Será que este Revenge de Coralie Fargeat veria a luz do dia anos atrás? Ou, pelo menos, com o formato que acabou por adquirir? Será que esta história de vingança de uma mulher violada seria exactamente assim? Será que necessitamos de movimentos #metoo, feminismos e sufragismos para que a sociedade reconheça o valor destas narrativas? Não falo de valor panfletário. Não falo do valor social. Falo da relevância comercial e artística. Décadas atrás, não passaria pela cabeça de ninguém negar a plataforma narrativa do Cinema a filmes de vingança de Rambos, Comanches e Chuck Norris. Será que precisamos de tanto tempo para saber que, sim, as mulheres também têm lugar neste tipo de filmes? A realidade é que agora começam a aparecer mais heroínas, mais revoltadas, mais protagonistas, em filmes que antes eram de exclusiva província masculina.
