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Captain Marvel (Capitão Marvel) de Anna Boden e Ryan Fleck

Desde 2008 que a Marvel tem tomado conta do cinema de entretenimento. Filme após filme, tem crescido em ambição e na construção de um universo único e coeso, que aproveita um dos elementos mais viciantes dos super-heróis, a partilha de um mesmo mundo. Agora que se aproxima o fim de um primeiro grande ciclo, com o filme Avengers Endgame, a produtora tem procurado por soluções para continuar a explorar estas personagens. Em breve, provavelmente, veremos o fim de Chris Evans como Capitão América e de Robert Downey JR como o Homem de Ferro, e há que encontrar substitutos. Para o primeiro, a Marvel escolheu explorar a Capitão Marvel, uma super-heroína na matriz de um Super-Homem. Infelizmente, o filme fica aquém do legado que quer continuar.

Battle Angel Alita de Robert Rodriguez

Battle Angel Alita, Gunnm no original japonês, é um dos meus mangás favoritos. O primeiro contacto com estes livros aconteceu há duas décadas e meia, em volumes publicados pela editora francesa Glénat. Recentemente, em modo de preparação para este filme, reli o primeiro grande arco de história da epopeia de Alita. A qualidade permaneceu inalterada e provou-me que Yukito Kishiro, o autor, tinha em mãos uma obra intemporal (leiam aqui o que achei desta releitura). 

E o que dizer do filme?

Green Book de Peter Farrely

Já com certeza repararam que os lançamentos de filmes vindos de Hollywood obedecem a um cuidado escalonamento. Entre Dezembro e Março, vão aparecendo, a conta-gotas, aqueles que têm maior possibilidade de serem candidatos a Óscar. Biopics. Histórias de luta contra diferentes adversidades, sejam elas racismo, homofobia, misoginia. Grandes dramas históricos. Depois desses, voltamos à silly season do espectáculo pirotécnico de super-heróis, ficção científica e outros mundos de fantasia. Mas, até esse momento, somos presenteados, à hora marcada e ciclicamente, por aquele Cinema que Hollywood considera mais "sério", mais "humano", mais "realista". Porque... convenhamos... são esses os únicos que merecem ser premiados (existem excepções, claro, mas que servem para confirmar a regra). Independentemente da qualidade deste Green Book, ele faz parte desta última categoria.

The Favourite (A Favorita) de Yorgos Lanthimos

A ascensão do realizador grego Yorgos Lanthimos tem sido nada menos que meteórica. Começou com filmes trabalhados na sua terra natal, Dogtooth e Alps, para logo ser reconhecido no além-fronteiras e lançar outros dois, The Lobster e The Killing of a Sacred Deer, que o fixaram como um dos realizadores a acompanhar. Nestes dois últimos já figuravam alguns actores conhecidos internacionalmente, com Colin Farrel a bisar, acompanhado de Rachel Weisz no primeiro e de Nicole Kidman no segundo. Ambas estas obras eram esforços surrealistas, que não se enquadravam no cinema mainstream, antes devendo méritos à inspiração de lendas como Buñuel e até a um David Lynch mais contido.

Bohemian Rhapsody de Bryan Singer

Os críticos têm dificuldade em incluir as emoções na sua análise? Será que, para rever um filme, terão de se cingir à razão objetiva?  E os espectadores? Esses têm apenas que se sentir emocionados, de gostar ou não? Será que uma forma de ver é "melhor" que a outra? Mais esclarecida? Mais verdadeira? Bohemian Rhapsody dá uma das respostas a estas questões. Freddie Mercury, os Queen, Bryan Singer, Rami Malek, e restante equipa ajudam.

Os nossos filmes favoritos de 2018 - Pódio Ouro



Chegou aquela altura do ano em que todos votam os melhores do ano e o Acho que Acho acha que não deve ficar atrás de ninguém. Começamos com o Cinema. Para fazer esticar os cliques que massajam o ego, começámos com um pódio de bronze, seguido do de prata e, finalmente, agora, o de ouro. É só clicar na imagem para lerem o que falamos à altura que saiu.

Os nossos filmes favoritos de 2018 - Pódio Prata


Chegou aquela altura do ano em que todos votam os melhores do ano e o Acho que Acho acha que não deve ficar atrás de ninguém. Começamos com o Cinema. Para fazer esticar os cliques que massajam o ego, começámos com um pódio de bronze, seguido agora do de prata e, finalmente, o de ouro. É só clicar na imagem para lerem o que falamos à altura que saiu.

Os nossos filmes favoritos de 2018 - Pódio Bronze


Chegou aquela altura do ano em que todos votam os melhores do ano e o Acho que Acho acha que não deve ficar atrás de ninguém. Hoje começamos com o Cinema. Para fazer esticar os cliques que massajam o ego, vamos começar com um pódio de bronze, seguido do de prata e, finalmente, o de ouro. É só clicar na imagem para lerem o que falamos à altura que saiu.

The Night Comes for Us de Timo Tjahjanto


Temos uma sugestão para a Netflix e para os donos do cinema Monumental em Lisboa. Porque não passar nestas salas certos filmes que parecem apenas circunscrever-se àquela plataforma de streaming? Assim, não só teríamos a sorte de ver certas películas em ecrã grande, como a Academia de Cannes não poderia retirar de competição obras financiadas por esta produtora. Porque é não vimos o excelente novo filme do irmãos CoenThe Ballad of Buster Scruggs, em sala? E porque não podemos ver este excelente e ultra-violento The Night Comes for Us? Dizemos-vos: é criminoso.

(para os que não sabem, Paulo Branco vai retirar-se da exploração das míticas salas do Monumental, onde gerações viram alguns dos melhores filmes das suas vidas - nós, inclusive. Ao mesmo tempo, Cannes retirou de competição todos os filmes que não tenham sido exibidos, pelo menos uma vez, em sala de cinema). 

Roma de Alfonso Cuarón

Roma de Alfonso Cuarón deveria ser o tipo de filme que justifica irmos a uma sala de cinema e não escolher antes vê-lo na TV. Estreado quase em simultâneo na Netflix e em sala, vem com a invejável classificação de um dos melhores filmes do ano de 2018 - a famosa revista britânica de cinema, a Sight & Sound, votou-o mesmo como o melhor. Preferir pagar e deslocar-se para fora do conforto do lar e vê-lo em ecrã gigante (desculpem a prepotência assumida) faz a diferença entre quem gosta de Cinema e os que o vêem apenas como um momento bem passado - ou então não tiveram possibilidade, pelas mais variadas razões (não vá alguém se zangar connosco). Não deveríamos reservar este ritual apenas para os blockbusters. Roma merece tanto quanto estes.

Aquaman de James Wan

Chegou às salas o mais novo filme do universo cinematográfico da DC Comics. Depois de ter-se iniciado com Man of Steel, continuou com o mal-fadado Batman v Superman, seguido de Suicide Squad, Mulher-Maravilha e, finalmente, Justice League. Dizer que o calor da recepção destas incursões foi variante é ser eufemístico. O resultado de bilheteira do último foi de tal forma catastrófico que a produtora decidiu refazer a equipa por detrás destes universos de fantasia e arriscar novas abordagens. Aquaman de James Wan é o primeiro esforço nesse sentido. Se queriam afastar-se o mais possível da linguagem obsessiva, negra e deprimente de Zack Snyder a intenção foi conseguida.

Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões de Hirokazu Koreeda

O filme que venceu a desejada Palma D'Ouro de Cannes de 2018 é assustadoramente simples. Shoplifters acompanha uma singular família de pequenos ladrões de loja que procuram sobreviver nas ruas do Japão moderno. Este é um filme dedicado às relações humanas e humanistas. É um elogio ao ser social que somos, não isolados no materialismo do consumo, do ganhar dinheiro, do superficial. Para tal Hirokazu Koreeda escolhe uma família à margem da sociedade, família essa que gira à volta de uma idosa e de uma jovem de cinco anos que é adoptada para o seu seio.

Quando estreia? Sorry To Bother You de Boots Riley

Será este o Fight Club da segunda década do século XXI? Devemos estar a exagerar, de certeza. Mas as conotações, o engajamento, a ideologia, estão lá. Existe um olhar crítico e cínico que incide sobre a actualidade. Nada escapa ao bisturi artístico de Boots Riley, um americano com fortes inclinações de esquerda. Anti-corporativista. Pró-individualista. Humanista. Rejeita, através de uma narrativa inteligente, vibrante e inovadora, o caminho do capitalismo selvagem, do dinheiro como justificação, sem perder objectividade e realismo. Talvez estejamos a falar de um dos mais essenciais filmes deste início do século XXI.

Revenge de Coralie Fargeat

Será que este Revenge de Coralie Fargeat veria a luz do dia anos atrás? Ou, pelo menos, com o formato que acabou por adquirir? Será que esta história de vingança de uma mulher violada seria exactamente assim? Será que necessitamos de movimentos #metoo, feminismos e sufragismos para que a sociedade reconheça o valor destas narrativas? Não falo de valor panfletário. Não falo do valor social. Falo da relevância comercial e artística. Décadas atrás, não passaria pela cabeça de ninguém negar a plataforma narrativa do Cinema a filmes de vingança de Rambos, Comanches e Chuck Norris. Será que precisamos de tanto tempo para saber que, sim, as mulheres também têm lugar neste tipo de filmes? A realidade é que agora começam a aparecer mais heroínas, mais revoltadas, mais protagonistas, em filmes que antes eram de exclusiva província masculina.

The Killing of a Sacred Deer (O Sacrifício de Um Cervo Sagrado) de Yorgos Lanthimos

Depois de The Lobster, que já tinha sido um dos nossos favoritos em 2016, o realizador grego Yorgos Lanthimos regressa com mais este filme, produzido com meios e actores que não do seu país natal. Volta a trabalhar com Colin Farrel, que tem diversificado a sua carreia com filmes menos comerciais, e, desta vez, também com o nome sonante da actriz Nicole Kidman.  O resultado é uma incursão irónica acerca da vida privilegiada de uma família de médicos de sucesso que, apesar de tudo o que de bom fazem, esquecem-se do seu estatuto de excepção.

Columbus de Kogonada

Um homem fica doente. Um homem que dedicou a vida inteira a transmitir conhecimentos sobre Arquitectura.  Fica hospitalizado na cidade de Columbus, nos EUA, onde iria dar uma palestra sobre essa mesma urbe, meca de edifícios de design único. Alunos e admiradores zelam pelo seu bem estar, mas é no filho que recai o peso maior, filho que vive como tradutor na Coreia do Sul, de onde o pai é originário. Obrigado a abandonar o seu trabalho e a sua vida, o personagem interpretado por John Cho irá confrontar-se com o legado de um pai ausente, ao mesmo tempo que conhece uma cativante jovem de 20 anos, na pele de Haley Lu Richardson. Ela anda à deriva, sem saber o que fazer depois de haver acabado o liceu, e nutre um amor profundo pela Arquitectura, tão importante na sua terra natal. Ao mesmo tempo, cuida de uma mãe com problemas profundos. Apesar da diferença de idade, irá germinar entre os dois uma profunda amizade, alicerçada num entendimento e respeito mútuos.

Thelma de Joachim Trier

Thelma, estreado na semana passada pela chancela da distribuidora Cinema Bold, é um filme com todos os tiques do melhor do terror. Esta estética continua a atrair vários realizadores, que gravitam na direcção de um estilo onde podem brincar com as emoções dos espectadores de uma forma primal e pura. Joachim Trier, realizador dinamarquês que deu-nos, por exemplo, Oslo 31 de Agosto, não é excepção. Ainda que este último filme se centrasse nos dramas bem reais de um jovem a recuperar de uma adicção a drogas, não deixa de partilhar do código genético de Thelma. Ambos centram-se nos dramas de dois jovens. Acontece que um é mais fantástico do que outro.

Cold War (Guerra Fria) de Pawel Pawlikowski

Não gosto de ser acusado de pedante, mas acho que, desta vez, será impossível não acontecer. O novo e belo e brilhante filme do realizador de Ida, Pawel Pawlikowski, é o responsável. Larguem os Venom da vida - que ainda não vi. Esqueçam todos os filmes pipoca pelo menos uma vez neste ano, e desloquem-se a uma sala de cinema e vejam este Cold War - nesta altura que vos escrevo, o meu filme favorito de 2018. Aliás, não posso sublinhar com suficiente veemência que não o deixem sair de cartaz e não guardem para o ver num ecrã de TV ou outro qualquer de dimensão inferior. Este filme é uma das razões, no que a mim diz respeito, pela qual o Cinema existe e, portanto, deve ser visto em sala de ecrã de cinema.

Blackkklansman de Spike Lee

"É assim que os EUA dominam o mundo. Coca-Cola, Nike, Apple, hip-hop, rock 'n' roll, blues. Quando colocas cá fora coisas que modificam o modo das pessoas pensarem, falarem, dançarem - isso é poder. Bombardear pessoas não tem influência nenhuma. É essa a minha teoria de como os EUA dominaram o mundo: através da exportação da sua cultura, e no topo da lista está o Cinema." É Spike Lee quem o diz em entrevista à revista inglesa Sight & Sound.

MOTELx 2018 - Tigers Are Not Afraid, Exorcism of Mary Lamb e Elizabeth Harvest


Fechando o nosso MOTELx de 2018 estão estes três filmes, cada qual testemunha da diversidade das diferentes abordagens neste festival, ainda que díspares em termos de qualidade.