Edward Hopper, Sunday, 1926
Imagem de Her, filme de Spike Jonze, 2013
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La Grande Belezza de Paolo Sorrentino (A Grande Beleza)
Neste Blog não é costume dizer-se mal das
coisas. Mas em relação a La Grande
Belezza tentar evitá-lo é um exercício de contorcionismo. Acho que será mesmo
impossível.
Vamos começar pelo
que poderá ser positivo. A vida de uma certa classe em Roma é filmada de forma
extravagante e carnavalesca, cor e movimento em parada pela película, os
personagens excêntricos a seguirem-se uns aos outros num misto de fascínio e
ironia. Isso não podia ser melhor exemplificado pelo longo início, a festa de aniversário
do protagonista, o hedonista e suave galã de meia-idade que também é o realizador
do filme. Numa longa sequência relativamente inócua é caracterizada a atmosfera
da maior parte do filme (resta a dúvida se com ironia): o modo de vida do grupo
ligada à “alta cultura” romana, deslocado do quotidiano da classe média. O
autor, contudo, não é um apologista do hermetismo pseudointelectual - que tanto
caracteriza a inclinação de certos círculos culturais portugueses. Isso é
exemplificado em duas sequências que são dos momentos mais interessantes do
filme. Primeiro, uma onde o protagonista, crítico de Arte para uma revista, se
desloca a duas instalações de honestidade diametralmente oposta. Uma segunda, a
história da filha de um velho amigo do nosso “herói” que faz strip-tease – uma outra forma de arte –
por um motivo muito pragmático.
Infelizmente, estes
são apenas momentos, retalhos num manto pouco interessante. O resto são alusões
bem assumidas a La Dolce Vita de
Fellini, surrealismos, metáforas e alegorias espalhadas amiúde para efeito
desconcertante e “pseudo-estimulante”, um pedantismo e sobranceria sublinhado e
assumido. Será essa a razão por que ganhou o óscar de melhor filme estrangeiro
para este ano de 2014? Será que, para um estado-unidense, esta é a Roma que
imaginam existir e este o tipo de filme europeu que certas elites gostam de
gostar? Não sei e também não é muito relevante.
(A minha excessiva irritação
também provém de um extraordinário filme como La Vie D’Adèle nem sequer ser nomeado ou Jagten - The Hunt - não ser
o justo vencedor do Óscar).
August: Osage County de John Wells
Vou já despachar e dizê-lo.
Este é um filme de atores. O realizador é apenas competente. Aponta a câmara,
grita “ação” e deixa que as atrizes (sim, no feminino) façam o seu trabalho. Escrever
no título deste post que o filme é
“…de John Wells” cheira quase a teimosia – ainda que, na realidade, não o seja.
Este é um trabalho
de representação baseado num argumento recheado de diálogos e personagens
gordos de carácter. E é o trabalho (impressionante) de Meryl Streep e, em menor
medida mas não menos relevante, de Julia Roberts. Num mundo justo, haveria
óscares para estas duas senhoras, a par dos que foram entregues às também
merecedoras Cate Blanchett e Lupita Nyong’o.
Estamos a falar de
uma peça de teatro adaptada pela própria dramaturga, Tracy Letts, e, à
semelhança dos filmes A Vénus de Vison
e O Deus da Carnificina, nota-se que assim
o é. Os espaços físicos são contidos (a maior parte das cenas passam-se na casa
da família) e o enfoque é no esforço dos atores em construir personagens a
partir dos diálogos. O virtuosismo da realização é deixado para trás para dar
espaço à dramatização por força das qualidades de “fingimento”. Claro que John
Wells poderia ter escolhido o caminho de Polanski ou de Baz Luhrmann no Romeu + Julieta mas, claramente, não foi
essa a sua intenção (ou encomenda?). Para mim, é isso que faz com este não seja
um grande filme, mas sim uma excelente oportunidade de ver o virtuosismo de
Streep, Roberts, entre outras. São elas que fazem toda a narrativa, numa
bravura e força que não escapa mesmo aos mais cínicos, aqueles que poderão
dizer: “vê-se mesmo que é para óscar!”. Pode até ser… mas não é importante.
A história em si pouco
ou nada acrescenta a milhentas outras iterações de famílias disfuncionais que
se encontram após a morte de um patriarca e/ou membro avulso. Existem vários
conflitos que são abordados e resolvidos… ou não. Os membros mais tradicionais entram
em confronto com os mais modernos. Os mais velhos contra os mais novos. As
eternas lutas geracionais. Num momento ou noutro, seremos obrigados a
reconhecer uma ou mais similaridades com a nossa família. Inevitável como a sua
sede.
Não é defeito. É
feitio.
Óscares 2014, as minhas apostas (actualizado com vencedores)
Hoje à noite é a
vez da mais famosa festa de entrega de prémios de Cinema no mundo. Ao contrário
dos filmes dos César vi a maior parte dos filmes nomeados (faltam-me Nebraska e Quente Agosto). Contudo, e também ao contrário dos filmes incluídos
no galardão francês, acho que a colheita deste ano deixa muito a desejar.
Existem coisas boas, outras deliciosas, mas, e tirando um ou dois exemplos mais
interessantes, nada de genial – os exemplos da exceção são, para mim, Her e Wolf of Wall Street. Se vos interessar lerem alguns dos posts mais antigos saberão um pouco mais
do que achei de alguns destes filmes.
À semelhança do
César, a negrito estão os que acho
que vão ganhar. A itálico os que acho
que deveriam ganhar. A negrito itálico quando os dois coincidem.
(actualizado com os vencedores a sublinhado)
(actualizado com os vencedores a sublinhado)
Melhor Filme
“American Hustle” Charles Roven,
Richard Suckle, Megan Ellison e Jonathan Gordon, Produtores
“Captain Phillips”
Scott Rudem, Dana Brunetti e Michael De Luca, Produtores
“Dallas Buyers Club” Robbie Brenner e Rachel Winter, Produtores
“Gravity” Alfonso
Cuarón e David Heyman, Produtores
“Her” Megan Ellison, Spike Jonze e
Vincent Landay, Produtores
“Nebraska” Albert
Berger e Ron Yerxa, Produtores
“Philomena” Gabrielle Tana, Steve Coogan and Tracey Seaward, Produtores
“12 Years a Slave” Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleemer, Steve
McQueen e Anthony Katagas, Produtores
“The Wolf of Wall Street” Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio, Joey
McFarland e Emma Tillemger Koskoff, Produtores
Melhor Realizador
“American Hustle” David O. Russell
“Gravity” Alfonso Cuarón
“Nebraska” Alexander Payne
“12 Years a Slave” Steve McQueen
“The Wolf of Wall Street” Martin Scorsese
Melhor Actor Principal
Christian Bale em “American Hustle”
Bruce Dern em “Nebraska”
Leonardo DiCaprio em “The Wolf of Wall Street”
Chiwetel Ejiofor em “12 Years a Slave”
Matthew McConaughey em “Dallas Buyers Club”
Melhor Actor secundário
Barkhad Abdi em
“Captain Phillips”
Bradley Cooper em “American Hustle”
Michael Fassbender em “12 Years a Slave”
Jonah Hill em “The Wolf of Wall Street”
Jared Leto em “Dallas Buyers Club”
Melhor Actriz Principal
Amy Adams em “American Hustle”
Cate Blanchett em “Blue Jasmine”
Sandra Bullock em “Gravity”
Judi Dench em “Philomena”
Meryl Streep em “August: Osage County”
Melhor Actriz secundária
Sally Hawkins em
“Blue Jasmine”
Jennifer Lawrence em “American Hustle”
Lupita Nyong’o em “12 Years a Slave”
Julia Roberts em “August: Osage County”
June Squibb em
“Nebraska”
Argumento adaptado
“Before Midnight” Escrito por Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan
Hawke
“Captain Phillips” Screenplay por Billy Ray
“Philomena” Screenplay por Steve Coogan and Jeff Pope
“12 Years a Slave” Screenplay por
John Ridley
“The Wolf of Wall Street” Screenplay
por Terence Winter
Argumento Origemal
“American Hustle” Escrito por Eric Warren Semger and David O. Russell
“Blue Jasmine” Escrito por Woody Allen
“Dallas Buyers Club” Escrito por Craig Borten & Melisa Wallack
“Her” Escrito por
Spike Jonze
“Nebraska” Escrito
por Bob Nelson
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