Mostrar mensagens com a etiqueta DC Comics. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta DC Comics. Mostrar todas as mensagens

Uma BD aqui, outra BD ali, 4

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Batman (2016) números 36 e 37 de Tom King a Clay Mann (DC Comics)

É desta matéria que as boas histórias são feitas. É por causa de números como estes que as personagens da DC são-me tão queridas. Já muitos sabem que Tom King está a construir uma das mais interessantes sequências de histórias com o Homem-Morcego. O ex-agente da CIA tem-se revelado, no relativo pouco tempo em que escreve BD, como um dos escritores de maior imaginação e inteligência a trabalhar na 9.ª Arte. A perspectiva fresca com que escreve este maior ícone da DC tem revelado pormenores do Cavaleiro das Trevas que persistentemente escaparam a outros. I Am Suicide, The War of Jokes and Riddles, Batman Annual #2, Batman/Elmer Fudd, foram alguns dos momentos mais altos. Aos quais agora se juntam estes dois números.

Batman e Super-Homem há décadas que dançam pelos interstícios de uma relação de amizade e conflito. A início eram amigos, mas desde 1986 que Frank Miller e depois John Byrne decidiram que seria mais empolgante se fossem lados opostos de uma mesma questão filosófica. Esse conflito definiu a  relação mas também a personalidade de ambos. Eis que, no presente, o Homem de Aço está há muito casado com o amor da sua vida, Lois Lane, e o Batman pediu em casamento a anti-vilã, uma vezes amante, outras inimiga, Catwoman. Esse pedido leva a que ambos os casais decidam sair num double date (número 37), antecedido de uma análise do respeito que as duas figuras maiores da mitologia de super-heróis nutrem uma pela outra (número 36). 

Tom King é um homem adulto e isso é espelhado na riqueza dos diálogos entre as personagens. É revelado, em todo o seu esplendor, a tridimensionalidade de quatro figuras que fazem parte da cultura pop há 80 anos. Isto não é para quem nasceu há menos de 20 anos (mas também o é). Isto não é para a geração Disney, assexuada e sem humor (calma que também gosto de algumas coisas da Disney). Isto é para personalidades maduras, hetero ou homossexuais, de pensamento complexo e indefinido, visto pelo prisma de quatro arquétipos, que também são, acima de tudo e o mais importante, pessoas que respiram ar de papel. É por isto que adoro o Super-Homem, o Batman, a Lois Lane, a Catwoman e a DC Comics. Perfeição.

Exit Stage Left: The Snagglepuss Chronicles número 1 de Mark Russel e Mike Feehan (DC Comics)


A DC Comics, através da empresa accionista, a Time Warner, tem acesso a um conjunto de propriedades intelectuais da cultura pop bastante conhecidas. Os Looney Toons e as personagens da Hanna Barbera, por exemplo. Os portugueses de uma determinada geração conhecem o Top Cat, o Yogi Bear, os Jetsons e os Flintstones. Fazem parte de uma infância colectiva de desenhos animados dos fins-de-semana de manhã. Recentemente, a editora de BD tem resgatado algumas destas personagens e as reinventado através de um prisma adulto. Perderam-se os desenhos cartoonescos e as temáticas são agora maduras e complexas. Nunca tinha lido nada até este Snagglepuss e a surpresa foi significativa. 

A história ocorre na década de 50 dos EUA, durante um período da História deste país com relevantes convulsões sociais. Estávamos em plena Guerra Fria e esta foi usada como justificação de algumas agendas mais tradicionalistas para procederem a uma caça às bruxas mais ideológica que política. Snagglepuss é  um conhecido artista de Teatro que tem de esconder a sua preferência sexual. Ele é gay, um actor conhecido, mas o clima social e político não são propícios à sua liberdade pessoal.

Mark Russel escreve um enredo complexo e cativante, com diálogos inteligentes e adultos. Apesar da forma - os protagonistas são personagens antropomorfizados -, a história flui sem problemas e de forma séria. Não existe nenhuma necessidade de suspensão da descrença apesar de estarmos a falar de um leão das montanhas cor-de-rosa. Apesar de ainda muito no início, pela amostra deste primeiro capítulo, podemos já aqui ter uma das melhores BDs de 2018.

Captain America número 697 de Mark Waid e Chris Samnee (Marvel)


O Capitão está de volta. The All-American, applepie version. E ainda bem. Desde há uns anos a esta parte que esta personagem apenas sobrevive no ranking das competitivas vendas do EUA quando passa por um evento catastrófico. Primeiro pelas mãos de Ed Brubaker, que o matou e ressuscitou. Depois por Rick Remender, que lhe deu um filho e envelheceu-o. E mais recentemente pela versão nazi escrita por Nick Spencer. Depois desta última controvérsia, a Marvel decidiu regressar às origens da personagem, adoptando a fórmula DC Rebirth: os seus heróis, o Capitão inclusive, regressariam às versões clássicas (e, já agora, as revistas às numerações iniciais - como podem comprovar pelo número 697). Para que isso ocorresse de forma suave, ninguém melhor para escrever que Mark Waid, que não só é conhecido pelo seu gosto e talento clássico como também por ter escrito uma das melhores sequências de histórias do passado da personagem. Regressa com o auxílio de um  seu colaborador recente, Chris Samnee, com quem trabalhou no Demolidor e Viúva Negra.

Já estamos com três números no total com esta equipa criativa e, no que a mim diz respeito, é com este capítulo que Waid e Samnee entram no groove. Deixamos de lado a Real America e entramos na vertente super-heroística, com o conflito com Kraven, O Caçador, vilão do Homem-Aranha. A premissa é perfeitamente banal e a surpresa inexistente mas é uma história bem executada. Waid deixa a capacidade de storytelling de Samnee respirar, abstendo-se de diálogos e deixando a acção falar por si. A leitura torna-se parcimoniosa mas entretida e sem pretensões. Um conto de super-heróis sem grandes metáforas. Apenas uma aventura à antiga. Ou seja, ainda que não ofereça nada de inovador também não procura ser a próxima grande modificação do status quo para fazer aumentar as vendas. Duvido que a Marvel resista por muito mais tempo. É que a editora está viciada em reboots e grandes mudanças. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 2

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Doomsday Clock número 2 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

Esta é daquelas BDs onde os apreciadores dividem-se. Escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank, é uma assumida sequela da "maior BD de sempre", os Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons. Este tipo de genealogia leva a que seja necessária uma enorme coragem - ou um gigantesco ego -  para prosseguir com a intenção. DClock vem também na senda do conceito-chapéu do universo de super-heróis da DC, DC Rebirth, iniciado em 2016 pelo próprio Johns e que tem como intenção reabilitar a esperança e a luminosidade dos homens de collants da editora. Assim sendo, esta mini-série de 12 números junta o universo distópico e realista dos Watchmen com a fantasia dos super-heróis DC, procurando uma análise de ambos à luz de cada um deles. Se os Watchmen eram uma reflexão, entre outras, sobre o que significa o conceito de super-herói, usando, para isso, arquétipos baseados no Super-Homem, no Batman, na Mulher-Maravilha, este DClock junta a matéria prima original com os análogos para uma análise meta-textual de ambos. Vou ser claro, Geoff Johns e Gary Frank não são Moore e Gibbons e esta mini-série não parece querer trilhar a mesma complexidade temática. Não é também - e de todo - só entretenimento, seguindo uma via mais reflectida e filosófica que espelha as preocupações dos autores. Por outro lado, Johns parece querer tecer uma complexa tapeçaria para o Universo DC, o que se pode depreender pelas quatro páginas de texto de noticias que fecham este segundo capítulo. É uma ambição interessante e cativante que, se der os frutos certos, poderá transformar este DClock numa obra seminal. A qualidade global desta história será difícil de avaliar antes da última página, o que acontecerá apenas daqui a dez meses, mas estamos num excelente começo. Até lá, mal posso esperar por cada novo número do que espero ser uma obra que, não sendo os Watchmen, fique, pelo menos, na sua sombra - o que não é um mau lugar onde se estar.

Hawkman Found número 1 de Jeff Lemire e Brian Hitch (DC Comics)

Não sei qual a razão porque gosto tanto do Hawkman. Será por causa de uma BD que li há muitos anos, The Shadow War of Hawkman, ou da sequência de histórias de Geoff Johns? Exista algo na mitologia da personagem que me atrai. O arqueólogo-guerreiro, o super-herói com asas ao estilo Conan, a história de dois amantes destinados a morrerem e ressuscitarem eternamente. Eu acho que acho que isto é material de primeira para um grande filme. E para uma fabulosa BD. Fiquei com pena que Johns tivesse abandonado a sua história a meio e adorava que James Robinson (do maravilhoso Starman) o escreve-se (com Rags Morales a regressar ao desenho do herói). É daquelas personagens que a DC possui no seu catálogo e que é repetidamente mal aproveitada - leia-se, mal escrita. Pode ser que seja desta. Hawkman é peça central da saga Dark Nights - Metal, de Scott Snyder e Greg Cappulo, e este especial procura dar algumas respostas (spoiler) à última página do número quatro dessa série. Infelizmente, apesar de bem executado pelos autores, respostas não são muitas. Não é de estranhar. Snyder já repetiu que toda a história está contida nas páginas da sua série (o que me parece muito bem). Apesar de ser um número apenas razoável mas bem feito, fica a esperança de que Hawkman venha a ver melhores dias, nas mãos de autores capazes de o levar às alturas (pois, estava mesmo a pedi-las) que ele merece.

Spider-Men II números 1 a 5 de Brian Michael Bendis e Sara Pichelli (Marvel)


Esperei que tivessem saído os cinco números desta mini-série para a ler de uma assentada, o que fiz em menos de trinta minutos - acho que alguns autores e editoras exageram na síntese (não que a qualidade se meça ao metro de palavras). É a sequela de uma primeira que une as duas personagens que actualmente usam o nome de Homem-Aranha no universo da Marvel: a versão que todos conhecemos e amamos, Peter Parker; e a criada  por Bendis, Miles Morales. Miles vem de uma terra paralela que, entretanto, fundiu-se com a "nossa" (sim, super-heróis é isto). Essa outra Terra fazia parte de uma linha editorial da Marvel que começou no início do século XXI chamada Ultimate e que procurava cativar novos leitores ao reiniciar a história do Homem-Aranha, dos Vingadores, dos X-Men, do zero, com novas versões e novas histórias. O trepa-paredes foi exclusivamente escrito por Bendis (sim, desde há 17 anos). A início era uma versão de Peter Parker mas, entretanto, morreu e foi substituído por Morales. As duas terras fundiram-se no evento Secret Wars e agora coexistem no mesmo universo (agora voltem a ler isto sem se rirem). Esta mini-série parece servir vários propósitos e todos ligados ao legado de Bendis na Marvel. Independentemente de se gostar ou não, este autor marcou o século XXI da editora, com histórias, conceitos e personagens que oscilaram entre o entusiasmante e o sofrível. Dois deles foram, sem dúvida, o Homem-Aranha Ultimate e o universo onde estava inserido. Antes de sair para a DC, o escritor parece querer deixar alguma arrumação na casa e uns presentes-surpresa aqui e acolá. As últimas páginas de Spider-Men II são exactamente isso. Abre portas que se julgavam fechadas e deixa o trabalho para os que quiserem aproveitar. 

De resto, é uma união de dois personagens ímpar, num confronto pessoal mas, em última análise, redundante. Muito mais interessante é o tratamento que Bendis faz aos antagonistas, dedicando-lhes um capítulo inteiro para explicar motivações, personalidades, etc. Esses, sim, são os verdadeiros heróis desta mini-série. Quem lê e gosta da mitologia da Marvel é obrigado a ler esta história. Os outros poderão encontrar interesse nos vilões mas pouco mais.

Uma BD aqui, outra BD ali, 1

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Dark Nights - Metal número 4 de Scott Snyder e Greg Cappulo (DC Comics)

Eu tenho uma paixão pela mitologia pura, não filtrada, dos super-heróis. Aquela em que a escala da luta é multi-universal, em que os vilões são a consumada encarnação do Mal, seres hiperpoderosos capazes de destruir a Realidade com um estalar dos dedos. Dark Nights  - Metal é isso e muito mais. É a Liga da Justiça, é o Super-Homem, é o Batman, é a Mulher-Maravilha, contra versões negras e maléficas do Homem-Morcego. É o palco escancarado da Cosmologia DC pronto a ser absorvido sem limites, como uma orgia em Las Vegas. Ou melhor, como um concerto metálico com todos as cabeças de cartaz dos vossos sonhos. Este número tem a  delícia de, uma vez mais, reescrever a Cosmogonia do multiverso da DC. Mas não é redundante, antes a evolução do trabalho de mestres como Marv Wolfman e Grant Morrison. Não é fácil de chegar a cada pormenor desta história porque é necessário ser doutorado em DC para perceber as implicações de cada palavra e de cada acção mas, ainda assim, é possível o leitor casual entreter-se (acho!). Scott Snyder e Greg Cappulo estão a divertir-se à brava e eu com eles. Nunca mais chegam os números cinco e seis, com a conclusão deste delírio orgiástico protagonizado pelos homens de collants.

Defenders (2017) número 8 de Brian Michael Bendis e David Marquez (Marvel)

Eu gosto do Bendis. Não de tudo, claro. Adorei o seu Ultimate Spider-Man, New Avengers e Demolidor. Não gostei dos seus Guardiões da Galáxia (o maior pecado na Marvel). Defenders é a sua praia. Tem Luke Cage, o seu herói favorito. Tem o Demolidor, que escreveu de forma soberba. Tem Jessica Jones, que criou para  Marvel. Tem o Punho de Ferro. É acção e intriga ao nível da rua, da criminalidade organizada. E, neste número oito, tem ainda Deadpool, com cuja voz Bendis safa-se muito bem. Defenders vai ser um dos adeus de Bendis à Marvel quando migrar para a DC. Ao ler estes primeiros oito números fico com uma gigantesca pena que não continue. Têm sido perfeitos, no que a mim diz respeito. Equilíbrio entre acção e a verborreia que caracteriza o escritor. Claro que é ajudado pelo traço e talento de David Marquez, que depois de Ultimate Spider-Man e Guerra Civil II atinge aqui outros níveis de excelência. De perfeição. Não tem existido, até à data, um único número abaixo de uma elevada fasquia de qualidade. É o canto do cisne apropriado para a Marvel de Bendis.




X-Men - The Grand Design número 1 de Ed Piskor (Marvel)

Um dos grande dramas de quem gosta dos X-Men é tentar convencer a namorada, namorado ou amigos a lerem-nos. Invariavelmente, terá de dizer: "aquilo lê-se muito bem mas é complicado". X-Men é O teste definitivo de resiliência dos que querem entrar na BD dos EUA. Os 50 anos de história(s) cresceram para um nível de complexidade apenas equiparável à Teoria Quântica. Ed Piskor é conhecido da BD alternativa com a obra Hip-Hop Family Tree mas, como o próprio o diz, antes de entrar no mundo autoral (termo que não gosto mas assim simplifico-vos a vida) adorava X-Men. Principalmente os 300 primeiros números da revista Uncanny X-Men. Quando foram escritos e desenhados por mestres como Stan Lee, Jack Kirby, Neal Adams, Roy Thomas, Len Wein, Dave Cockrum, Chris Claremont, John Byrne, Paul Smith, John Romita Jr., Marc Silvestri, Jim Lee, Arthur Adams, etc, etc, etc. Chris Claremont, principalmente, escreveu durante 16 anos a revista dos mutantes da Marvel e construiu uma mitologia incomparável. Complexa mas sedutora. Complicada mas inebriante. A ele a Marvel e a cultura pop devem uma dívida gigantesca. Ed Piskor propõe-se resumir, ao longo de seis números, esses 300 números de histórias. Se este primeiro é prova do que aí vem, os fãs já não terão desculpas para não introduzir novos leitores aos X-Men. Ed Piskor está a tratar disso, numa BD que será de leitura obrigatória para fãs destes mutantes, de BD e de world building. Mitologia moderna é isto. Venham os números que seguem (um obrigado ao Gonçalo pela sugestão).

Colecção Harley Quinn da Levoir vol. 2: Miúdas sem Regras de Jimmy Palmiotti e Amanda Conner

Harley Quinn, a namorada do Joker. Foi assim que, em Setembro de 1992, ela foi-nos apresentada no episódio Joker's Favor da série de desenhos animados de TV, Batman, The Animated Series. Voz esganiçada, sotaque sulista, devota ao seu amor. Psicopata, claro - porque quem mais poderia amar um lunático como o Joker? Esta estranha combinação funcionou e ela transformou-se num sucesso. Uma criação original da TV que ganharia tanta fama que passaria para a BD e não o contrário.

Mas esta realidade escondia uma outra, mais negra. Harley era abusada, física e moralmente, pelo Joker. Bem vistas as coisas, não poderia ser outra forma. O Joker é um psicopata obcecado por um sociopata com problemas parentais graves, o Batman. No meio da luta de egos e no meio de uma paixão claramente doentia estava uma rapariga que não era de todo inocente mas era, declaradamente, uma vítima. Muitos foram os anos em que o Príncipe do Crime abusou da sua relação com Harley. Até que algo rebentou. Pode ter sido a amizade que ela cultivou com Hera Venenosa, outra arqui-inimiga do Batman, e que tem uma paixão não correspondida pela nossa heroína. Pode ter sido um bom e velho sentido de amor-próprio, que a fez descolar da personalidade tóxica do Joker e enveredar pelo seu próprio caminho.

O que quer que tenha sido, é nessa circunstância que encontramos Harley nesta colecção da Levoir: livre e dona do seu próprio destino, que é onde ela e todas as mulheres devem estar.

Segue-se uma pequena síntese deste segundo volume e previews.

Harley Quinn: Miúdas sem regras

Russos e ursos, assaltos a bancos, peças de teatro e jogos de Roller Derby. Descoberto o mistério sobre quem lhe tinha colocado a cabeça a prémio, há ainda muito com que Harley Quinn se pode entreter, para variar do seu enfadonho negócio de ser proprietária de um edifício em Coney Island, Nova Iorque!

Sobretudo se conseguir juntar um grupo de amigas e não se deixar limitar por nenhumas regras. Regras que não existem no clube de combate clandestino que Harley descobriu, onde mais ganhas consoante os adversários que derrubares. Com um agente como Sy Borgman, o velho espião cheio de partes biónicas, a representá-la, Harley tem tudo para arrasar… em todos os sentidos.

Neste segundo volume, há ainda espaço para recontar, numa perspectiva diferente, a origem secreta de Harley Quinn, numa história ilustrada por Stéphane Roux.




Colecção Harley Quinn da Levoir vol. 1: À solta na cidade de Jimmy Palmiotti e Amanda Conner

Muitas foram as personagens da BD dos EUA que não começaram nas páginas da 9.ª Arte. Desde os remotos dias das emissões de rádio do Super-Homem na década de 40 que mitologias eram inventadas em outros meios que não o papel e só anos depois passavam para as tiras coloridas dos livros aos quadradinhos. Harley Quinn foi uma delas. A conhecida como "a namorada do Joker" começou na lendária série de TV Batman The Animated Series e no episódio Joker's Favor (setembro de 1992). O que a princípio era para ser apenas uma aparição fugaz, muito graças à força do conceito criado por Paul Dini e Bruce Timm e à voz maravilhosa e única que Arlee Sorkin criou para a Harley, transformaram-na num dos conceitos eternos associados à mitologia do Homem-Morcego. Tão eterno e tão poderoso que existe quem diga que a Santíssima Trindade da DC é agora um quarteto. Quem diria que a vilã apaixonada pelo psicopata obcecado pelo Batman estaria ao lado deste, da Mulher-Maravilha e do Super-Homem?

A primeira vez que a Dra. Harley Quinzel aparece nas páginas da BD é em 1994 e escrita pelo seu criador, Paul Dini, que escolhe contar a trágica transformação de uma pacata psicóloga na psicopata apaixonada pelo Joker. Chamou-lhe (apropriadamente) Mad Love e ganhou um Eisner com esse livro (já publicado pela Levoir). Serão necessários mais uns anos para que Harley migre definitivamente para o universo "normal" de super-heróis da DC. Isto acontece no especial Batman: Harley Quinn, parte de um mega-evento de 1999 chamado No Man's Land - a premissa sendo que Gotham City é isolada do mundo pelo governo dos EUA e passa a ser uma terra sem lei. Finalmente, entre 2001 e 2003, consegue a primeira revista a solo, onde usa o uniforme criado pelos criadores originais do desenho animado e começa a lenta caminhada para transformar-se na princesa da DC (claro que a rainha é a princesa Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha... esperem! A rainha é uma princesa e a criminosa é a princesa? Esta analogia não é lá muito feliz).

Em 2011 a DC decide reiniciar o seu universo de super-heróis do zero e aposta numa nova revista a solo para Harley. A esse "reboot" a editora chama Novos 52 que é onde se passa a fase da anti-heroína que têm em mãos hoje junto com o jornal Público. Com um uniforme mais risqué e escrita por Jimmy Palmiotti e Amanda Conner, a namorada do Joker será catapultada para fora da sombra do companheiro e para o estrelato que merece.

Em baixo segue um pequeno resumo do primeiro volume desta colecção de três e alguns previews.

Harley Quinn: À solta na cidade 

Como é que uma rapariga se pode descobrir a si mesma no meio da confusão do Universo DC? Nada mais fácil que falar com os artistas que a desenham e escrevem, e impor algumas regras! Esta aventura surreal ilustrada por alguns dos maiores nomes dos comics, dá o ponto de partida para a nova vida de Harley Quinn, escrita por Jimmy Palmiotti e Amanda Conner. No início desta nova série, Harley herda de um dos seus pacientes no Asilo Arkham um prédio de habitação e comércio em Coney Island, Nova Iorque, o que lhe dá a oportunidade perfeita de recomeçar a vida longe de Gotham e do Joker.

Mas os impostos e os custos de manutenção do edifício são elevados e as rendas pagas pelos peculiares inquilinos não cobrem estes custos, o que obriga Harley a voltar a trabalhar como psiquiatra num lar de idosos de dia, e integrar uma equipa de Roller Derby à noite, para poder pagar as contas. Se a isto juntarmos os inúmeros assassinos que aparecem, atraídos por uma recompensa de dois milhões de dólares pela sua cabeça e uma rede de antigos espiões do KGB, que vai ajudar Sy Borgman, um agente reformado da CIA, a desmantelar, vemos que a nova vida de Harley está bastante preenchida.





Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 5: A Guerra de Darkseid II de Geoff Johns e Jason Fabok


Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir está a publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.

Para este volume e para o próximo vão precisar de paciência. Muita... mas da boa. Geoff Johns decidiu acabar a sua sequência de histórias na Liga da Justiça, versão Novos 52, com uma saga que deveria definir a própria palavra "épico" e que está completamente imersa na mitologiacosmologia cosmogonia da DC Comics. É possível apreciar este conto sem os olhos treinados de um leitor de décadas mas tê-los ajuda - e muito. Por outras palavras, este livro e o próximo são pura pornografia DC.

Ora bem... é impossível escapar a alguma(s) explicação(-ções). Podem partir para a ignorância e ler à bruta mas arriscam-se a andar a nadar na maionese. É só o que vos tenho a dizer. Ou então são como eu e, paradoxalmente, gostam de mistérios e de descortinar "O que raio foi isto que aconteceu? Pareço estar num sonho pop do Lynch. Não entendo mas sei que gosto." Se são destes, força, partam para ignorância e leiam à bruta. Se são dos outros, pode ser que o que escrevo em baixo vos ajude.

Multiverso DC: Tudo começou quando os fãs da década de 60 do Flash conheceram o Flash da década de 40 (Flash é aquele herói da DC que corre à velocidade da luz e, graças a isso, pode viajar no tempo e atravessar barreiras dimensionais). Nesse encontro de gerações, os fãs da editora souberam existirem várias Terras, a ocupar o seu lugar em universos paralelos e diferentes. Num universo os heróis tinham iniciado a sua carreira na 2.ª Guerra e noutro apenas na década de 60. O sucesso levou a que a DC se multiplicasse em universos paralelos e Terras Infinitas, o Multiverso. Até que em meados da década de 80 a confusão era muita;

As Crises: Para corrigir o rumo, a DC decide simplificar o seu multiverso e fundi-lo num só universo. Cria o evento Crise nas Terras Infinitas (publicado pela Levoir) que marca uma viragem na editora, conceptual e criativa. Seguir-se-iam outras Crises que corrigiriam alguns erros da primeira e que procuraram repetir o sucesso. Essas crises aparecem nos primeiros capítulos da Guerra de Darkseid relatadas por Metron (já explico quem é): a Hora Zero; a Crise Infinita; a Crise Final; o Flashpoint. O que importa reter é que foi recentemente estabelecido que, apesar das sucessivas Crises reinventarem o multiverso DC e aparentarem recomeçá-lo do zero, elas aconteceram de facto e contam;

O Anti-Monitor: o vilão que causa a Crise nas Terras Infinitas. Nessa história o seu intuito era destruir todos os universos "positivos" para que o seu, "negativo", fosse o único e ele o seu Deus. Terá ainda a mesma motivação na Guerra de Darkseid?

Novos 52: Em 2011, depois de Flashpoint, a DC voltou a reiniciar o seu multiverso do zero e chamou a esse evento Novos 52. A história de todas as suas personagens foi, uma vez mais, reinventada. A Guerra de Darkseid passa-se nesta realidade;

As Amazonas: lendárias guerreiras da Antiguidade Grega, exiladas pelos Deuses do Olimpo na ilha paradisíaca de ThemysciraHipólita, a rainha, é mãe da maior heroína do Universo DC, Diana, a Mulher-Maravilha, membro fundador da Liga da Justiça. No Novos 52, Diana nasceu do romance entre a Rainha das Amazonas e Zeus, o maior dos deuses gregos. Nas versões anteriores e na original nasceu de barro moldado pela mãe e dado vida pelos deuses;

Novos Deuses, Apokolips, Nova Génesis, Darkseid e Highfather: Em tempos já esquecidos pela memória do universo, os deuses antigos pereceram numa batalha apocalíptica. Dessa morte houve um renascimento. Surgiram os Novos Deuses, divididos entre os do Mal, habitantes do Planeta Apokolips, e os do Bem, residentes de Nova Génesis. Os líderes desses dois mundos são Darkseid Highfather, respectivamente. O intuito de Darkseid é encontrar a Equação Anti-Vida, que eliminará a vontade de todos os seres vivos do Multiverso, que passarão a adorar apenas uma palavra e uma vontade, a sua. Ele é o déspota supremo, o maior de todos os males do universo DC. É a razão porque, neste Novos 52, a Liga originalmente se juntou. Nessa altura, Darkseid veio à Terra na busca de alguém e, finalmente, vamos saber quem esse alguém é;

Metron: Nem de Apokolips, nem de Nova Génesis, sempre um observador frio e distante de eventos. Por vezes intervém, sempre segundo uma agenda misteriosa e escondida. A Cadeira Mobius é a fonte do seu poder e da sua quase omnisciente sabedoria;

Mr. Miracle: para evitar a guerra, Darkseid e Highfather fizeram um tratado de paz. Trocariam de filhos. Scott Free, filho de Highfather, sofreria nas mãos de Darkseid. Orion, filho do Deus do Mal, prosperaria em Nova Génesis. Após escapar de Apokolips, Scott Free transformar-se-ia em Mr. Miracleo super-artista da fuga, o Houdini dos Novos Deuses;

Caixas-Mãe: computadores ultra-sofisticados dos Novos Deuses, quase vivos, usados quer por Apokolips, quer por Nova Génesis;

Steppenwolf: o general supremo dos exércitos de Darkseid (reconhecem-no como o antagonista do filme da Liga da Justiça);

Kalibak: outro dos filhos de Darkseid, eternamente na senda da aprovação do pai;

Kanto: o principal assassino do grupo mais próximo de soldados e generais de Darkseid;

Lashina: uma das cinco Fúrias, grupo de guerreiras e assassinas ao serviço de Darkseid;

Desaad: o torturador sádico de Darkseid;

Black Racer: uma das personificações e antropomortfizações da Morte no Multiverso DC. É ele o assassino de deuses;

Big Barda: ex-Fúria de Darkseid, apaixonou-se por Scott Free, o Mr. Miracle, e fugiu com ele para a Terra, onde habitam. Uma das maiores guerreiras do Universo DC, a par de Diana;

Sindicato do Crime: versão maléfica da Liga oriunda da Terra-3. Fugiram para a nossa Terra após a sua ter sido destruída, por razões ainda desconhecidas, pelo Anti-Monitor. Foram o móbil da série Mal Eterno, publicado este ano pela Levoir;

Super-Mulher: versão maléfica da Mulher-Maravilha oriunda da Terra-3. Sabe-se que se encontra grávida da versão de Lex Luthor da Terra-3. Esse Luthor, do lado do Bem esteve imbuído do poder de Shazam, um herói tão poderoso quanto o Super-Homem na nossa Terra e maléfico na 3;

Ultra-Homemversão maléfica do Super-Homem oriundo da Terra-3, líder do Sindicato do Crime:

Owlmanversão maléfica do Batman oriundo da Terra-3;

Source Wall: o limite físico do Multiverso DC. Manifesta-se como uma gigantesca muralha, inultrapassável, ornada das estátuas gigantes daqueles que ousaram tentar passar. Esses são conhecidos como os Gigantes de Prometeus. Do outro lado, julga-se existir O Criador;

Rocha da Eternidade: o centro físico e metafórico do Multiverso DC. Fonte de magia, nele habita o feiticeiro Shazam, que conferiu poderes ao adolescente Billy Batson, conhecido como o super-herói do mesmo nome (antes o Capitão Marvel, mas a editora Marvel ficou com os direitos de uso desse epíteto);

Complicado, não é? Mas eu acho (que acho) que vale mesmo a pena. Divirtam-se! É o que importa...

(seguem-se previews mas antes podem ler aqui o que escrevi sobre o último capítulo desta Guerra de Darkseid (COM SPOILERS), à altura do seu lançamento)




Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 4: A Guerra de Darkseid de Geoff Johns e Jason Fabok





Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir está a publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.

Para este volume e para o próximo vão precisar de paciência. Muita... mas da boa. Geoff Johns decidiu acabar a sua sequência de histórias na Liga da Justiça, versão Novos 52, com uma saga que deveria definir a própria palavra "épico" e que está completamente imersa na mitologia, cosmologia e cosmogonia da DC Comics. É possível apreciar este conto sem os olhos treinados de um leitor de décadas mas tê-los ajuda - e muito. Por outras palavras, este livro e o próximo são pura pornografia DC.

Ora bem... é impossível escapar a alguma(s) explicação(-ções). Podem partir para a ignorância e ler à bruta mas arriscam-se a andar a nadar na maionese. É só o que vos tenho a dizer. Ou então são como eu e, paradoxalmente, gostam de mistérios e de descortinar "O que raio foi isto que aconteceu? Pareço estar num sonho pop do Lynch. Não entendo mas sei que gosto." Se são destes, força, partam para ignorância e leiam à bruta. Se são dos outros, pode ser que o que escrevo em baixo vos ajude.

Multiverso DC: Tudo começou quando os fãs da década de 60 do Flash conheceram o Flash da década de 40 (Flash é aquele herói da DC que corre à velocidade da luz e, graças a isso, pode viajar no tempo e atravessar barreiras dimensionais). Nesse encontro de gerações, os fãs da editora souberam existirem várias Terras, a ocupar o seu lugar em universos paralelos e diferentes. Num universo os heróis tinham iniciado a sua carreira na 2.ª Guerra e noutro apenas na década de 60. O sucesso levou a que a DC se multiplicasse em universos paralelos e Terras Infinitas, o Multiverso. Até que em meados da década de 80 a confusão era muita;

As Crises: Para corrigir o rumo, a DC decide simplificar o seu multiverso e fundi-lo num só universo. Cria o evento Crise nas Terras Infinitas (publicado pela Levoir) que marca uma viragem na editora, conceptual e criativa. Seguir-se-iam outras Crises que corrigiriam alguns erros da primeira e que procuraram repetir o sucesso. Essas crises aparecem nos primeiros capítulos da Guerra de Darkseid relatadas por Metron (já explico quem é): a Hora Zero; a Crise Infinita; a Crise Final; o Flashpoint. O que importa reter é que foi recentemente estabelecido que, apesar das sucessivas Crises reinventarem o multiverso DC e aparentarem recomeçá-lo do zero, elas aconteceram de facto e contam;

O Anti-Monitor: o vilão que causa a Crise nas Terras Infinitas. Nessa história o seu intuito era destruir todos os universos "positivos" para que o seu, "negativo", fosse o único e ele o seu Deus. Terá ainda a mesma motivação na Guerra de Darkseid?

Novos 52: Em 2011, depois de Flashpoint, a DC voltou a reiniciar o seu multiverso do zero e chamou a esse evento Novos 52. A história de todas as suas personagens foi, uma vez mais, reinventada. A Guerra de Darkseid passa-se nesta realidade;

As Amazonas: lendárias guerreiras da Antiguidade Grega, exiladas pelos Deuses do Olimpo na ilha paradisíaca de Themyscira. Hipólita, a rainha, é mãe da maior heroína do Universo DC, Diana, a Mulher-Maravilha, membro fundador da Liga da Justiça. No Novos 52, Diana nasceu do romance entre a Rainha das Amazonas e Zeus, o maior dos deuses gregos. Nas versões anteriores e na original nasceu de barro moldado pela mãe e dado vida pelos deuses;

Novos Deuses, Apokolips, Nova Génesis, Darkseid e Highfather: Em tempos já esquecidos pela memória do universo, os deuses antigos pereceram numa batalha apocalíptica. Dessa morte houve um renascimento. Surgiram os Novos Deuses, divididos entre os do Mal, habitantes do Planeta Apokolips, e os do Bem, residentes de Nova Génesis. Os líderes desses dois mundos são Darkseid e Highfather, respectivamente. O intuito de Darkseid é encontrar a Equação Anti-Vida, que eliminará a vontade de todos os seres vivos do Multiverso, que passarão a adorar apenas uma palavra e uma vontade, a sua. Ele é o déspota supremo, o maior de todos os males do universo DC. É a razão porque, neste Novos 52, a Liga originalmente se juntou. Nessa altura, Darkseid veio à Terra na busca de alguém e, finalmente, vamos saber quem esse alguém é;

Metron: Nem de Apokolips, nem de Nova Génesis, sempre um observador frio e distante de eventos. Por vezes intervém, sempre segundo uma agenda misteriosa e escondida. A Cadeira Mobius é a fonte do seu poder e da sua quase omnisciente sabedoria;

Mr. Miracle: para evitar a guerra, Darkseid e Highfather fizeram um tratado de paz. Trocariam de filhos. Scott Free, filho de Highfather, sofreria nas mãos de Darkseid. Orion, filho do Deus do Mal, prosperaria em Nova Génesis. Após escapar de Apokolips, Scott Free transformar-se-ia em Mr. Miracleo super-artista da fuga, o Houdini dos Novos Deuses;

Caixas-Mãe: computadores ultra-sofisticados dos Novos Deuses, quase vivos, usados quer por Apokolips, quer por Nova Génesis;

Steppenwolf: o general supremo dos exércitos de Darkseid (reconhecem-no como o antagonista do filme da Liga da Justiça);

Kalibak: outro dos filhos de Darkseid, eternamente na senda da aprovação do pai;

Kanto: o principal assassino do grupo mais próximo de soldados e generais de Darkseid;

Lashina: uma das cinco Fúrias, grupo de guerreiras e assassinas ao serviço de Darkseid;

Desaad: o torturador sádico de Darkseid;

Black Racer: uma das personificações e antropomortfizações da Morte no Multiverso DC. É ele o assassino de deuses;

Big Barda: ex-Fúria de Darkseid, apaixonou-se por Scott Free, o Mr. Miracle, e fugiu com ele para a Terra, onde habitam. Uma das maiores guerreiras do Universo DC, a par de Diana;

Sindicato do Crime: versão maléfica da Liga oriunda da Terra-3. Fugiram para a nossa Terra após a sua ter sido destruída, por razões ainda desconhecidas, pelo Anti-Monitor. Foram o móbil da série Mal Eterno, publicado este ano pela Levoir;

Super-Mulher: versão maléfica da Mulher-Maravilha oriunda da Terra-3. Sabe-se que se encontra grávida da versão de Lex Luthor da Terra-3. Esse Luthor, do lado do Bem esteve imbuído do poder de Shazam, um herói tão poderoso quanto o Super-Homem na nossa Terra e maléfico na 3;

Ultra-Homemversão maléfica do Super-Homem oriundo da Terra-3, líder do Sindicato do Crime:

Owlmanversão maléfica do Batman oriundo da Terra-3;

Source Wall: o limite físico do Multiverso DC. Manifesta-se como uma gigantesca muralha, inultrapassável, ornada das estátuas gigantes daqueles que ousaram tentar passar. Esses são conhecidos como os Gigantes de Prometeus. Do outro lado, julga-se existir O Criador;

Rocha da Eternidade: o centro físico e metafórico do Multiverso DC. Fonte de magia, nele habita o feiticeiro Shazam, que conferiu poderes ao adolescente Billy Batson, conhecido como o super-herói do mesmo nome (antes o Capitão Marvel, mas a editora Marvel ficou com os direitos de uso desse epíteto);

Complicado, não é? Mas eu acho (que acho) que vale mesmo a pena. Divirtam-se! É o que importa...

(seguem-se previews mas antes podem ler aqui o que escrevi sobre o primeiro capítulo desta Guerra de Darkseid, à altura do seu lançamento)




Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 3: O Prego - Teoria do Caos de Alan Davis

Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir está a publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.


A editora DC Comics é conhecida pelo uso descontraído da galeria de personagens ao seu dispor. O Super-Homem, a Mulher-Maravilha e o Batman, para mencionar os mais importantes e conhecidos, são algumas das personagens de BD mais conhecidas dentro e fora do mundo da 9.ª Arte. Não só existem há oito décadas, como já ultrapassaram as fronteiras desta indústria e transformaram-se em arquétipos. Os super-heróis são julgados pelo modelo que criaram. Graças a esta transversalidade e ao aspecto icónico dos mesmos, muitos são os autores que agarram no molde e adaptam-no a circunstâncias diferentes do cânone, analisando o próprio arquétipo e o mundo real. Estes "desvios" começaram a aparecer desde cedo e, nos finais da década de 80 e com mais força a partir da de 90, a editora passou a catalogá-los com o nome de Elseworlds - mundos que, por acaso do destino, têm minúsculas ou significativas diferenças em relação ao "nosso". Não deixavam de ser reconhecíveis mas, ao mesmo tempo, diferentes. Foi assim que apareceu o Super-Homem criado na Rússia Comunista, o Batman da Época Vitoriana (ambas já publicadas pela Levoir), etc.

Este terceiro volume da colecção da Liga volta a visitar um mundo alternativo, desta vez inteiramente criado pelo veterano Alan Davis, muito apreciado pelos fãs de BD de super-heróis, por causa do seu traço dinâmico e adaptado a estas mitologias. Nele, o escritor/desenhador parte de um poema de George Herbert, publicado na colectânea Jacula Prudentum (1651), para imaginar um mundo onde o Super-Homem não é criado pelo casal Kent e o universo ficcional da DC cresce sem a presença do maior dos seus super-heróis. 

"Por falta de um prego perdeu-se a ferradura; por falta da ferradura perdeu-se o cavalo; por falta do cavalo perdeu-se o cavaleiro, por falta do cavaleiro, perdeu-se a guerra." É este o poema que Davis usou como inspiração. Este é um mundo onde o Batman, a Mulher-Maravilha, Lois Lane (a eterna paixão do Homem de Aço), Jimmy Olsen (o melhor amigo), Lex Luthor (o arqui-inimigo), a Liga da Justiça, estão longe dos caminhos "normais". 

Esta reflexão de Davis não entra tanto pela filosofia ou política mas mais pelo lado pop das histórias da DC, pontuada por um elogio à Idade de Prata da editora (década de 60 e início da de 70), procurando mais um "o que aconteceria se?..." leve, descomprometido e, acima de tudo, entretido. Os menos conhecedores da galeria das personagens desta Idade não se sintam desmotivados com o aparecimento de tantos uniformes de cores garridas. Pensem antes no prazer da descoberta. No prazer de irem vasculhar a net e tentarem saber quem é a Patrulha Destino (Doom Patrol), os Novos Titãs (Teen Titans), a Batwoman, etc. 

O sucesso seria de tal forma significativo que aconteceria uma sequela com o sugestivo nome de Another Nail.

Uma BD leve e divertida para ler nestas noites frias. A capacidade de adaptação da mitologia DC é uma das razões porque muitos (como eu!) são fãs da editora. Recentemente, e depois de alguns anos sem Elseworlds, a DC regressou a este conceito com Nightwing - The New Order e Batman - White Knight (e ainda bem!).

(seguem previews)




Justice League de Zack Snyder (Liga da Justiça)

A que é que nos leva a paixão? 

Esperem!... Acho que já leram esta pergunta algures neste blog de cada vez que se começa a falar de algo sobre o qual será difícil ser objectivo. Ou, pelo menos, o objectivo que se deveria ser quando escreve-se sobre uma peça de arte ou de entretenimento. Nestas coisas da "crítica" todos temos um ponto de vista. O meu é de alguém que ama Banda Desenhada, lê-a há quase 40 anos, sempre foi apaixonado pela mitologia dos super-heróis e, principalmente, é alguém que adora a editora DC Comics. A Mulher-Maravilha é a minha personagem favorita de qualquer arte e a Liga da Justiça é uma das equipas destes personagens de ficção que mais me entusiasma. Portanto, seguem daqui para a frente por vossa conta e risco.

Dizer que os fãs esperavam há décadas por um filme deste grupo é usar a figura do eufemismo de forma eufemística. Se os filmes da Marvel foram um marco importante na passagem da BD à 7.ª Arte, para os que gostam da DC e do universo desta editora este é o Santa Graal (para mim foi antes o filme da Diana, mas adiante). Falamos dos maiores ícones da 9.ª Arte dos EUA. Falamos da reunião do Super-Homem (não pode ser considerado spoiler dizer que ele volta à vida), da Mulher-Maravilha, do Batman, do Flash, do Aquaman - e ainda do Cyborg (vamos ser claros, nada tenho contra a personagem mas não tem a mesma importância dos cinco primeiros). Durante duas horas vão poder ser entretidos pela dinâmica entre as personalidades destas seis figuras que se unem sobre a égide de uma ameaça global. E é esse um dos maiores méritos deste filme: o entretenimento. Se a seriedade e negritude do Batman v Superman vos fez impressão, então a Liga da Justiça é a antítese que precisavam (eu adorei os dois). se gostam de duas horas sentados numa sala de cinema com a cabeça desligada, então preparem-se porque este filme é para vocês. Argumento simples (talvez simples demais), directo, com uma ameaça que os heróis têm que derrotar depois de conciliarem as diferentes personalidades. 

E que personalidades. Essa é maior força do filme. As trocas de picardias e de miminhos entre as personagens são descontraídas, sérias quando necessário e, acima de tudo, ditas por personalidades únicas. Apesar do Batman sorrir mais do que o Batman deveria sorrir, é ele quem tenta motivar os seus companheiros de equipa a se unirem. Flash assume o lado humorístico e deslumbrado mas não deixa de ser um herói na busca da sua coragem. Aquaman é uma torrente (perdoem o trocadilho) de força bárbara e de masculinidade (talvez o mais diferente da versão da BD). Cyborg é um homem conturbado pelo seu aspecto físico e por poderes que desconhece e o perturbam. E a Diana é a cola que os une. Gal Gadot continua a deslumbrar no papel da Mulher-Maravilha, cada vez mais assumindo ser um dos maiores casting (se não o maior) de sempre em filmes de super-heróis. Por causa do sucesso do filme homónimo temos muito de Diana no filme e a Liga só tem a ganhar com isso. Ela é, tal como esta personagem deve ser, força, graça, determinação e, acima de tudo, compaixão e compreensão. É ela a líder que a Liga precisa e tem.

A história é épica, como todas as histórias da Liga devem ser. O vilão deveria ser mais complexo mas parece que a DC decidiu inflectir para o caminho da Marvel e dar mais atenção aos heróis e menos ao vilão. Ainda assim, somos presenteados com o passado do antagonista, que aparece contextualizado numa visão unida do universo dos super-heróis desta versão de cinema. Poderiam ter ido mais longe? Poderiam e muito, mas para quem acha que estas coisas devem ser servidas de forma parcimoniosa, então têm o prato perfeito. 

Os detractores do estilo de Zack Snyder podem ficar descansados - dos quais não faço parte porque adoro Man of Steel e BvS. O factor Joss Whedon teve o efeito desejado. Existe mais humor e descontracção. A palete de cores é luminosa (o que podem confirmar comparando os trailers pré e pós contratação de Whedon). Ainda assim, a assinatura de Snyder não está completamente ausente. Existe, abordada muito ao de leve, uma temática transversal às personagens: os progenitores dos membros da Liga. Todos têm uma relação ou situação conturbada com os pais, o que é sublinhado em mais do que uma circunstância. Nota-se existir um linha narrativa mais profunda relacionada com esta temática mas que, infelizmente, não é explorada o suficiente. É francamente pena.

Sim, adorei o filme mas nem tudo são rosas. O maior problema é o bigode do Super-Homem. Sim, eu não me enganei a escrever. Quando fizeram refilmagens no verão passado, Henry Cavill trabalhava já no Missão Impossível, onde usa um bigode que não podia cortar. Esse bigode é apagado digitalmente e nota-se - muito. Outro problema, também relacionado com os efeitos digitais, é o uso desnecessário dos mesmos. Quando é que os produtores de grandes blockbusters irão aprender que um pôr-do-sol é mais belo quando verdadeiro e não feito por computador? Os directores de fotografia estão ali para isso. Não será difícil encontrar um bom pôr-do-sol ou, faltando, um ambiente realista capaz de veicular o peso emocional da cena. Num filme desta envergadura e com este orçamento estas duas falhas são grandes demais para passarem despercebidas e serem desculpadas. 

Um filme divertido e entretido em que as personalidades são o forte. Um enredo simplista mas que funciona melhor do que estava à espera.

PS - Não se esqueçam de esperar pelas duas cenas pós-crédito que são, ao mesmo tempo, um gigantesco presente para os fãs da DC e uma preparação para o próximo filme da Liga.