar outra. Assim foi com Trinity War. A brincadeira que faz com o conceito de trindade levava-nos a pensar, a início, nos eternos Super-Homem/Batman/Mulher-Maravilha, nas três versões da Liga da Justiça envolvidas e no grupo de três seres cósmicos que parecem estar no centro de vários mistérios – Pandora; Phantom Strange; Question. Contudo, o verdadeiro significado da palavra três está nas últimas páginas (spoiler, spoiler, spoiler): o glorioso regresso das versões maléficas da Liga da Justiça da Terra-3, o Sindicato do Crime. Pela primeira vez, neste Novo 52, é assumida existência de uma outra Terra. A primeira de muitas. Salta para…



Forever Evil e Justice League volume 5: Forever Heroes TPB (The New 52) – Este evento de 2014 introduziu um mundo onde os inimigos da Terra-3 vencem a Liga da Justiça e resta aos vilões do mundo de Novo 52 encontrarem uma forma de os derrotar. Resta a Lex Luthor, provavelmente o maior de todos, a capacidade de procurar a fraqueza que derrubará o Sindicato do Crime. São dois volumes que contam diferentes lados da mesma história. Ficamos a saber que o Sindicato fugiu da sua Terra, destruída por um ser de enorme poder. Nas últimas páginas descobrimos de quem se trata (spoiler, spoiler, spoiler): o Anti-Monitor, um dos mais tenebrosos vilões do universo DC, a causa do mais catastrófico evento da sua História, a Crise nas Terras Infinitas. Mas ele não está sozinho…

      

Colecção DC Levoir/SOL – 9.º Volume: Gavião Negro

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Médio para o fácil

Sai Sexta-feira, dia 24 de Janeiro, junto com jornal SOL e custa 8,9€

O personagem Hawkman (Gavião Negro, tal como os brasileiros o traduziram), faz parte daquele tipo de personagens por quem, inexplicavelmente, alguns fãs de BD têm um amor incontido, uma dedicação sem explicação. Gosto muito do Hawkman e a DC pouco jus tem feito ao potencial deste personagem, exceto na run de Geoff Johns e Rags Morales, cujos primeiros números estão incluídos neste volume. A colaboração entre estes autores durou pouco mais de dois anos, mas foi de tal forma prolífera que se revelou um dos segredos mais bem guardados, um universo reservado a apenas alguns, mesmo dentro da BD. Infelizmente, acabou cedo demais.

Tenho uma vaga ideia de qual a razão da minha atração para com este personagem e, se a memória não me falha, terá muito a ver com esta run, conjugada com a de outra seminal saga, a de James Robinson no seu impecável e inacreditavelmente recomendado Starman. Existe uma linha temática que, na minha cabeça, une os dois. Passo a explicar porquê.

O Hawkman faz parte de um tipo de super-heróis da DC a que se deu o nome de personagens-legado (não da mesma forma que Starman mas, ainda assim, similar). A sua origem remonta aos primeiros anos da década de 40, tendo sempre sido parte integrante da Sociedade da Justiça da América, o primeiro grupo de super-seres a sair na BD norte-americana. Já aqui repeti algumas vezes e, portanto, já devem estar um pouco fartos desta ladainha, mas no final da década de 50, com o ressurgimento do super-herói, também o Hawkman foi dos personagens que passaram a ter duas iterações, uma residente numa Terra Paralela onde habitavam as versões da década de 40 e uma segunda, onde se seguia as vidas das novas versões. Os dois Hawkman partilhavam o mesmo nome e as mesmas características mas a sua origem era bastante diferente. Enquanto o da Terra antiga estava ligado ao antigo Egipto, o da Terra mais recente vinha do espaço sideral, nomeadamente do planeta Thanagar, onde a polícia local se vestia da mesma forma que o herói - claramente, o zeitgest da época, ligado às viagens espaciais, à guerra fria e ao alienígenas, terá muito a ver com esta origem.

Com a já famosa Crise nas Terras Infinitas e com o colapsar de múltiplos universos em um único, o Hawkman acabou por ser dos personagens mais afetados por esta alteração significativa da continuidade do universo DC, ou melhor, o facto de esta alteração não ter sido verdadeiramente radical e reiniciar tudo do 0 acabou por prejudicar vários super-heróis, sendo este um dos mais atingidos. Qual das duas versões ficaria se o personagem tinha influenciado os dois maiores grupos de super-heróis da DC, a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça, que entretanto coexistiam nesta nova realidade?

Após várias tentativas, cada uma mais confusa que a outra, acabaria por ser Geoff Johns a resolver o imbróglio nas páginas desta revista e da JSA (as novas aventuras da Sociedade da Justiça). Contudo, o escritor não se limitou a deslindar o puzzle cronológico, antes decidiu agarrar na sua própria visão e na rica história do personagem e tecer um mundo em muito similar ao estabelecido por Robinson com outro personagem-legado, o já referido Starman. Johns, na senda de outros personagens da DC, cria uma cidade fictícia de nome St. Roch, em muito semelhante a Nova Orleãs, onde a sua versão de Hawkman habita, um local-reflexo da personalidade do personagem, onde a sua natureza pudesse ter asas de liberdade (trocadilho intencionado). As alterações foram, contudo, mais do que cosméticas, atacando mesmo a motivação e personalidade do personagem, fornecendo-lhe conteúdo e missão. Por detrás da versão de Geoff Johns está uma história de amor, de um par de “star-crossed lovers” cuja narrativa remonta aos idos do Antigo Egipto, onde Hawkman e a sua amada viveram como faraós até que uma invejosa traição os arrastou por variadas reencarnações ao longo de milénios. De um só toque, Johns consegue reintroduzir o personagem na mitologia da DC e explicar a sua presença na Sociedade e Liga da Justiça. Afinal, era o mesmo personagem mas reencarnado. De modo a ir explorando as vidas passadas do par amoroso, Johns cria capítulos esporádicos que exploram essa união ao longo dos milênios, uma rubrica em muito similar à de Times Past, que Robinson escrevia para Starman.

O elogio a esta saga não poderia passar ao lado do maravilhoso contributo de Rags Morales (que os leitores desta coleção viram no essencial Identity Crisis), cujo traço consegue encher os vários painéis com a força bruta e selvageria com as quais queriam impregnar o personagem – algures li que os artistas queriam que Hawkman fosse um Conan com asas (não o do desenho animado japonês mas o bárbaro dos romances de Robert E. Howard). Esta parelha criativa iria terminar cedo demais. Na minha magra opinião esta nova história de Hawkman deveria ter sido contada de forma similar à de Starman, com um princípio, meio e fim perfeitamente definidos e sempre com a mesma equipa criativa. O potencial e o talento estava todo lá. Assim, ficamos com uma promessa quando deveríamos ter tido uma obra. Foi pena…


Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Colecção DC Levoir/SOL – 6.º Volume: Liga da Justiça e Sociedade da Justiça

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta colecção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)
Grau de acessibilidade: Difícil mas…
Sai Sexta-feira, dia 3 de Janeiro, junto com jornal SOL e custa 8,9€

Existem aqueles que olham para os super-heróis e têm a impressão de se tratar tudo do mesmo. Nada poderia estar mais longe da verdade. Podemos começar pelas substanciais diferenças entre a Marvel e a DC Comics, engano que, aliás, foi alvo de uma microscópica polêmica aquando da estreia do último filme do Batman, com um crítico de cinema de um famoso jornal a afirmar que não existe distinção significativa entre os personagens destas duas editoras. Este volume da coleção da Levoir exemplifica na perfeição uma das diferenças fundamentais entre as duas e entre a multidão de personagens que pululam os respetivos universos.

Na DC Comics os variados heróis formam uma enorme família, com relações afetivas profundas e complexas, com todos os predicados e defeitos que estas ligações acarretam. Na Marvel, essa noção de família é bastante diferente, havendo conflitos de variadas origens entre os vários personagens, diferenças filosóficas profundas que muitas vezes criam cisões e fronteiras veementemente definidas. Obviamente que, com mais de sete décadas de histórias, as fronteiras foram se esbatendo e reconstruindo diversas vezes, mas as diferenças fundamentais ressurgiam ciclicamente, muito por culpa dos diferentes autores que neles iam trabalhando. Cada nova geração de criadores trazia algo de novo e algo de velho, e as recordações de juventude impregnavam-se no enredo ou história que contavam. Geoff Johns, o escritor por detrás das histórias aqui inseridas, é apenas mais um deles, ainda que um dos mais famosos e bem-sucedidos da última década. Johns notabilizou-se por ir ao baú de antigas histórias, dos antigos personagens e das antigas sensibilidades e mesclá-los com o seu muito próprio modernismo, tendo sido responsável não só pela evolução, deste princípio de século, de variadíssimos personagens da DC (Lanterna Verde, o exemplo mais conhecido e querido de muitos fãs de BD, e já publicado nesta coleção), como de todo o universo da editora.

O trabalho que o conduziu, pela primeira vez, para a perceção dos fãs, está parcialmente incluído neste novo volume da coleção da Levoir, especificamente a relativo à Sociedade da Justiça da América. Este grupo de super-heróis é, basicamente, o mais antigo do género na BD americana, e cujas origens remontam à década de 40, quando a editora DC da altura decidiu reunir numa mesma história os seus variadíssimos personagens, obviamente com a clara perceção de que os leitores estariam particularmente interessados nestas aventuras, o que veio a revelar-se um providencial sucesso imediato. Nos fins da década de 50, após um período de seca no universo dos super-heróis que incluiu o cancelamento das histórias da Sociedade, o conceito de um grupo destes personagens seria retomado com o surgimento da Liga da Justiça, herdeira filosófica da anterior, onde se reuniam os maiores nomes da editora: Super-Homem; Batman; Mulher-Maravilha; Flash; Lanterna Verde; Aquaman; Caçador de Marte. Mas a Sociedade da Justiça regressaria (os autores que haviam apreciado as aventuras na sua juventude são sempre os culpados) em reuniões anuais com a congénere mais moderna, encontros que se repetiriam ao longo dos anos e onde a noção de família e amizade tinha tanta importância quanto a crise que eles tinham de enfrentar. Estes encontros, no unierso pós-Crise nas Terras Infinitas, seriam objeto de um hiato, mas acabariam por regressar e exatamente com a primeira história publicada neste volume da Levoir, a que lhe dá nome, Virtude e Vício. Johns, como já referi, começou a ser conhecido com a sua run na nova iteração da Sociedade da Justiça, e este é apenas mais um capítulo na sua longa experiência com estes personagens.
Acompanhar estes encontros é sempre uma delícia para os fãs de BD de super-heróis, que gostam das suas páginas recheadas de múltiplos personagens garridamente coloridos a enfrentar vilões maiores que a vida, personificações do Mal mais puro e “sublime”. Este não será o volume mais fácil de acompanhar na medida em que alude a variadíssimos eventos e personagens de histórias anteriores, mas vale a pena acompanhar pelo valor de entretenimento puro e operático. E, claro, existe sempre esta nota que coloco no final de todos estes posts.

Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Colecção DC Levoir/SOL – 3.º Volume: Novos Titãs


(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta coleção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)
Grau de acessibilidade: Difícil mas…
Sai Sexta-feira, dia 13 de Dezembro, junto com jornal SOL e custa 8,9€

Para desenjoar um pouco, a Levoir afasta-se dos dois maiores ícones da DC Comics e decide-se por nomes menos conhecidos do mainstream, à semelhança do que já tinha feito na coleção anterior. Desta vez, a sorte coube aos Novos Titãs, a equipe de adolescentes por excelência da editora, para onde não só gravitam os vários discípulos dos grandes nomes da Liga da Justiça, como funciona como campo de treino para futuras membros desta, a maior equipe de super-heróis do Universo DC. Contudo, como qualquer adolescente que se preze, a rebeldia contra figuras paternais de qualquer espécie é uma obrigatoriedade, mesmo que essas figuras sejam o Super-Homem, o Batman, a Mulher-Maravilha, e estes Novos Titãs não escaparam ao lugar-comum.
Nascida na década de 60, a equipa teve várias encarnações, a mais conhecida nascida em 1980 pelas mãos e mentes de Marv Wolfman e George Pérez, os mesmos da Crise nas Terras Infinitas, tornando-se desde cedo no maior êxito da DC Comics e dos comics da época, apenas superados em vendas pelos X-Men da Marvel. Esta foi também a época de mais sucesso para a equipa de adolescentes, tendo a fama decrescido depois da saída do desenhista Pérez, mas existindo sempre uma versão dos Titãs nos relatos do Universo DC. Esta encarnação, cuja primeira aparição é a incluída neste volume, a escrita por Geoff Johns e desenhada por Mike McKone, apesar de nunca atingir os mesmos níveis de fama e sucesso não só comercial como de crítica que a de 1980, não deixou de funcionar como uma homenagem à concebida por Wolfman e Pérez, uma mistura de nostalgia e mercantilismo tão típico da BD americana. Os dois autores desta versão moderna vão buscar membros às variadas encarnações dos Titãs, nomeadamente à já referida, em que três dos mentores dos adolescentes são aqueles que uma vez também o foram, e a uma mais recente, a Young Justice, onde se juntavam os discípulos de Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha e Flash, o Superboy, Robin, Wonder Girl e Impulse, respetivamente.
Deste modo, Johns vai buscar, por um lado, a missão original dos Titãs, a do clube onde os jovens membros da equipa tentam ter uma vida própria fora da sombra dos gigantes que são os sues mentores e, por outro, piscar o olho á mais conhecida das versões. Acompanhado pelo traço comercial e apelativo de Mike McKone esta tornou-se num relativo sucesso de vendas que, contudo, acabou relativamente cedo, já que ambos os criadores acabariam por abandonar a revista parcos 2 anos depois – isto tendo em consideração que Pérez e Wolfman partilharam cerca de cinco anos da sua vida com a sua versão ou que Peter David e Todd Nauck dedicaram outros tantos a Young Justice.
Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

O que vou lendo! - Colecção DC Levoir/Público – 19.º Volume: Super-Homem e a Legião dos Super-heróis e Legion of 3 Worlds

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Isto não é uma deambulação pela qualidade desta coleção da Levoir, que aqui e em outros lugares já defendi com veemência militante, mas antes uma declaração da surpresa (boa) que foi reler esta maravilhosa aventura escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank. Mesmo! Que delícia!
Tenho os livros originais que adquiri à altura, os chamados floppies mensais, mas porque tenho menos tempo para dedicar ao vício da BD do que desejaria, nunca os reli. Fi-lo agora com a coleção lançada pela Levoir neste seu 19.º volume dedicada à DC Comics e o conto de Johns e Frank só ganhou com isso.
A narrativa encontra-se estruturada de forma moderna, inspirando-se menos na serialização que tem pautado os comics quase desde sempre, mas antes no principio de finitude, ou seja, mesmo para os menos entendidos na convoluta história do Super-Homem e da Legião dos Super-Heróis, será relativamente (sublinhado) fácil entender o que se está a passar. Para isso Johns, inteligentemente, escolhe alguns temáticas sub-textuais que são facilmente apreendidas. Um dos mais interessantes aspectos disto que acabo de referir é a alusão ao significado que o figura histórica que é o Super-Homem assumiu na sociedade do século XXXI, estando associado a aspectos quase messiânicos. Por sua vez, este lado divino do mais antigo dos super-heróis é lido, na narrativa de Johns, de duas formas: por um lado, o facto de ter estado na origem de uma filosofia, propagada pela História, de fraternidade e respeito pela diferença, que não é diferente da mensagem de um MLK ou Gandhi; por outro lado, o facto de terem se passado 1000 anos e de a sua mensagem original poder ser deturpada ou mesmo subvertida. Este último aspecto é, aliás, um dos motores da narrativa.
Mas Johns não se fica por aqui. Para quem está atento aos desenvolvimentos recentes da sociedade norte-americana, encontrará ecos na história deste volume. Falo da forte polarização de uma nova/velha forma de ver a religião, a interpretação fanática (no caso da história desta BD, assumidamente deturpada) da filosofia, ou melhor, da liturgia – isto para usar termos religiosos – que terá sido passada pela figura messiânica em causa, o Super-Homem. Escolhe-se ver aquilo que se escolhe ver, usando termos mais coloquiais. Esta situação torna-se ainda mais “caricata” quando a própria figura messiânica em causa viaja 1000 anos para o futuro, e é desacreditada como charlatã e como desavisada dos preceitos que, pelos vistos, ele próprio teria criado.
Obviamente que tratando-se isto de uma aventura de super-heróis mais mainstream, muitas destas mensagens são abordadas de forma mais leve, mas Johns tem o condão de, sub-repticiamente, tornar relevantes aspectos que, à partida, seriam apenas adjacentes. Sim, porque este escritor excede-se no aspecto mais puro da BD de super-heróis, aludindo à continuidade de 50 anos da Legião, fazendo regressar velhos personagens que os fãs ansiavam ver regressar, tudo misturado com uma abordagem e prismas relevantes. Sem duvida umas das melhores escolhas que a Levoir poderia ter feito.
Inspirado por esta releitura decidi voltar a ler a história que vinha de seguida: Legion of 3 Worlds de Geoff Johns e George Pérez. Aqui a coisa já pia de forma diferente! Estamos perante aquilo que, coloquialmente e desculpem os mais sensíveis, apenas posso apelidar de puro “geekasm”. Não só é desenhado pelo ENORME George Pérez, que nesta história faz bom uso dos seus incríveis dotes de narrador e de deslumbrador, como é orgulhosamente imerso na (aqui sim, posso dizer sem pruridos) convolutíssima continuidade da Legião dos Super-Heróis e mesmo do Universo da DC Comics. Aparecem três, leram bem, três versões da Legião, aquelas que foram publicadas ao longo destes 50 anos, são referenciadas as duas grandes crises que abalaram o espaço-tempo deste universo, a Crise nas Terras Infinitas e Crise Infinita, aparecem diferentes versões do Super-Homem e a da sua versão mais nova, o Superboy, entre tantas outras maravilhosas delícias para os “verdadeiros” fãs, ou melhor, os únicos que poderão apreciar tudo isto de forma plena (infelizmente, digo eu). Não sei se poderei ir tão longe e ter esperança que esta história será publicada pela Levoir, por todas estas razões, mas posso pensar que haverão aqueles, mais fãs ou menos fãs, que não conheciam e agora fiquem curiosos de a ler. Nem que seja pelo puro sentido de entretenimento. 







Colecção DC Levoir/Público – 19.º Volume: Super-Homem e Legião de Super-Heróis

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(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta coleção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)
Grau de acessibilidade: Difícil mas...

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 14 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€

Quando a família do Super-Homem começou a crescer no final da década de 50, foi adicionado à mitologia do personagem um grupo de adolescentes vindos do futuro, que serviriam não só como testemunhas do legado do Homem de Aço, mas também como seus companheiros: A Legião de Super-Heróis.
Este grupo visitaria Clark Kent quando ainda era conhecido como Superboy e convidá-lo-ia para visitar o século XXX, onde era visto como uma imagem de tal forma inspiradora que havia servido de base à criação deste grupo de super-heróis, que reunia diferentes e múltiplas raças e seres de todos os cantos do universo. O Super-Homem ou Superboy, o derradeiro emigrante, aquele que havia permitido que alienígenas fossem bem vindos não só na Terra como também em todo o restante cosmos, tinha servido de inspiração para a criação da maior e mais relevante coleção de super-seres do século XXX. E eles convidaram-no para dela fazer parte.
A Legião cresceria ao longo das suas 5 décadas de vida para números que justificariam o nome, agregando inúmeras raças nas suas fileiras, destilando algumas das mais importantes mensagens da década de 60: confraternização e igualdade. Este grupo de jovens adolescentes cresceria ao longo dos anos (muito em contravapor à perenidade de alguns arquétipos como o Super-Homem, que parecem nunca envelhecer), e seriam também alvos de inúmeras iterações e interpretações, ao ponto de se tornarem relativamente ininteligíveis, mesmo quando um novo escritor ou editor da DC Comics decidia que era boa altura recomeçar tudo do 0. 
Geoff Johns, escritor conhecido por atualizar personagens através do historial dos mesmos, foi quem decidiu fazer algo quanto a isto. Agarrou na mais conhecida e amada das versões da Legião, a primeira, e reintroduziu-a à mitologia do Super-Homem com a história que é publicada neste volume da coleção da Levoir. Ajudado pelo fabuloso desenho de Gary Frank (que utiliza a semelhança de Christopher Reeve para o rosto do seu Super-Homem), conseguiu aquilo que muitos dos fãs da Legião almejavam (e tal como o grupo de super-heróis eles são imensos e muito ferranhos): o regresso da verdadeira Legião de Super-Heróis.
Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.