Um homem fica doente. Um homem que dedicou a vida inteira a transmitir conhecimentos sobre Arquitectura. Fica hospitalizado na cidade de Columbus, nos EUA, onde iria dar uma palestra sobre essa mesma urbe, meca de edifícios de design único. Alunos e admiradores zelam pelo seu bem estar, mas é no filho que recai o peso maior, filho que vive como tradutor na Coreia do Sul, de onde o pai é originário. Obrigado a abandonar o seu trabalho e a sua vida, o personagem interpretado por John Cho irá confrontar-se com o legado de um pai ausente, ao mesmo tempo que conhece uma cativante jovem de 20 anos, na pele de Haley Lu Richardson. Ela anda à deriva, sem saber o que fazer depois de haver acabado o liceu, e nutre um amor profundo pela Arquitectura, tão importante na sua terra natal. Ao mesmo tempo, cuida de uma mãe com problemas profundos. Apesar da diferença de idade, irá germinar entre os dois uma profunda amizade, alicerçada num entendimento e respeito mútuos.
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Thelma de Joachim Trier
Thelma, estreado na semana passada pela chancela da distribuidora Cinema Bold, é um filme com todos os tiques do melhor do terror. Esta estética continua a atrair vários realizadores, que gravitam na direcção de um estilo onde podem brincar com as emoções dos espectadores de uma forma primal e pura. Joachim Trier, realizador dinamarquês que deu-nos, por exemplo, Oslo 31 de Agosto, não é excepção. Ainda que este último filme se centrasse nos dramas bem reais de um jovem a recuperar de uma adicção a drogas, não deixa de partilhar do código genético de Thelma. Ambos centram-se nos dramas de dois jovens. Acontece que um é mais fantástico do que outro.
Cold War (Guerra Fria) de Pawel Pawlikowski
Não gosto de ser acusado de pedante, mas acho que, desta vez, será impossível não acontecer. O novo e belo e brilhante filme do realizador de Ida, Pawel Pawlikowski, é o responsável. Larguem os Venom da vida - que ainda não vi. Esqueçam todos os filmes pipoca pelo menos uma vez neste ano, e desloquem-se a uma sala de cinema e vejam este Cold War - nesta altura que vos escrevo, o meu filme favorito de 2018. Aliás, não posso sublinhar com suficiente veemência que não o deixem sair de cartaz e não guardem para o ver num ecrã de TV ou outro qualquer de dimensão inferior. Este filme é uma das razões, no que a mim diz respeito, pela qual o Cinema existe e, portanto, deve ser visto em sala de ecrã de cinema.
Blackkklansman de Spike Lee
"É assim que os EUA dominam o mundo. Coca-Cola, Nike, Apple, hip-hop, rock 'n' roll, blues. Quando colocas cá fora coisas que modificam o modo das pessoas pensarem, falarem, dançarem - isso é poder. Bombardear pessoas não tem influência nenhuma. É essa a minha teoria de como os EUA dominaram o mundo: através da exportação da sua cultura, e no topo da lista está o Cinema." É Spike Lee quem o diz em entrevista à revista inglesa Sight & Sound.
MOTELx 2018 - Upgrade e Errementari
Upgrade de Leigh Whannell
O argumentista de "clássicos" do terror como Saw e Insidious tem a sua segunda incursão na cadeira da realização, com esta ideia original chamada Upgrade - estreou-se como realizador no terceiro capítulo de Insidious. Num futuro que se adivinha próximo, um homem é "actualizado" ciberneticamente, transformando-se numa mescla de humano e software de computador. Uma espécie de iPhone ambulante, inclusive com uma Siri. Essa "Siri" permite-lhe aceder a capacidades do corpo que, de outra forma, nunca teria acesso e permiti-lhe buscar a justiça que é o móbil do enredo deste filme. Se tudo isto parece-vos familiar, é porque o é, mas Leigh Whannell consegue encontrar novidade no repetido e surpresa no reconhecível. Isto é Robocop meets Black Mirror - a invenção desta frase não é exclusivamente minha.
MOTELx 2018 - Hagazussa: A Heathen’s Curse e The Promise
O bom de festivais de cinema é que, sem saber, somos presenteados com obras que não esperávamos marcar-nos tanto. No MOTELx já foram inúmeras, no que a mim diz respeito. Lembro-me, por exemplo, do soberbo It Follows. O mau é que, outras vezes, temos de aguentar até ao final, independentemente de estarmos ou não a gostar (eu sou dos que não consegue deixar um filme a meio). É a esperança (que descobre-se vã) que o filme que estamos a ver irá revelar-se melhor do que foi até aquele momento. E, infelizmente, foi o caso destes dois: Hagazussa: A Heathen’s Curse de Lukas Feigelfeld e The Promise de Sophon Sakdaphisit.
MOTELx 2018 - Unsane e Cold Skin
Talento. Parece tão simples, mas é na realidade tão difícil. É preciso tê-lo. Steven Soderbergh havia se zangado com o mundo do cinema e anunciado a sua reforma do mesmo. Refugiou-se na TV e em séries como The Knick, onde dizia possuir maior controlo criativo. E nós acreditamos nele. Contudo, o canto da sereia foi forte demais e eis que regressa ao seu primeiro amor, o da 7.ª Arte, com este maravilhoso Unsane.
The Death of Superman de Jake Castorena e Sam Liu
O ano de 1992 foi palco de um dos mais mediáticos eventos da história da Banda Desenhada: a morte de uma das suas mais famosas personagens, o Super-Homem. Em Portugal foi capa de jornais como o Público e o número 75 da revista homónima, onde o Homem de Aço dá o último suspiro, foi dos comics mais vendidos de sempre (6 milhões de exemplares). À altura, este evento provocou surpresa e estupefacção, já que a DC Comics tinha decidido pôr termo à vida do super-herói original, aquele que vencia e sobrevivia não importassem as circunstâncias. Claro que todos sabiam que os Deuses da Franquia nunca deixariam morrer uma tão importante máquina de fazer dinheiro, mas este acontecimento, seguido do aparecimento de quatro misteriosos substitutos e da inevitável ressurreição do herói, transportaria revistas relativamente banais para o top de vendas.
A Ciambra de Jonas Carpignano
O amor da cultura europeia pela tragédia remonta aos tempos de obras como Medeia ou Édipo Rei. Por mais que alguém tente escapar ao seu destino, os deuses conspiram para que caminhemos para ele, quer queiramos, quer não. Estava subjacente que a própria personalidade das personagens as conduzia para esse fim já decidido. Elas eram a sua própria tragédia. Elas não conseguiam escapar ao ambiente, à geografia, à genética, à condição sócio-económica, e eram arrastadas, por elas próprias, pelo percurso que parecia delineado desde a nascença. O fim era óbvio para quem estava atento ao início de cada história.
A Ciambra não é diferente deste quadro.
Ant-Man and the Wasp (Homem-Formiga e a Vespa) de Peyton Reed
Os estúdios cinematográficos da Marvel continuam a afirmar-se, ano após ano e lançamento após lançamento, como a maior força produtiva do Cinema vindo de Hollywood - o que, por definição, a transforma na maior do mundo. O que começou há 10 anos, cresceu ao ponto de transformar-se na bitola segundo a qual todos os aspirantes a Reis de Bilheteira se regem. A sua influência é gigante e omnipresente. Quem diria que um grupo muito pequeno de geeks da BD da década de 60 daria origem a este monstro financeiro que gera receitas raramente vistas? O irónico é que é a imaginação desses geeks ou daqueles que se sentiram inspirados (também) por eles que controlam a indústria cinematográfica dos EUA nesta primeira metade do século XXI. Não se esqueçam do Avatar de James Cameron, ou do Star Wars de George Lucas.
Mission Impossible: Fallout de Christopher McQuarrie
Parece impossível, mas a "saga" da Missão Impossível de Tom Cruise (sim, porque esta é uma franquia dele) começou há 22 anos. É um testemunho da resiliência dele, da nossa e da fórmula cinematográfica que, passadas estas quase duas décadas e meia, continuamos a querer ver numa sala de cinema. Nesse tempo, assistimos ao muito aguardado ascender dos todo-poderosos super-heróis, que passaram de produto da cultura popular de franja para dominadores do Box Office mundial. Assistimos ao que a imagem gerada pelo computador possibilita: espectáculos cada vez mais impossíveis para a física humana e, vamos ser honestos, para a Física tout court. Não deixa de ser irónico que, mesmo com esse epíteto de impossível, Tom Cruise e pandilha façam um filme destes: ultra-divertido e dentro da escala do humano.
Jusqu'à La Garde (Custódia Parilhada) de Xavier Legrand
O título português do primeiro filme de Xavier Legrand é enganador. Ainda que a questão da custódia partilhada seja um dos temos desta obra, está longe de ser o único e nem sequer o mais importante.Verdade que o trailer, que reproduz alguns dos primeiros minutos de Jusqu'à La Garde, reflecte essa questão cada vez mais na ordem do dia, mas este filme é mais complexo e desafiante. Se esta primeira tentativa numa longa-metragem é assim, só podemos estar desejosos dos próximos esforços deste realizador.
First Reformed (No Coração da Escuridão) de Paul Schrader
O que é hoje os EUA? Essa questão ecoa por todos os minutos deste maravilhoso filme do realizador Paul Schrader, também conhecido por ser o escritor das obra-primas da 7.ª Arte que são Taxi Driver e Touro Enraivecido. O silêncio e calmaria que permeia esta obra, esteticamente brilhante, parece ser a capa que disfarça uma tempestade voraz. Uma tormenta que quer consumir o mundo. Uma narrativa contida que esconde conflitos, desejos e ambições que ameaçam a sobrevivência, principalmente a do Homem.
Hikari (Esplendor) de Naomi Kawase
O novo filme de Naomi Kawase, depois de A Pastelaria de Tóquio, volta a envolver os protagonistas num dos sentidos do ser humano, neste caso a visão (A Pastelaria focava-se, obviamente, no paladar).
Filmes favoritos baseados em BDs (parte 2 de 2)
Vejam a primeira parte desta lista aqui.
Esta é uma lista pessoal, como não poderia deixar de ser. Misturam-se inclinações, preferências, uma pitada de coração, algum cérebro e, acima de tudo, a vontade de os querer rever sempre. Seguem em baixo, por ordem alfabética.
Esta é uma lista pessoal, como não poderia deixar de ser. Misturam-se inclinações, preferências, uma pitada de coração, algum cérebro e, acima de tudo, a vontade de os querer rever sempre. Seguem em baixo, por ordem alfabética.
Podem consultar aqui uma lista de todos os filmes, passados e futuros, baseados em BD. Escusado será dizer que vi apenas uma pequena parcela deles.
Man of Steel de Zack Snyder (2013)
Tinham passados apenas sete anos desde o mal-fadado Superman Returns de Bryan Singer, quando o também odiado Zack Snyder decide revisitar a mitologia do Homem de Aço.
Man of Steel de Zack Snyder (2013)
Tinham passados apenas sete anos desde o mal-fadado Superman Returns de Bryan Singer, quando o também odiado Zack Snyder decide revisitar a mitologia do Homem de Aço.
Han Solo: A Star Wars Story de Ron Howard
A Disney prometeu e entregou. Depois de adquirir um dos universos mais conhecidos de fantasia e de ficção científica, teve a ambição de lançar mais filmes passados numa galáxia muito distante.
Filmes favoritos baseados em BDs (parte 1 de 2)
Podem consultar aqui uma lista de todos os filmes, passados e futuros, baseados em BD. Escusado será dizer que vi apenas uma pequena parcela deles.
300 de Zack Snyder (2006)
Frantz de François Ozon
François Ozon é daqueles realizadores que consegue ser profundamente francês sem perder nenhum do apelo internacional. Os seus filmes são munidos de liberalismo comportamental (Uma Nova Amiga, Jovem e Bela), de sofisticação temática e formal, sem perder a noção de espectáculo e entretenimento. Tem também optado, nos seus últimos esforços, por narrativas onde uma ou mais personagens enveredam por mentiras e engodo (os que já citei e, por exemplo, Dentro de Casa). Não das que tentam enganar pessoas para algum ganho monetário, mas antes na busca de uma verdade pessoal ou de redenção. Este Frantz não é diferente.
No final da 1.ª Guerra Mundial, os pais e mães da Europa choram a morte dos seus filhos no conflito. Numa aldeia da Alemanha, não são só os progenitores, mas também a jovem noiva de Frantz chora e deposita flores no túmulo do noivo. Um dia, nota que um jovem francês da mesma idade sofre junto à campa. Depressa descobre tratar-se do melhor amigo de Frantz, que deslocou-se à Alemanha para dizer um último adeus ao soldado morto. Segue-se momentos cheios de emoção e de confronto. Emoção partilhada por um ente querido e confronto entre dois países que até há pouco antagonizavam-se em lados opostos de uma guerra sangrenta.
Filmado maioritariamente a preto e branco, Ozon vai entre-cortando momentos a cores, cuja saturação controla de acordo com os sentimentos das personagens. Não sendo uma técnica particularmente inovadora ou discreta, o realizador escolhe usá-la de forma parcimoniosa, o que acaba por fornecer alguma candura à narrativa. Também a escolha dos jovens protagonistas contribuiu para esse efeito, principalmente a de Paula Beer, cuja expressividade e controlo foram uma verdadeira revelação. A actriz navega por vários sentimentos, todos eles pesados para a idade, e que controla de forma aprofundada. Este é também um filme fortemente alicerçado no enredo, com voltas e reviravoltas controladas de forma segura pelo realizador e equipa. Nada parece demasiado conturbado e antes parte de uma viagem singular da jovem protagonista. Apesar de ser uma obra cujo nome é o do soldado morto, esse aparece apenas em flashbacks e é a sua morte e a influência da mesma que somos convidados a ver.
Um filme que, através de enganos e mentiras, revela o que queremos na verdade ser.
Um filme que, através de enganos e mentiras, revela o que queremos na verdade ser.
Deadpool 2 de David Leitch
O segundo pode ser sempre o mais difícil. Principalmente depois de um primeiro filme sensação. Deadpool foi uma das surpresas do ano de 2016, maioritariamente para quem não conhecia a personagem. Quem já a lia na BD sabia perfeitamente no que se estava a meter. A Fox estava fora de si quando deixou os autores fazerem o que quisessem num tipo de filme que, até então, era reservado aos jovens adultos e ao entretenimento familiar: o filme de super-heróis. Ou estavam distraídos, desesperados ou as duas coisas, porque o que saiu foi super-divertido, adulto e cheio de piadas para maiores de 18. Em suma, uma lufada de ar fresco. Ryan Reynolds fazia jus à sua pretensão de fazer o Deadpool que sempre quis e que precisava de ser feito (não aquela coisa abominável que apareceu no filme do Wolverine). Deadpool 2 é mais do mesmo, com uma escala maior, mais dinheiro, alguma repetição e muitas surpresas (alguma devastadoras e outras hilariantes).
Obviamente que o que funcionava bem no anterior é repetido neste, o que acaba por desgastar o entretenimento. Contudo, graças ao carisma das personagens e principalmente ao Deadpool de Reynolds, a história segue de forma frenética e divertida, entre momentos de acção e de piadas. O humor é puxado para cima, distribuindo oneliners e zingers a torto e a direito. Ninguém escapa ileso e a DC Comics, a distinta concorrência da Marvel, é alvo de quatro piadas (uma que já conhecem dos trailers e mais umas quantas, todas deliciosas - e eu sou um maior fã da DC que da Marvel). Conseguem-se alguns momentos inusitados que funcionam no contexto da história e do estilo do filme. Um deles envolve a equipa que Deadpool reúne, a X-Force, e que consegue ser um dos mais divertidos.
O enredo é mais sólido e convincente que o do primeiro, com um terceiro acto mais interessante, provando que conseguiram fazer melhor uso do dinheiro disponível. Regressam todos os que participaram na versão anterior: Colossus; a fabulosa Negasonic Teenage Warhead (mas ainda assim, pouco utilizada) Morena Baccarin; etc; e são adicionados novos bonecos como Cable, Domino, Yukio e surpresas que não quero estragar.
Para os fãs da BD, existem easter eggs espalhados amiúde: referências directas a BDs; personagens que já era altura de aparecerem no grande ecrã; uma referência deliciosa ao criador do Deadpool, Cable e Domino, Rob Liefeld; e muito mais. A cena pós-créditos é uma das mais hilariantes de toda a história do cinema de super-heróis (provavelmente a melhor, ainda que seja necessário algum conhecimento para estar dentro da piada).
Contudo, nem tudo são rosas. O efeito novidade desaparece um pouco e, tirando alguns momentos chave, essa sensação de repetição acontece por todo o filme. Cable acaba por ser uni-dimensional, o que é uma pena, isto depois de Josh Brolin nos ter dado um maravilhoso Thanos. A acção, quando apenas isso, é, regra geral, sem virtuosismo, mas quando misturada com o humor de assinatura Deadpool, melhora significativamente. Apesar de tudo isso, é um filme entretido, divertido e que continua a ser uma lufada de ar fresco. Venham a X-Force e um terceiro Deadpool.
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